Sábado, 26 de Novembro de 2022
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Segunda, 19 Setembro 2022 21:05

Administração do Estado: política, diplomacia e estratégias

Em política o verdadeiro político é aquele que sabe dominar os parâmetros estratégicos em direcção ao poder para uma melhor Administração do Estado, mas estes parâmetros devem ser bem elaborados tanto no início, durante o percurso e no desfecho de todo o processo, ler os sinais dos tempos, entender os fenómenos sociais, convencer o público a seguir os teus ideais, propósitos, programas de governação, ter competência e capacidade suficiente em todos os sentidos e âmbitos para no fim se puder mostrar resultados, é assim que funciona a política, é feita de resultados.

Realmente o que é a política? A política tem haver com organização do Estado; é gestão institucional; é administração pública; é estratégia; é diplomacia; é dinâmica do Poder; é defesa e segurança da própria soberania Nacional; é inteligência e contra inteligência; é prudência; é projectação e programação dos interesses nacionais; política é economia e economia é política; política é desenvolvimento social; é empregabilidade; é cultura; é cooperação, mas tudo isso dentro dos mecanismos e parâmetros dos jogos de interesses de um governo ou organização regional, internacional e transnacional.

Não existe moralidade nem ética no «Realismo Político» apenas interesses e conveniências, a política não tem nada haver com certo ou errado, justo ou injusto, quando um político dá de comer ao seu povo ele o faz não por ser boa ou má pessoa, ele o faz não por ser misericordioso, solidário ou humilde, o faz porque esta é a função de um político: dar educação ao povo, colocar saneamento básico nos bairros e nas cidades, melhorar as condições sociais, reforçar o exército e os serviços de segurança em prol da protecção e integridade do Estado e dos seus cidadãos, isso não tem nada haver com ética ou com justiça, tem haver com a natureza da própria política em si nas suas mais profundas variedades e complexidades.

É finalidade da política organizar o Estado e esta organização é feita de muitos factores, factores estes que exigem maior racionalidade e visão estratégica da parte de quem governa, nada disso refere-se à moralidade como tal, muito menos à ética, mas sim para aquilo que deve ser feito e ponto final. Porquê que o peixe assim como outros animais marinhos sabem nadar? Porque esta é a sua natureza; as aves do céu porquê que sabem voar? Porquê que têm de voar? É obrigatório eles voarem? Não se trata de obrigação ou votande de voar, voam porque esta é a natureza deles, voam porque devem voar, querendo como não devem voar, e a natureza da política (poder político) é de Administrar o Estado apoiando-se prevalentemente na economia, na diplomacia, nas estratégias de cooperação, nos órgãos de segurança, etc.

Uma outra coisa que a maior parte dos cidadãos comuns não entendem (incluindo muitos políticos, militantes e simpatizantes dos partidos políticos) é a questão do poder por via das eleições (voto popular, manifestação democrática através das urnas). O voto é sim um Direito constitucional (ordenamento jurídico interno) é ao mesmo tempo um Direito internacional (convenções, tratados e protocolos) mas somente o exercício do voto em si não faz com que um candidato vença às eleições, sejam elas eleições legislativas regionais ou estaduais, eleições governamentais, muito menos eleições presidenciais, em nenhuma parte do Mundo (não importa o sistema político ou forma de governo) um político jamais chega ao poder dependendo simplesmente dos votos dos cidadãos porque o voto (eleições) é apenas uma parte de todo o processo político, se chega ao poder colocando em acção uma série de elementos estratégicos, somente o voto do povo não coloca ninguém no poder, apenas em situações excepcionais, como por exemplo em casos de revoltas populares, mesmo as revoluções populares não fazem-se de qualquer maneira, isto requer preparação, requer financiamento, as revoltas sociais são comandadas sempre por alguém a partir das sombras (bastidores), nenhum povo acorda da noite por dia e decide fazer revolução para tirar alguém do poder, isto não existe, requer engenharia e estratégias, é algo que se planeja com cuidado e racionalidade (inteligência) por pessoas ou grupos que têm vários interesses de Estado.

Em base os princípios da Teoria do "Realismo Político" a dinâmica para se chegar ao Poder é mais complexa do que podemos imaginar, requer tecnocracia política, estratégias eficientes, lobby e tráfico de influências de mais alto nível, tanto a nível interno quanto a nível externo. Como dizem os Elitistas "o poder conquista-se nos bastidores", tudo é feito e trabalhado a partir dos bastidores, o bastidor é uma das faces invisíveis do poder, ali tu encontras potenciais financiadores para a tua campanha político-eleitoral; ali tu encontras várias organizações secretas poderosas com interesses na sua eleição; ali tu encontras instituições nacionais e internacionais que possam legitimar a tua posição política na hora H; ali tu traças junto com outras forças políticas, sociedade civil e figuras anónimas os teus projectos e programa de governo; é nos bastidores onde verdadeiramente tudo acontece, absolutamente tudo.

Assim como todas as coisas nada é perfeito, tudo vai depender também de como farás as coisas dentro desses mesmos bastidores porque o bastidor é um espaço complexo, sombrio e invisível, os mesmos que te apoiam são os mesmos que apoiam também outros candidatos. Os banqueiros internacionais, os grupos de interesses e de poderes apoiam todos os lados para no final não perderem nada, é assim que funciona o realismo político, aqui não tem espaço para a moralidade, valem apenas os interesses, sendo assim, um candidato terá de ser duas vezes mais estratega em relação aos seus principais adversários ou concorrentes, caso o contrário jamais chegará ao poder.

Em verdade vos digo: um político racional e em plena sã consciência sabe muito bem que é uma autêntica ilusão/fantasia pensar que simplesmente através do voto pode conquistar o Poder de Estado, a política tem regras próprias, a política é um jogo, se ficas distraído perdes o jogo, é tipo seres um defesa central de uma equipa de futebol e veres na tua frente o Messi, Cristiano Ronaldo ou mesmo o Mbappé se ficares a olhar na cara dele em vez de dominares os dribles dele para tirá-lo a bola quando perceberes ele já te passou e a bola terminará no fundo das redes porque se te passa o guarda redes infelizmente não poderá fazer nada, Messi não perdoa nenhum guarda redes, assim é a política, tu deves estar atento e focado o tempo todo, distração pode significar o teu fim.

O cidadão comum e todos aqueles sem conhecimento político ou sem preparação política profunda no final acabam por se decepcionar porque não entendem como a política realmente funciona, se decepcionam porque o seu candidato não conseguiu atingir os objectivos traçados, nesta senda rapidamente muitos começam a criticá-lo, e é muito normal seguidores e apoiadores criticarem os seus respectivos candidatos ou àqueles que pensavam que talvez fossem vencer às eleições, mas os cidadãos devem procurar saber e entender que a política é mesmo assim: uns vencem e outros perdem. O teu candidato durante às campanhas eleitorais jamais te dirá que perderá às eleições, ele deve mesmo dizer que vencerá às eleições, é normal que ele diga isto, em política um candidato deve passar confiança aos seus eleitores, militantes, simpatizantes e amigos do partido, ele deve transmitir mensagens de que as suas estratégias estão montadas rumo a vitória, ele jamais deve mostrar fraqueza, é tipo um general, jamais deve abandonar os seus militares na frente do combate porque se ele recuar a tropa, os soldados, o exército ficarão todos desmoralizados (psicologia militar, psicologia da guerra) se isto acontece, nessa hora tudo cai por terra, tal igual funcionam os políticos, eles jamais te dirão o que realmente pensam, te dirão simplesmente aquilo que tu precisas ouvir para te manter sereno, tranquilo e confiante nele, esta é a natureza de todo e qualquer político, mesmo se ele perder dificilmente admitirá de forma explícita o seu fracasso porque um político é um apostador nato, é tipo jogar na loteria podes vencer ou perder, assim é o político, assim é a política, ele precisa te manter sempre calmo para quando precisar novamente de ti tu lá poderás estar para apoiá-lo e gritar por Ele.

Os Elitistas dizem que "o verdadeiro poder é o poder invisível, por detrás de todo e qualquer governo existe um poder invisível", é este poder que realmente dirige um governo (Estado). Dizem também que, somente uma Elite qualificada e influente tem capacidade e instrumentos necessários para chegar ao poder e organizar uma sociedade. Portanto o poder de Estado não é algo que se consegue assim do nada, requer conhecimento estratégico, apoio econômico-financeiro, lobby de todo tipo, apoio crucial político-social, apoio das organizações civis, apoio das organizações secretas, etc.

Quanto mais apoio vindo de todas as direcções tiveres melhor será tua a posição ou posição de quem almeja o poder, não basta teres apoio vindo de um lado, precisas também ter apoio vindo de outro lado, e quando as tuas estratégias atingirem mais ou menos um percentual entre os 60 a 70% de vantagem, então, a tua possibilidade de chegar ao poder é maior, mas é necessário que se faça sempre muita atenção porque a política não é tipo matemática ou física onde 1+1=2, tu podes estar em vantagem (80-90%) em relação aos teus principais oponentes mas se num dado momento te descontrolares o jogo pode mudar e no final tu podes perder as eleições ou o poder, o discuído em política é completamente proíbido, isso de dizer que todos têm direito há uma segunda oportunidade este princípio não conta muito em política, vale noutros âmbitos mas em política este princípio é perigoso demais, com isso quero dizer que, um candidato ou líder deve estar sempre em alerta total, deve estar atento 24/24 horas, deve estar firme à todo segundo, minuto e hora em termos de estratégias e tráfico de influência, o poder tem regras próprias, o poder é complexo, se não souberes jogar perdes o poder, o poder não é amigo de ninguém, é amigo apenas de si mesmo, é o poder quem determina as coisas, o poder é o comandante de si mesmo.

Aqui a que se ter em conta também a importância da diplomacia, esta sendo a arte da negociação é ainda a melhor via para se resolver os problemas, é a melhor forma para se chegar há um acordo perante à diferentes complexidades, crises, caos, tensões ou conflitos, sobretudo quando se trata do poder de Estado, o desentendimento e as controvérsias entre forças internas ou entre Estados ou organizações internacionais devem ser resolvidas através do diálogo, através de concessões, através de pactos vinculativos e garantias de estabilidade em prol da Administração do Estado e do povo em geral, só desse jeito será possível traçar projectos e programas para o crescimento e desenvolvimento do Estado, isso passa também pelo reforçamento e organização das instituições estatais e pelo respeito dos mesmos de modo a proporcionar bom funcionamento público-social em prol de toda a Nação.

O Poder de Estado é o Poder mais importante entre todos os poderes dentro da Administração do Estado. Mas o que é o Poder? No concreto é impossível definir o poder, mas na óptica do Estado o Poder é a faculdade de traçar, elaborar e executar Programas de Políticas Públicas e Projectos de Governação, é a implementação de mecanismos estratégicos tendo em conta os interesses nacionais, o Poder é o que move verdadeiramente um Governo e o governo deve fazer o uso do poder tendo como objectivo a garantia dos resultados no dia-à-dia social de todo o Estado. Em Política contam os resultados, um Político estratega apenas se importa com os resultados, não tanto com aquilo que acontece no percurso mas sim com aquilo que pode acontecer no fim, portanto, a Política é um "mar aberto" tem espaço pra todos (pluralismo político democrático) mas somente os visionários e estrategas conseguem alcançar os seus objectivos e interesses de Estado.

Um político deve sim mostrar resultados, os discursos políticos devem ser sempre racionalizados e feitos de forma estratégica, falar simplesmente por falar é inútil, é perca de tempo, a política exige mesmo resultados, exige que tenhas estratégias e influências naionais e internacionais, o “barulho político” só tem valores significativos quando se consegue resultados, caso contrário fica tipo um espectáculo sem público ou um público sem um artista adequado para entretê-los como deve ser, portanto, é o resultado que define se um político no final foi ou não um fracasso, aqui não conta a simpatia, não conta a humildade, contam os resultados, um político deve ter em conta isto, o que adianta seres simpático e não apresentares resultados? É inútil… não se faz política sendo emotivo, se quiesres entrar na política ou seguir um político deixe a emoção de lado, a política é racionalidade, é pragmatismo, é estratégia.

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Por: Leonardo Quarenta

Ph.D em Direito Constitucional e Internacional

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