António Guterres defendeu que seja garantido "que os países africanos se beneficiem primeiro e plenamente dos seus minerais críticos por meio de cadeias de valor e manufatura justas e sustentáveis, em linha com as recomendações do painel da ONU sobre Minerais Críticos para a Transição Energética".
"Basta de saque. Basta de exploração", afirmou, na 39.ª cimeira da União Africana, em Addis Abeba, num discurso em que insistiu na reforma do Conselho de Segurança da ONU, classificando como "indefensável" a ausência de África como membro permanente.
Guterres garantiu que "até ao último minuto" do seu mandato terá África como prioridade e depois disso, "onde estiver e o que esteja a fazer", esse continente estará sempre presente e falou em três grandes áreas de foco que marcaram o seu mandato e que são para a UA e as Nações Unidas continuarem.
Na ação climática realçou "a urgência de sistemas resilientes de água e saneamento num planeta em aquecimento", lembrou que África --- com 60% do melhor potencial solar do mundo --- "pode se tornar uma potência de energia limpa", mas recebe apenas 2% do investimento global em energia limpa.
Guterres pediu que os países desenvolvidos tripliquem o financiamento para adaptação, lembrando que África, sem contribuir quase nada para a crise climática é o que mais sofre.
"A adaptação deve ser uma prioridade", e também "a expansão dos sistemas de alerta precoce", alertou Guterres, e é preciso ampliar o Fundo de Perdas e Danos.
Noutro campo, o secretário-geral da ONU alertando para os conflitos persistentes no continente, afirmou que "na República Democrática do Congo, os compromissos devem ser cumpridos -- começando com um cessar-fogo imediato".
Na Somália, onde "o financiamento para a Missão de Apoio e Estabilização da UA é vital", lamentou a falta de consenso do Conselho de Segurança quanto ao financiamento e questionou: Se esta Missão não justificasse o apoio global, o que justificaria?".
No Sudão, apelou à cessação imediata das hostilidades e retomar das negociações para um cessar-fogo duradouro e a um processo político abrangente, inclusivo e liderado pelos sudaneses, e pediu como essenciais "esforços coordenados" em toda a África Ocidental e no Sahel, "para acabar com os ciclos de violência, terrorismo e deslocamento" de populações.
Guterres insistiu ainda no défice de financiamento anual que os países em desenvolvimento enfrentam e frisou que "a comunidade internacional também precisa de assumir as suas responsabilidades plenas para combater a lavagem de dinheiro, a evasão fiscal e os fluxos financeiros ilícitos".

