Sexta, 10 de Abril de 2026
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Há expressões que, de tanto repetidas, perdem densidade e tornam-se ornamentos vazios. “Amicus de veritas sed”, ser amigo da verdade é uma delas. No plano ideal, remete a um compromisso ético inegociável, no plano real, sobretudo na arena política angolana, soa cada vez mais como um artifício discursivo, invocado não para afirmar a verdade, mas para legitimá-la, ainda que seja construída, distorcida ou conveniente.

No teatro do absurdo, Angola demonstra possuir uma performance invejável, assente numa lógica de distorção da realidade, onde se tenta alterar, de forma irresponsável, o estado real de fome e miséria extrema que persiste no país. A vaidade e a incompetência têm sido as duas faces da mesma moeda predominante no aparelho do Estado.

Até hoje, não consigo compreender por que razão a cantora Noite e Dia ingressou na Polícia. Trata-se de um talento nato, que arrasta multidões — uma verdadeira “máquina” de gerar receitas, com um público sólido a nível nacional e internacional, composto maioritariamente por jovens e crianças, o que garante a sustentabilidade da sua carreira e da sua fonte de rendimento.

Sexta, 03 Abril 2026 12:32

Os heróis silenciados de Angola

Há homens e mulheres que não carregam armas, não lideram exércitos, não têm tanques nem proteções institucionais. Ainda assim, são tratados como perigosos. O seu “crime”? Falar. Questionar. Denunciar. Sonhar em voz alta com um país melhor.

Antes de discutir quem sucederá a João Lourenço, impõe-se uma pergunta mais incómoda: que país deixará o presidente no fim do seu segundo e último mandato?

A Unidade de Gestão da Dívida Pública divulgou no site do Ministério das Finanças a informação segundo a qual Angola regressou, esta terça-feira, 24 de março, aos mercados financeiros internacionais, com uma emissão de 2,5 mil milhões de dólares.

A Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), um dos pilares históricos da luta de libertação nacional, enfrenta hoje um dos momentos mais delicados da sua existência política. Entre o peso do seu passado e as exigências do presente, o partido vê-se confrontado com uma realidade incontornável: ou se renova, ou arrisca-se a cair na irrelevância.

Dizem os antigos que o poder é como vinho forte: embriaga primeiro, revela depois. E quando a lucidez regressa, já é tarde. João Lourenço parece ter entrado nesse momento delicado, onde o tempo político deixa de contar horas e passa a medir destinos. Cada decisão pesa mais, cada silêncio diz mais, e cada tic-tac do calendário soa a despedida.

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