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Segunda, 16 Janeiro 2023 11:44

Deputado da UNITA diz que não esteve embriagado durante acidente e denuncia aproveitamento político do caso

Na tarde do dia 14 de janeiro, o Deputado Manuel Sampaio Mucanda, ao volante de uma viatura de marca Toyota, modelo Hilux, embateu na parte traseira de um motocíclo, vulgo Caleluya, cujo embate provocou o capotamento do motocíclo, a projecção dos seus ocupantes para o solo, causando-lhes ferimentos, soube Angola24Horas.

Em nota de imprensa enviada à nossa redacção esta segunda-feira, o Comando Provincial da Polícia na Huíla, disse ter tomado conhecimento, através das redes sociais, de um texto assinado pelo Deputado Sampaio Mucanda, relacionado com o acidente de viação em que esteve envolvido, onde este alega ter sido vítima de chantagem e ofensas por parte dos polícias que intervieram no referido sinistro, justificando ter sido esta a razão para não colaborar com as autoridades durante o procedimento inicial.

Sobre o assunto e as alegações do Deputado Mucanda a polícia esclareceu que foram chamados ao local, cerca de trinta minutos depois do acidente, os agentes da Polícia encontrando apenas os feridos, que os informaram que o condutor do outro veículo havia continuado a sua marcha em direcção ao município do Lubango, sem lhes prestar qualquer socorro. “Pelo seu estado, os agentes transportaram os feridos para o Hospital Central do Lubango com ajuda da ambulância”.

Refere também que, ao passar pelo posto policial do Toco, o Deputado Sampaio Mucanda foi abordado, tendo nesta altura apresentado a sua identificação, e, pela sua condição de Deputado da República, foi conduzido ao Departamento de Investigação e Ilícitos Penais, e não ao piquete, por se entender que naquelas instalações policiais havia a necessária discrição para a realização dos procedimentos cabíveis em caso de acidentes rodoviários.

Na ocasião, foi convidado a submeter-se ao teste de alcoolemia, procedimento obrigatório em caso de acidentes de viação, tendo o Deputado Sampaio Mucanda se recusado, alegando apenas fazê-lo na presença do seu advogado, que, entretanto, nunca chegou a aparecer.

“Uma vez que não se ultrapassava o impasse e tendo em conta que, nos termos da Constituição da República, ninguém pode ser obrigado a prestar provas contra si próprio, o Senhor Deputado foi escoltado pela Polícia até uma residência que indicou, onde foi deixado em segurança; Às primeiras horas da manhã do dia 15.01, foi o Senhor Deputado Sampaio Mucanda contactado, por telefone, pelo Comandante Provincial da Polícia na Huila, o Comissário Divaldo Martins, a quem alegou ter sido vítima de chantagem por parte dos polícias que o interpelaram no Toco, sem ter esclarecido em que termos”, conforme se lê no documento.

Neste dia e, durante a conversa, o Comandante Provincial esclareceu ao Deputado que além de os sinistrados terem informado aos polícias que o mesmo havia descido da viatura com uma garrafa de cerveja e testemunhas terem alegado que apresentava indícios de embriaguez, o teste de alcoolémia é realizado a todos os intervenientes em acidentes e que ao recusar-se faz pender sobre si uma presunção de condução sob efeito de álcool, que será resolvida em tribunal.

“Na mesma altura, o Comandante aproveitou para aconselhar o Senhor Deputado a contactar a família dos feridos, no sentido de se predispor a prestar algum apoio, contacto que foi feito com intermediação da polícia”, esclareceu a polícia.

Contactado pelo Angola24Horas, no sentido de apurar a veracidade dos factos e seu desenrolar, Mucanda enviou uma nota informativa em que confirma o acidente que ocorreu na comuna do Hoque, numa altura em que este saía de Luanda para Namibe passando por Lubango. Sampaio Mucanda explica que, no troço entre Cacula e Lubango, local do acidente, o motoqueiro que conduzia um Kaleluia encontrava-se estacionado à beira da estrada na mesma faixa de rodagem, tendo de repente se acedido à estrada. “E porque adiante teve um buraco, travou a Kaleluia, tentei imobilizar o carro sem sucesso e choquei na traseira da Kaleluia”, conforme o Deputado.

“O carro que conduzia teve danos alguns e a Kaleluia também danificou a parte de trás. Os ocupantes da Kaleluia tiveram alguns feridos, foram levados ao hospital, felizmente todos já tiveram alta, quanto a mim não sofri nenhum ferimento”, confirmou ainda, acrescentando que depois de ocorrido o acidente ficou no local durante alguns minutos, mas depois foi aconselhado a ir para uma esquadra mais próxima para evitar riscos de ser agredido pelas populações e a viatura ser danificada completamente, tendo percorrido uns 3 Kms até se deparar com agentes da Polícia que o levaram à esquadra policial.

Confira:

Após ter prestado a declaração à esquadra policial, o Comandante da Polícia do Hoque deu-me dois efectivos para assegurar-me até ao Lubango. Posto no Lubango encontramos com Comandante Municipal do Trânsito do Lubango com um efectivo, juntos fomos à uma Unidade Policial a fim de fazer o teste, porque informaram-me que no local foi encontrado uma garrafa de cerveja. Ora o meu carro não capotou e tudo que havia levado estava dentro do carro e nem consumi o álcool conforme as informações que estão a circular nas redes sociais.

Com a informação que me foi passada da existência da garrafa de cerveja no local do acidente, senti-me inseguro pensando que me seria atribuído um resultado que não condiz com a realidade, pois naquela esquadra só estávamos os três. Então pedi ao Comandante Municipal do Trânsito para que fôssemos ao Comando Provincial para fazer teste diante do Comandante Provincial da Polícia na Huíla e chamaria rapidamente um advogado para presenciar o teste.

Infelizmente o Comandante Municipal do Trânsito não aceitou o meu pedido. Portanto em nenhum momento neguei fazer o teste, apenas solicitei que fosse diante do Sr. Comandante da Polícia e se possível na presença do advogado.

Quando saímos da esquadra liguei várias vezes ao Sr. Comandante Provincial da Polícia, o telefone chamava mais infelizmente não atendia o telemóvel, porém ontem de madrugada, isto é, às 4h47 é quando o Sr. Comandante Provincial enviou-me mensagem dizendo: "Boa noite, Sr. Deputado. Encontrei duas chamadas suas, estou a retornar mas o vosso número parece estar ocupado. Estarei ao vosso dispor assim que estiver disponível. Respeitosamente." Logo que amanheceu liguei novamente ao Sr. Comandante da Polícia e reportei tudo que havia acontecido e informar que estava disposto a fazer teste diante do Sr. Comandante Provincial, porém não tive sucesso.

Em nenhum momento houve tentativas de fuga da minha parte, pois estava sendo assegurado desde o local do acidente até à casa onde passei a noite. Não afrontei nem desafiei as autoridades policiais, aliás, desde o dia do acidente até estamos a conversar amigavelmente.

Ontem (domingo) muito cedo encontrei-me com as vítimas do acidente e suas famílias, comprometi-me diante de todos assumir todas as despesas com a assistência médica e medicamentosa, pagar os produtos que haviam na Kaleluia e reparar ou comprar uma nova Kaleluia. Assinou-se o documento, os familiares das vítimas ficaram com uma cópia, o original ficou no Comando da Polícia do Hoque e eu também fiquei com uma cópia. Ainda ontem já dei algum apoio para a assistência médica e medicamentosa. Portanto em nenhum momento pensaria em por-me em fuga nem tão pouco furtar-me da responsabilidade que recai sobre mim.

Outrossim, em nenhum momento à Polícia ou uma outra pessoa obrigou-me a solidarizar-se com as vítimas. Foi decisão própria consciente da responsabilidade que devo assumir neste acontecimento.

Lamento bastante do aproveitamento político que está se fazendo do acto involuntário que ocorreu comigo que amanhã pode acontecer com outra pessoa.

 

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