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Terça, 19 Setembro 2023 13:19

Fim da moratória chinesa, juros da dívida angolana duplicaram

Pagamentos de juros de Angola à China duplicaram do primeiro para o segundo trimestre deste ano e tornam ainda mais evidente a dependência do petróleo.

Os pagamentos de juros de Angola aos credores externos, maioritariamente chineses, duplicaram, passando de 775 milhões de dólares no primeiro trimestre deste ano para 1,57 mil milhões de dólares no segundo trimestre, com o fim de moratória da dívida de três anos com os credores chineses , disse o jornal South China Morning Post.

O aumento foi o mais elevado desde pelo menos no primeiro trimestre de 2012, de acordo com dados divulgados pelo Banco Nacional de Angola (BNA). Mas os pagamentos de juros mais elevados foram parcialmente compensados por uma queda do défice no comércio de serviços para o mínimo de dois anos de 1,77 mil milhões de dólares, contra 2,34 mil milhões de dólares no primeiro trimestre deste ano.

Angola, que é o segundo maior produtor de petróleo do continente, é o maior beneficiário de financiamento da China em África, tendo contraído 254 empréstimos no valor de 42,6 mil milhões de dólares de credores chineses. É responsável por mais de um quarto do total de empréstimos de Pequim aos países africanos entre 2000 e 2020, de acordo com a base de dados de empréstimos chineses a África, compilada pelo Centro de Políticas de Desenvolvimento Global da Universidade de Boston.

Mas os efeitos da pandemia do coronavírus exacerbaram os problemas da dívida de Angola, especialmente no início de 2020, quando os preços globais do petróleo bruto caíram para menos de 30 dólares por barril. O petróleo representa 90 por cento das exportações do país, deixando-o vulnerável sempre que os preços caem.

Em Maio de 2020, quando o Grupo dos 20 lançou a Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI) para proporcionar alívio da dívida às nações pobres, Angola foi um dos países que se candidatou.

O Banco de Desenvolvimento da China (CDB) e o Banco Comercial e Industrial da China (ICBC) tinham dado a Angola um congelamento de três anos no pagamento da dívida num total de 4.900 milhões de dólares entre 2020 e 2023, tendo o país recebido também um número indeterminado de alívio da dívida do Eximbnak da China.

O South China Morning Post cita peritos como tendo dito ser ainda demasiado cedo para se saber em que número é que o pagamento das dívidas angolanas vai aumentar com o fim da moratória porque há outros factores que podem influenciar isso como a subida de juros a nível global pois muitos dos empréstimos externos de Angola foram feitos com juros variáveis.

Angola parece também ter reduzido o pagamento do capital das suas dívidas. O diário disse que foram amortizados no segundo trimestre 318 milhões de dólares da dívida a credores chineses contra 1.500 milhões no trimestre anterior.

A dívida externa total de Angola deverá permanecer em cerca de 50 mil milhões de dólares sendo 40% de credores chineses.

Dos credores chinenses o ICBC é o maior.

Angola devia a esse banco no primeiro trimestre deste ano 5.000 milhões de dólares, disse o jornal.

O South China Morning Post fez notar que especialistas sublinharam também que com o aumento recente do preço do petróleo que poderá atingir os 100 dólares o barril as perspetivas de Angola estão a melhorar.

Diversificar a economia

Desde que se tornou presidente de Angola em 2017, João Lourenço tenta diversificar a economia se afasta do petróleo e reduz a dependência do país da China.

Para esse fim, João Lourenço tem tentado se alinhar mais com os Estados Unidos e a Europa do que a China –, como foi o caso de seu antecessor, o falecido Eduardo dos Santos, que atraiu capital chinês para a reconstrução da economia após o término da guerra civil de 26 anos em 2002.

Investimentos recentes dos EUA incluem US $ 900 milhões em financiamento para uma usina solar e uma proposta de US $ 250 milhões para financiar o Corredor Ferroviário Atlântico de Lobito – uma linha ferroviária de acesso ao porto de Lobito, em Angola, até a fronteira com a República Democrática do Congo.

No entanto, Angola ainda precisa da China para financiar a construção dos principais projetos de infraestrutura, como a estação hidrelétrica de Caculo-Cabaca, de 2.172 megawatts, construída pela China, na província do Cuanza Norte. O projeto será financiado pelo ICBC, enquanto o Refinaria de Petróleo de Lobito, ao longo da costa atlântica, será construído pela China National Chemical Engineering. AO24/VOA

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