Sábado, 26 de Novembro de 2022
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Quinta, 29 Setembro 2022 00:25

A Terceira Via — Um Novo Movimento Político

Uma das conclusões extraídas das últimas eleições é que as duas principais formações políticas do sistema político angolano, o MPLA e a UNITA, estão “politicamente esgotadas”.  O MPLA, pelo desgaste inerente ao longo e problemático consulado (no poder), e a UNITA, pela incapacidade de concretizar a alternância política, pois, para desilusão de muitos angolanos, também não resultou em mudança de poder a “fórmula gregária UNITA/FPU” que experimentaram como se fosse “a última tábua de salvação”.

Por Lazarino Poulson

A outra conclusão é referente as demais formações políticas— no seu conjunto representam muito pouco (cerca de 3% do eleitorado) e não possuem vitalidade nem dão sinais de progressão para fazer nascer à Terceira Via. Entenda-se Terceira Via a formação política (partido político ou coligação de partidos) com possibilidade real de ascensão ao poder.

Aqui trazidos, coloca-se a questão de saber se é possível emergir em Angola uma Terceira Via? Ou Questionado de outro modo, que atributos deve ter uma Terceira Via em Angola?

A Terceira Via em Angola deve ter, essencialmente, as seguintes características:

1 - Movimento (formação política) integrado e liderado, essencialmente, por jovens (abaixo dos 60 anos). Essa “exigência” é política e não estatutária.

2 - Ter capacidade financeira para, dentre outras, sustentar estruturas administrativas a nível nacional e na diáspora.

3 - A estrutura directiva não deve ser formada por ex-dirigentes dos dois grandes partidos políticos existentes.

4 -Os ex-dirigentes dos dois grandes partidos que a integrarem, até a conquista do poder, só podem fazer parte das estruturas de base e não devem ocupar os lugares elegíveis na lista de Deputados à Assembleia Nacional. Essa “exigência” é política e não estatutária.

5 -. Possuir um programa inovador e virado para o futuro.

6 - Deve apresentar um discurso claro e apelativo, devendo, contudo, actuar na base do efeito surpresa.

7 - Ter capacidade de mobilização progressiva e de diálogo inclusivo.

viu. Possuir desenvoltura diplomática e de conexão com a diáspora.

8 - Dominar as novas tecnologias para efeitos de organização, funcionamento, divulgação e de mobilização.

9 - Ter capacidade de penetração e integração cultural.

A Terceira Via será o divisor de águas entre o antigo e novo. Provocará o rompimento definitivo com a clássica escola da política angolana seguida até aqui pelos partidos tradicionais e pelos seus apêndices e dissidentes.

A Terceira Via vai inaugurar uma nova forma de fazer e de estar política.

Em boa verdade, na política nacional estamos diante daquilo que Milan Kundera apelidou de “insustentável leveza do ser”. Assim, a Terceira Via é a resposta à elevada abstenção eleitoral que “denuncia” o enorme desencanto que grande parte da população angolana tem das actuais forças políticas e reclama por um projecto novo capaz de superar a dúvida shakespeariana — “de ser ou não ser a solução política” dos problemas actuais e com estratégia e energia para projectar e materializar um amanhã melhor?

A Terceira Via, felizmente, não responde com Sócrates — sabe-se que a benfazeja está a caminho. Até lá, alea jact est…

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