Sexta, 06 de Fevereiro de 2026
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Sexta, 06 Fevereiro 2026 14:47

Corredor do Lobito terá ferramenta de monitorização e apoio do Banco Mundial para atrair investidores

O Corredor do Lobito vai dispor de uma ferramenta de monitorização para acompanhar projetos e financiamentos, revelou uma responsável do Banco Mundial, instituição que quer ajudar a mitigar os riscos através de garantias para atrair o setor privado.

Em entrevista à Lusa após participar na reunião de alto nível sobre o mecanismo de coordenação do Corredor do Lobito, na quinta-feira em Luanda, Anna Bjerde afirmou que o Banco Mundial pretende apoiar o projeto através de instrumentos públicos e privados, incluindo garantias, para o tornar “investível” e viabilizar parcerias público-privadas.

“O Banco Mundial está bem equipado para fornecer financiamento público e privado, bem como mecanismos de garantia que reduzem o risco e permitem maior participação do setor privado”, realçou.

Segundo Anna Bjerde, um dos principais resultados da reunião foi o reconhecimento generalizado de que a falta de coordenação constitui um dos maiores riscos ao sucesso do projeto.

Projetos transfronteiriços desta dimensão exigem “um quadro forte de coordenação” entre os três países e também entre os parceiros de desenvolvimento, destacou.

Nesse sentido, vai ser criada uma ferramenta de monitorização (“tracker”), que permitirá acompanhar, em tempo quase real, o que cada país e cada parceiro está a executar ou a planear.

“Queremos trazer tudo para uma única ferramenta que nos permita acompanhar o que os países precisam de fazer, o que os parceiros de desenvolvimento estão a apoiar e onde podem existir atrasos ou estrangulamentos”, explicou, sublinhando que o instrumento começará a ser utilizado ainda antes da próxima reunião, que será realizada no segundo trimestre, em Kinshasa (República Democrática do Congo).

A diretora-geral de Operações do Banco Mundial destacou ainda a importância de eliminar obstáculos nos postos fronteiriços e nas transações comerciais, para reduzir o tempo de transporte dos atuais 25 a 30 dias para cerca de cinco a sete dias.

“Há muitos elementos que precisam de ser tratados, como procedimentos, inspeções, formação e harmonização de regras”, exemplificou.

A responsável sublinhou que o Corredor do Lobito não deve ser apenas uma infraestrutura para transporte de minerais e precisa de ser transformado num verdadeiro corredor económico, através de investimentos em áreas como a agricultura onde identifica oportunidades de criação de emprego.

“Se conseguirmos aumentar a produtividade dos agricultores e dar-lhes acesso a mercados, isso por si só criará muitos empregos”, apontou Anna Bjerde, acrescentando que outras áreas como logística, cadeias de frio, serviços digitais, indústria e desenvolvimento urbano também oferecem oportunidades relevantes, sobretudo para jovens.

A responsável reconheceu igualmente desafios associados à expansão económica ao longo do corredor, incluindo questões de acesso à terra, defendendo transparência e compensações para as comunidades.

No plano financeiro, Anna Bjerde defendeu uma combinação de financiamento concessional e investimento privado, sublinhando que alguns segmentos da infraestrutura exigirão recursos públicos de baixo custo, enquanto outros poderão atrair capital privado com o apoio de garantias. “Temos de combinar financiamento público e privado e usar estratégias de redução de risco para dar conforto aos investidores”, afirmou.

Anna Bjerde considerou que o corredor tem um potencial transformador ao ligar os países envolvidos (Angola, Zâmbia e República Democrática do Congo) ao Atlântico e amplificando o acesso aos mercados globais, mas alertou que o sucesso dependerá da capacidade de alinhar investimentos, reformas e calendários.

“O racional do Corredor do Lobito é muito claro, mas tudo depende de como financiamos, coordenamos e reduzimos os riscos para garantir viabilidade e sustentabilidade”, concluiu.

O Corredor do Lobito é uma infraestrutura estratégica que liga o Porto do Lobito, em Angola, às regiões mineiras da República Democrática do Congo e da Zâmbia, através do Caminho de Ferro de Benguela.

O corredor é visto como uma plataforma regional para facilitar o comércio transfronteiriço, reduzir tempos e custos de transporte e ligar países do interior da África Austral e Central ao Oceano Atlântico, promovendo o desenvolvimento económico ao longo do seu traçado.

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