Quarta, 18 de Fevereiro de 2026
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Quarta, 18 Fevereiro 2026 10:21

Jornalista em Angola foi alvo de espionagem com sistema 'predator' - ONG

O jornalista angolano Teixeira Cândido foi o primeiro caso confirmado de espionagem com recurso ao 'predator' em Angola, o que representa um "atentado absoluto ao direito à privacidade", declarou à Lusa fonte da Amnistia Internacional.

O 'predator' é um sistema de 'spyware (de espionagem) que é altamente intrusivo. É usado exclusivamente em telemóveis e é desenvolvido e vendido pela Intellexa, que é uma empresa que está ligada a diferentes países, nomeadamente na Europa, contextualizou à Lusa a autora da investigação "Angola: Jornalista proeminente atacado com o 'spyware' 'Predator", Carolina Rocha da Silva.

Segundo a gestora de operações do laboratório de segurança da Amnistia Internacional (Al), este sistema "obtém acesso total a todos os dados armazenados ou transmitidos a partir do telefone que foi infetado", nomeadamente microfone e câmara.

A infeção pode acontecer de duas formas: através do 'clique' de um 'link' ou por se aceder a uma rede que redireciona para um 'site' que não dá a perceber, à primeira vista, que é um 'spyware', explicou.

Neste caso em especifico, o jornalista angolano Teixeira Cândido acedeu, em 2024, a um 'link' que recebeu, indicou.

Estes casos são de difícil deteção, por isso só foram identificados casos em quatro países no mundo: Angola, Egipto, Grécia e Paquistão.

A Amnistia Internacional detetou este caso em Angola, pois acompanham as operações do 'predator' desde 2021 e encontraram muitos 'links' maliciosos pertencentes a 'sites' legítimos associados ao país lusófono africano, nomeadamente o Jornal de Angola e a companhia aérea angolana TAAG, contextualizou.

Posteriormente, em 2025, a Organização Não-Governamental (ONG) começou a colaborar com as organizações Friends of Angola (Amigos de Angola) e Front Line Defenders (Defensores na Linha da Frente) no país para "identificar defensores de direitos humanos, analistas e ativistas que pudessem estar em risco de ataque", acrescentou a investigadora.

Foi assim que identificaram o ataque ao jornalista, que é ex-secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA).

Este foi o primeiro uso de 'spyware' rastreado em Angola, cuja origem não conseguiram atribuir, frisou.

A especialista indicou que, por norma, este recurso malicioso tem sido usado por meios governamentais e que está a ser usado em Angola, pelo menos desde o início de 2023, contra a sociedade civil, em particular jornalistas e opositores do regime.

"É um atentado absoluto ao direito à privacidade e à liberdade de expressão, que tem imensas repercussões", lamentou.

Além de ser visado com 'spyware', Teixeira Cândido tem sido alvo de vários ataques e intimidação desde 2022, incluindo assaltos inexplicáveis ao seu escritório, referiu a Amnistia Internacional num comunicado.

Para que se evitem ataques deste género de espionagem, a autora desta investigação sugeriu que se tenha atenção à legitimidade dos 'sites' e que se mantenham o 'software' dos telemóveis atualizado.

A ONG tentou contactar a Intellexa, mas não obteve resposta, concluiu.

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