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Terça, 06 Janeiro 2026 14:32

Industrialização angolana é uma necessidade histórica e estratégica - analista

O Investigador chinês João Shang considerou a industrialização angolana "uma necessidade histórica e estratégica", defendendo como prioridade a transformação local de recursos naturais e a existência de políticas públicas adaptadas à realidade angolana.

Num artigo intitulado "Apenas a Industrialização Pode Salvar Angola", João Shang, Investigador em relações sino-africanas, associado ao Centro de Estudos para o Desenvolvimento Económico e Social de Africa (CEDESA), sublinhou que o pais lusófono dispõe de recursos, capital humano e potencial necessários para o processo de industrialização.

"O desafio agora é transformar essas vantagens em capacidade produtiva real", referiu, considerando que "o destino de Angola não será decidido pelo que extrai do subsolo, mas pelo que consegue produzir com inteligência, trabalho e visão de longo prazo".

Para o académico, é necessária uma industrialização adaptada à realidade angolana e não a repetição de "modelos ultrapassados ou ambientalmente insustentáveis".

"Angola tem a oportunidade de seguir uma via de industrialização moderna, gradual e estratégica, baseada nas suas vantagens comparativas e nas exigências do século XXI. O sucesso da industrialização exige politicas públicas coerentes, estabilidade institucional, investimento em capital humano e uma parceria estratégica entre o Estado e o setor privado", frisou.

O académico destacou que Angola é um dos paises africanos mais ricos em recursos naturais, como petróleo, gás natural, diamantes, minerais metálicos, com vastas extensões de terras aráveis e um enorme potencial hidroelétrico.

Mas, "apesar de períodos de forte crescimento económico, Angola continua a enfrentar desafios estruturais profundos: dependência excessiva do petróleo, fraca diversificação produtiva, elevado desemprego juvenil, forte dependência das importações e vulnerabilidade ás oscilações externas, realçou.

O também escritor e jornalista chinës observou que esses desafios revelam "um problema de fundo", ou seja, que "o modelo de crescimento baseado predominantemente na exportação de matérias-primas atingiu os seus limites", pelo que se torna "cada vez mais evidente que apenas a industrialização pode alterar, de forma estrutural e duradoura, o destino económico e social de Angola".

O investigador de economia dos Estados-membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) no Centro Chinês de Estudo dos Paises de Lingua Portuguesa (CCEPLP) da Universidade da Economia e Negócio Internacionais (UIBE), sublinhou que durante muitos anos Angola beneficiou do setor petrolifero, como papel decisivo na reconstrução nacional e financiamento do Estado.

"As receitas do petróleo permitiram investir em infraestruturas, estabilizar as finanças públicas em determinados periodos e inserir Angola nos fluxos da economia global" disse, enfatizando que, essa dependència "criou fragilidades profundas".

O investigador salientou que os preços dos recursos naturais são definidos nos mercados internacionais, fora do controlo nacional, provocando pressões cambials, défices fiscais, inflação e dificuldades sociais.

"Esta dinâmica ciclica demonstra que a riqueza baseada exclusivamente em recursos é instável e Imprevisível", referiu, acrescentando que "uma economia excessivamente dependente de recursos tende a negligenciar o desenvolvimento de outros setores produtivos, enfraquecendo a base industrial e tecnológica do país".

Com este cenário, "o resultado é uma economia vulnerável, pouco diversificada e dependente do exterior" e só a industrialização pode representar uma mudança qualitativa no modelo económico.

João Shang aponta como prioridades o desenvolvimento agroindustrial, a criação de zonas económicas especials e parques Industriais, a atração de investimento estrangeiro, com transferência de tecnologia; a formação técnica e profissional alinhada com as necessidades industriais e a integração regional.

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