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Sábado, 03 Janeiro 2026 11:00

Nimi a Simbi é acusado de violações e sem capacidade para liderar a FNLA

A FNLA abriu o “ano político” com a retoma da troca de acusações entre militantes e a direcção, após um número de membros divulgar, sexta-feira, uma “Declação Política”, em nome do Comité Central, na qual, além das já conhecidas acusações de violações dos estatutos, afirmam que o actual presidente do partido “não tem capacidade política para ser o cabeça de lista às Eleições Gerais de 2027”.

Em reacção às acusações, o actual líder da FNLA, Nimi a Simbi, pontualizou que tais acções estão a ser promovidas com base em princípios que estão fora dos mecanismos previstos nos Estatutos do partido, e que, perante as circunstâncias, o Congresso é o único órgão com capacidade legal e estatutária para tratar de matérias com tal âmbito e dimensão.

Na declaração política a que o Jornal de Angola teve acesso ontem, os membros do Comité Central da FNLA, reunidos no Complexo 15 de Março, em Luanda, provenientes de todas as províncias do país, manifestam profunda preocupação com o que consideram “uma grave violação estatutária praticada pelo presidente do partido”.

Assim, sublinharam estar em clara oposição a uma eventual candidatura de Nimi a Simbi como cabeça de lista da FNLA nas Eleições Gerais de 2027, alegando falta de capacidade política e de condições para liderar uma campanha eleitoral eficaz. No documento, os signatários anunciam, igualmente, a retirada da confiança política ao presidente do partido e defendem a criação de uma comissão com o objectivo de desencadear acções destinadas a “salvar a histórica FNLA”, reza a declaração.

Em conformidade, são enumerados, ainda, um conjunto de alegados atropelos cometidos por Nimi a Simbi ao longo dos últimos quatro anos de mandato, à luz da Constituição da República , da Lei dos Partidos Políticos e dos estatutos da FNLA.

Das violações, segundo o espírito da declaração, constam a inviabilização da V Sessão Ordinária do Comité Central, a usurpação de competências de órgãos centrais, o aprofundamento da divisão interna, o empobrecimento contínuo do partido, o desmantelamento das estruturas herdadas da direcção anterior e a violação sistemática dos direitos dos militantes.

Segundo o documento, o líder da FNLA, Nimi a Simbi, convocou “tempestivamente”, com anuência do Bureau Político, a V Sessão Ordinária do Comité Central para os dias 22 e 23 de Dezembro de 2025, tendo, sem motivos participados, decidido pelo adiamento da reunião de forma unilateral e premeditada.

Os signatários da declaração recordam que o Bureau Político, órgão estatutariamente competente para a preparação das reuniões do Comité Central, reuniu, ordinária e extraordinariamente, nos dias 26 de Setembro, 14 de Novembro e 16 de Dezembro de 2025. No entanto, “as reuniões foram convocadas pelo próprio presidente do partido”, indica o documento.

Refere, ainda, que, com base neste quadro, definiu-se a data da V Sessão Ordinária do Comité Central, sendo, igualmente, determinada a realização de uma reunião extraordinária do Bureau Político para a elaboração da proposta da agenda de trabalhos.

De acordo com os signatários, três dias após a reunião do Bureau Político, primeiro, e três dias antes da data prevista para a realização do Comité Central, em segundo lugar, o presidente da FNLA emitiu e divulgou, através das redes sociais, o despacho n.º 0024/GP-FNLA/2025, que adiava a sessão, sem consulta prévia ao órgão que o mandatara para a convocação, nomeadamente o Bureau Político.

No mesmo dia, foi igualmente divulgado o despacho n.º 0025/GP-FNLA/2025, que concedia férias colectivas a todo o partido, invocando normas consideradas inexistentes nos documentos orientadores da FNLA.

Nimi a Simbi rejeita acusações e fala em violação dos estatutos
O presidente da FNLA, que falava recentemente à Rádio Nacional de Angola, condenou a intenção de o destituírem, afirmando, em sua defesa, que “tais acções estão a ser promovidas com base em princípios que estão fora dos mecanismos previstos nos Estatutos do partido”.

Nimi a Simbi sublinhou, a propósito, que apenas o Congresso é o órgão soberano para a definição das grandes linhas políticas da FNLA. Acrescentou que encontros realizados à margem das estruturas oficiais “não têm legitimidade para tomar decisões que afectem directamente a vida interna do partido”.

O Congresso, reiterou, deve ser precedido da realização de uma reunião do Comité Central, cuja convocatória, segundo fez saber, será feita nos próximos dias. Sem citar nomes, o líder da FNLA denunciou aquilo que considera manobras internas destinadas a fragilizar a liderança e a aprofundar divisões num partido historicamente marcado por lutas, sacrifícios e contributos relevantes para a libertação do povo angolano.

Na ocasião, Nimi a Simbi ressaltou que todas as questões internas devem ser discutidas no Congresso, e nunca em reuniões paralelas, sem respaldo estatutário.

Dificuldades financeiras
Relativamente à situação financeira da FNLA, Nimi a Simbi reconheceu que a escassez de recursos continua a condicionar o normal funcionamento do partido. Explicou, assim, que o orçamento anual é de 60 milhões de kwanzas, sendo disponibilizado, trimestralmente, apenas um quarto desse valor, o que corresponde a 15 milhões.

“Dividindo esse montante pelos três meses, temos cerca de cinco milhões de kwanzas por mês, o que torna extremamente difícil gerir uma instituição com a dimensão da FNLA”, frisou Nimi a Simbi. JA

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