2026 surge como mais um capítulo previsível na história política angolana: o chamado ano do carinho. Um ano que antecede as eleições gerais e que, como manda a tradição, transforma políticos outrora distantes em figuras mansas, sorridentes e aparentemente preocupadas com o sofrimento do povo.
O crime do meu camarada Paka, foi não ter-se vergado nem se ajoelhado em obediência aos caprichos do Senhor ordens superiores.
Nos últimos tempos, Angola tem sido palco de acontecimentos inquietantes que revelam uma perigosa erosão da confiança dos cidadãos nas instituições de justiça. Multiplicam-se relatos de crimes cujos autores são indivíduos que, paradoxalmente, deveriam garantir a protecção da população, agentes ligados aos órgãos judiciais, ao Ministério do Interior e ao Ministério da Defesa.
Um país não se destroi apenas com guerras. Destroi-se quando a lei se vende, quando a autoridade se prostitui, e quando a impunidade se transforma em rotina.
O que deixo aqui escrito, hoje, e mais dirigido à juventude angolana, interessada em aprofundar-se sobre alguns factos do passado, vem a propósito dos interessantes e desconcertantes comentários feitos a uma foto em que me encontro ao lado do jovem e popular político da UNITA, deputado Nelito Ekuikui.
Nota prévia: Estávamos no rescaldo das eleições realizadas a 23 de Agosto de 2017, e dois dias antes da posse do terceiro Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, a 26 de Setembro, produzi e partilhei uma edição do Kesongo em PDF, com a minha reflexão sobre o percurso feito por Angola na gestão do Presidente José Eduardo dos Santos, até essa transferência do poder tão ansiada.
O Orçamento Geral do Estado investe grandes recursos no Executivo, que propõe as leis; no Parlamento, que as discute e aprova; e no Judiciário, que fiscaliza e garante o seu cumprimento.
Pessoas colectivas nacionais ligadas ao regime, também criaram empresas “estrangeiras”, como se de investidores estrangeiros se tratasse, assim como parte do dinheiro conseguido pelas empresas alavancadas pelo Estado, serviu para abrirem sucursais no exterior.