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Terça, 21 Dezembro 2021 09:41

Até onde irá a ascensão do Grupo Carrinho?

No consulado de João Lourenço, o Grupo Carrinho foi conquistando notoriedade empresarial. Após se ter focado na área do comércio alimentar, o grupo ganhou a privatização do Banco Comércio e Indústria. Mas há dúvidas que permanecem.

Por Celso Filipe

No consulado de João Lourenço, o Grupo Carrinho saiu da discrição e tem assumido um papel preponderante na paisagem empresarial angolana. Na passada semana ficou a saber-se que o grupo angolano venceu a privatização do Banco Comércio e Indústria (BCI,) pelo qual pagou cerca de 25,9 milhões de euros. A operação foi concretizada através de um leilão realizado na plataforma da Bolsa de Valores e Derivados de Angola (Bodiva).

O grupo ganhou notoriedade com a inauguração, em 2019, de um complexo industrial composto por 17 fábricas e também por ter obtido, ao longo deste ano, duas garantias de Estado. A primeira, em março, no valor de 50,5 milhões de euros, destinado à cobertura de um contrato de importação de bens e equipamentos do projeto de uma fábrica de produção de óleo alimentar e farinha de soja. Uma segunda, em agosto, de 50,9 milhões de euros, com o objetivo de cobrir um contrato de importação de bens e equipamentos do projeto de uma fábrica de produção de açúcar.

Já de dezembro, o IFC (Cooperação Financeira Internacional)), um organismo do Banco Mundial e o Grupo Carrinho lançaram um programa de capacitação para apoiar dezenas de milhares de produtores e também pequenas e médias empresas (PME) no aumento da produção e melhoramento do acesso ao mercado,

Na base de todos estes desenvolvimentos está um complexo industrial construído pelo Grupo Carrinho, em Benguela, composto por 17 unidades industriais, 15 das quais de vocação alimentar. O projeto foi inaugurado pelo presidente angolano, João Lourenço, em novembro de 2019, tendo na altura sido noticiado que o investimento ascendia a 532,2 milhões de euros.

O que falta saber

Fundado em 1991, a BCI conta com uma rede de distribuição de 82 balcões e 31 postos de serviço. Em 2020 apresentou um lucro de 7,3 milhões de euros, uma inversão face aos prejuízos de 40 milhões de euros registados em 2019. No ano passado, o rácio de solvabilidade (capacidade da entidade expressa pelos capitais próprios para o seu endividamento) situou-se em 16,6% acima do mínimo de 10% exigido pelo Banco Nacional de Angola.

Em declarações enviadas por email ao Negócios, em março de 2011, Nelson Carrinho, CEO do grupo, explicava assim a estratégia adotada. “Com a quebra das obras públicas e saída das principais empresas de construção de território angolano aplicamos todos os recursos do grupo na área do comércio alimentar, com um foco nos produtos da cesta básica. Hoje somos um dos principais grupos empresariais em volume de negócios e empregadores de Angola, continuando a praticar os princípios pelos quais fomos educados: trabalhar e reinvestir todos os recursos gerados na nossa atividade empresarial”.

A aquisição do BCI integrar-se-á nesta estratégia, embora subsistam questões para responder. Uma delas é a forma como o Grupo Carrinho irá pagar ao BCI, e, paralelamente, saber quais as instituições financeiras que suportam esta operação. A outra está relacionada com o desconhecimento dos resultados financeiros do grupo, os quais inviabilizam a possibilidade de avaliar a sua sustentabilidade.

Jornal de Negócios

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