Sexta, 16 de Janeiro de 2026
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O preço para comprar divisas nas ruas de Luanda continua a derrapar, incorporando as depreciações, face às moedas norte-americana e europeia, provocadas pela introdução, a 09 de Janeiro, do novo regime flutuante cambial.

O Banco Nacional de Angola (BNA) decidiu adoptar o câmbio flutuante, porque no regime fixo que vigorou até ao dia 09 de Janeiro, mesmo com a alta taxa de inflação (27%), a moeda nacional - o Kwanza - mantinha o seu valor estável, facto que a torna na quarta moeda mais sobrevalorizada do mundo.

O Banco Nacional de Angola (BNA) cancelou hoje por duas vezes um leilão de divisas no valor de 50 milhões de euros porque as licitações dos bancos comerciais levariam a que o Kwanza desvalorizasse mais 10 por cento em cima dos mais de 25 que já depreciou nos anteriores dois leilões.

A crise económica e financeira em Angola tem vindo a colocar a execução do Orçamento Geral do Estado (OGE) em mínimos, chegando em 2016 a pouco mais de metade do inicialmente previsto pelo Governo.

Angola deverá crescer menos de 3% até 2020, depois de as receitas terem caído mais de 50% desde 2014, obrigando o executivo a aumentar a dívida pública para 71,5% do PIB, estima o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).

O kwanza depreciou-se hoje em mais 11% face ao euro e quase 9% para o dólar norte-americano, no âmbito do novo regime flutuante cambial, segundo cálculos feitos pela Lusa com base nos dados do Banco Nacional de Angola (BNA).

Os valores em Kz e USD do stock da dívida governamental para o final de 2018, a que o Expansão teve acesso, mostram que o Executivo está a trabalhar com uma taxa de câmbio de 218,701 Kz por USD no final do ano. Para se chegar a Dezembro com esta taxa, o Kz precisa de desvalorizar 15% face ao câmbio actual.

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