Sexta, 18 de Junho de 2021
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Quarta, 14 Abril 2021 18:25

Há um país para além do MPLA, mas este tende a desaparecer dos ecrãs - Graça Campos

O jornalista angolano, Graça Campos, observou que, apesar da sua quase generalizada reverência à monarquia, os súbditos britânicos não acham que as suas vidas se esgotam na realeza.

De acordo com Campos, a morte do Príncipe Philip, marido da Rainha Elizabeth II, suscitou um intenso debate sobre a cobertura que a comunicação social faz ao acontecimento.

À título de exemplo, disse que a generalidade da grande imprensa, nomeadamente a BBC, estação de rádio e televisão pública, colocou todos os seus meios ao “serviço do óbito” real, tendo parte importante da sociedade se levantado contra essa opção da BBC.

Através de cartas, manifestos e outros meios, segundo o jornalista, uma parte da sociedade exige que a BBC não se “esgote” no acontecimento que abala o palácio real.

"Esses britânicos querem continuar a ouvir e ver nos canais radiofónicos e televisivos da BBC as outras faces do seu país. Querem continuar a ouvir noticiário internacional, ver novelas, enfim, reclamam a continuação da sua vida normal. De resto, embora a lamente, a morte do duque de Edimburgo não colocou o Reino Unido num estado de tristeza colectiva", observou um cidadão.

No último fim de semana, refere, a própria BBC reconheceu que tem recebido um Elevado número de reclamações pela sua cobertura melancólica e incessante da morte do duque de Edimburgo em não um, mas dois canais de TV e várias estações de rádio, “sacrificando” programas populares como a final da competição sobre culinária designada “MasterChef” e um capítulo importante da eterna novela “EastEnders”.

"Foi uma notícia triste que o príncipe Philip tenha morrido e eu entendo que a BBC deva noticiar o facto. Mas em todos os canais? Por que não colocá-lo em apenas um dos canais para aqueles que querem ouvir aquela baboseira? Assim o resto de nós poderia ter tido um pouco de música”, terá reclamado um britânico em carta que dirigiu à emissora pública.

País que desaparece dos ecrãs

Entre nós, segundo considerou Graça Campos, a TPA e a Zimbo, duas televisões sustentadas pelo erário, começam a “habituar-se” à ideia de que o país se esgota no MPLA.

Para este profissional de jornalismo, sempre que, por algum “pudor” ou outra razão qualquer, a TPA e a Zimbo dedicam à UNITA alguns segundos nos seus noticiários, o MPLA é compensado com intermináveis tempos de antena.

"Actividades de comités distritais e até mesmo comunais do MPLA são apresentadas pelas duas estações televisivas como se dissessem respeito ao todo nacional", avançou, acrescentando que, com a aproximação da campanha eleitoral, assuntos transversais ao país como a fome, desemprego, vacinação, cheias provocadas pelas chuvas e outros tenderão a perder espaço nas televisões e rádio públicas.

Por último, disse que há um país para além do MPLA, embora que este tende a desaparecer dos ecrãs.

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