Terça, 21 de Março de 2023
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Sábado, 04 Fevereiro 2023 18:40

O Suposto racismo nos salários entre angolanos e expatriados

A diferença salarial entre angolanos e expatriados é tida como uma prova do racismo em Angola, que favorece expatriados brancos, mas como em vários casos é apenas um atalho mental pela xenofobia que ignora os factos relevantes da questão.

Afinal existem vários motivos legítimos para que um expatriado receba um salário maior do que um angolano além do racismo de brancos contra negros, aliás os proponentes desta ideia não param para pensar que a mesma diferença salarial existe entre os expatriados de todas as outras raças e continentes e os angolanos. Nem sempre se faz acusações de racismo às vezes se apela simplesmente ao princípio da igualdade em que pessoas que fazem trabalho igual deveriam ter salário igual.

As razões legítimas para a diferença salarial entre angolanos e estrangeiros são a primeira alternativa disponível para expatriado, o custo da condição de expatriado, e a concorrência entre trabalhadores.

Primeiro, quando uma empresa quer contratar um trabalhador expatriado este tem a opção de trabalhar no seu país de origem ou de trabalhar em Angola, ou seja, a empresa tem de pagar no mínimo o salário que este trabalhador iria receber no seu país de origem para funções similares ou para empregos facilmente adquiríveis ou ainda mais um valor superior aos subsídios sociais disponíveis. Sendo que o custo de vida destes países é superior ao de Angola é razoável que o salário inicial e hoje está criado seja a princípio superior ao angolano. O salário básico do angolano é definido pela concorrência com os outros trabalhadores disponíveis e pela sua produtividade.

O segundo fator que influencia sobre o valor da remuneração são os custos da condição de expatriado, como o isolamento longe do seu familiar e social, ausência de condições de vida equivalentes ao seu país de origem e que só podem ser reproduzidas em Angola com custos elevados de alojamento, entretimento e transporte, riscos de saúde e insegurança também devem ser compensada. Enquanto o angolano já estando habituado às condições de vida do seu país não tem necessidade de compensar por estes fatores.

 O terceiro e último factor é a concorrência pela mão de obra expatriada, em um mercado de trabalho que inclui não só o país de origem como os diferentes países em que recorrem a esta mão de obra expatriada.

Por exemplo no setor dos Petróleos, um Sondador (driller) sénior de nacionalidade Canadiana tem opção de trabalhar no seu país e receber um salário anual de 100.000 USD, salário definido por causa do curso de vida no Canadá, concorrência entre trabalhadores pelos postos de trabalho e a produtividade do setor petrolífero no Canadá. A próxima opção disponível para este sondador é de trabalhar na Arábia Saudita em que o salário anual é de 140.000 USD. sendo que qualquer proposta de emprego em Angola deverá no mínimo ser superior às 2 opções disponíveis e compensar o trabalhador pelo isolamento e o risco inerente à permanência em Angola. Nenhum desses fatores e raciais ou movido pelo racismo são fatores económicos racionais.

Sim pode existir uma preferência nacional, porem se as pessoas reclamam facilmente contra esta em empresas petrolíferas Europeias, pouco de reclama quando é pratica para postos de trabalhos mau remunerados em empresas Indianas ou Chinesas.

De um modo um pouco irónico às dificuldades inerentes ao trabalho expatriado foram reconhecidas pelo governo angolano em relação aos funcionários públicos que são colocados a trabalhar em zonas remotas, que devem receber um subsídio de 30% de seu salario base para compensar a “ausência bens e serviços essenciais ”, do ponto de vista de Luanda do mesmo jeito que é para o expatriado do ponto de vista de seu pais, e o isolamento longe do seio familiar, alem de prever auxilio para mobilidade do conjugue, mesmo que o seja apenas por união de facto. Este novo benefício irá certamente alimentar novos conflitos na administração pública entre os provincianos e os de Luanda, aqui seriam “privilegiados apenas por ser de Luanda” quando os motivos destes subsídios são simplesmente económicos.

Por Roboredo Garcia

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