Em caso de vitória do Presidente João Lourenço no Congresso de Dezembro, a questão da bicefalia é adiada até às eleições de 2027, se, eventualmente, o MPLA conseguir obter uma vitória eleitoral, com uma maioria absoluta.
Num Estado Democrático e de Direito, a força da justiça não se mede apenas pela capacidade de investigar e punir quem viola a lei. Mede-se, sobretudo, pela confiança que inspira aos cidadãos, pela sua independência em relação ao poder político e pela certeza de que ninguém será julgado na praça pública antes de ser julgado nos tribunais.
As eleições que decidirão o rumo de Angola talvez não sejam as gerais de 2027, mas as internas do MPLA, marcadas para Dezembro de 2026. A escolha do partido no poder não é assunto doméstico. O MPLA governa desde a independência. Pela Constituição, o Presidente da República é o cabeça de lista nacional do partido ou coligação mais votado, e o cargo está limitado a dois mandatos. João Lourenço está impedido de concorrer em 2027.
Do Portal do Ministério das Finanças, tomei conhecimento da informação divulgada sobre a apresentação pelo Executivo angolano de um relatório de execução orçamental que, à primeira vista, transmite uma imagem de sucesso económico.
Ao banalizarem o ex-Presidente José Eduardo dos Santos, banalizaram também a instituição Presidência da República e toda a pouca credibilidade que ainda lhe restava.
O Presidente da República de Angola encontra-se, uma vez mais, no estrangeiro numa chamada "visita privada" — desta vez, com destino ao Brasil. Para muitos, os passos do Chefe de Estado fora da agenda oficial deveriam passar despercebidos.
O que está a acontecer com o General Higino Carneiro não é um caso isolado, mas sim um aviso de navegação para as hostes do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). A mensagem subliminar que ecoa dos corredores do poder em Luanda é cristalina: qualquer membro do partido que ouse desafiar a liderança estabelecida arrisca-se a ver o seu passado revisitado pela mão invisível do sistema.
A proposta de lei que prevê o acesso da Administração Geral Tributária (AGT) às informações bancárias dos contribuintes está a suscitar debate em Angola. Uns consideram-na um instrumento indispensável para combater a evasão fiscal; outros veem-na como uma ameaça potencial à privacidade financeira dos cidadãos. A verdade é que ambas as posições possuem argumentos válidos e merecem reflexão.