Segunda, 20 de Abril de 2026
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Angola somente dará certo caso venha a ter previsibilidade económica e financeira. O país só prosperará quando for vacinado contra os vícios e contra o usufruto ilegal do erário público.

Muitos continuam a não entender a minha insistência na necessidade de Angola definir e concretizar uma coisa a que, em termos formais se pode dar designações tão diferentes como “pacto de transição”, “pacto de estabilidade”, “pacto pré-eleitoral”, “pacto de paz e reconciliação nacional profunda”, etc., etc.

Sábado, 18 Abril 2026 10:38

O convite envenenado

Há imagens que falam mais do que discursos inteiros. Imagine um cão convidado a comer num prato farto, cuidadosamente preparado, quase irresistível. Mas ao lado, imóvel e vigilante, está alguém com um chicote na mão. O convite existe, o alimento também — mas a liberdade de comer não é plena. É condicionada pelo medo, pela possibilidade de punição, pelo olhar constante de quem controla o gesto.

As recentes cheias registadas na província de Benguela, particularmente na zona do rio Cavaco, voltam a expor uma realidade que, infelizmente, já não é nova. Trata-se de um fenómeno recorrente, cujas consequências poderiam ser mitigadas — ou até evitadas — caso houvesse maior rigor na implementação e fiscalização das políticas públicas.

Todos nós somos de opinião de que as condições de vida dos angolanos devem melhorar, quer ao nível do emprego, salário, saneamento básico, infraestruturas, entre outros.

Há expressões que, de tanto repetidas, perdem densidade e tornam-se ornamentos vazios. “Amicus de veritas sed”, ser amigo da verdade é uma delas. No plano ideal, remete a um compromisso ético inegociável, no plano real, sobretudo na arena política angolana, soa cada vez mais como um artifício discursivo, invocado não para afirmar a verdade, mas para legitimá-la, ainda que seja construída, distorcida ou conveniente.

No teatro do absurdo, Angola demonstra possuir uma performance invejável, assente numa lógica de distorção da realidade, onde se tenta alterar, de forma irresponsável, o estado real de fome e miséria extrema que persiste no país. A vaidade e a incompetência têm sido as duas faces da mesma moeda predominante no aparelho do Estado.

Até hoje, não consigo compreender por que razão a cantora Noite e Dia ingressou na Polícia. Trata-se de um talento nato, que arrasta multidões — uma verdadeira “máquina” de gerar receitas, com um público sólido a nível nacional e internacional, composto maioritariamente por jovens e crianças, o que garante a sustentabilidade da sua carreira e da sua fonte de rendimento.

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