Quinta, 29 de Setembro de 2022
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Sexta, 08 Abril 2022 19:38

Organizações cívicas angolanas lamentam “falta de interesse do Governo” em acabar com greves

Organizações cívicas angolanas dizem-se preocupadas pela forma como o Governo encara os movimentos sociais, manifestações e as revindicações dos sindicatos, sobretudo com a greve dos médicos e professores, e lamenta a “falta de interesse na resolução dos problemas”.

As associações Justiça, Paz e Democracia (AJPD), Omunga e Rede Terra referiram hoje, numa nota, que as greves dos professores universitários e dos médicos angolanos persistem por “manifesta despreocupação das autoridades”.

As três organizações não-governamentais (ONG) angolanas consideram “despropositada e deplorável a atitude do executivo”, ao invés de “dar soluções aos graves problemas que enfermam os setores da saúde e ensino em Angola”.

“Quer à custa da força obrigar o regresso dos médicos às enfermarias, quando deveria dar solução às preocupações apresentadas pelos profissionais da saúde e da educação, pois foi por isso que terão sido eleitos para governar”, referem na nota.

Os médicos angolanos estão em greve desde 21 de março, após três meses de suspensão, reclamando o “incumprimento dos acordos assinados” com as autoridades para a melhoria das condições de trabalho, aumento salarial, pagamento de subsídios, segurança e outros.

O Governo angolano anunciou, em 30 de março, que vai suspender os salários dos médicos grevistas porque “cumpriu com os pontos do caderno reivindicativo” e não vai cruzar os braços porque “meia dúzia de médicos” entendeu paralisar há quase duas semanas.

Segundo a ministra da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, Teresa Dias, a suspensão dos salários dos médicos angolanos “tem fundamento legal” pelo facto de estes, à luz da lei da greve, estarem com o “vínculo jurídico-laboral suspenso” após declararem a greve.

Em resposta ao posicionamento das autoridades, os médicos em greve prometeram realizar um conjunto de manifestações nas 18 províncias angolanas, que tiveram início no sábado passado, por considerarem como uma “chantagem” a posição das autoridades.

Já em relação ao setor da educação, as aulas no ensino superior público retomaram na terça-feira, após o Sindicato Nacional dos Professores do Ensino Superior (Sinpes) angolano anunciar a suspensão por 30 dias da greve, que durava há três meses, admitindo retomar a paralisação caso as autoridades não aceitem a sua nova proposta salarial.

Aumento salarial, melhores condições laborais, pagamento da dívida pública e eleições dos corpos diretivos das instituições públicas do ensino superior constituem algumas das reivindicações dos professores universitários angolanos.

Para a AJPD, Omunga e da Rede Terra, outro elemento “revelador de falta de interesse ou manifesta despreocupação” na resolução das preocupações apresentadas pelas classes profissionais “é a tábua rasa que se faz à greve convocada há mais de 90 dias pelo Sinpes”.

As três ONG dizem não acreditar na construção de uma sociedade “desprovida de professores e médicos competentes” e exortam o executivo a “resolver os graves problemas que grassam” os dois setores.

Pedem “maiores investimentos” na área da pesquisa e investigação científica, responsabilizam o Estado angolano “por qualquer morte que venha ocorrer nos hospitais nesta fase da greve, sobretudo se a mesma resultar da ausência de médicos” e “condenam” a alegada coação dos líderes sindicais e associados.

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