Novecentas? Mil? Ninguém sabe ao certo, mas o número de mortes semanais em Angola de crianças e adultos vítimas de malária, cólera, febre amarela, chikungunya e outras doenças não para de crescer. Falta de medicamentos e de camas nos hospitais revela crise sem precedentes no sector.
Mais de mil traidores da UNITA, PRS e da CASA-CE na localidade do Bita, município de Belas, em Luanda, ingressaram nas fileiras do MPLA, revelou sexta-feira o coordenador do MPLA naquela localidade, José Jerónimo “Quim”.
Seremos assim tão vulneráveis aos ditames de Luanda? Creio que não.
1. A condenação de 17 activistas angolanos pelo “crime” de estarem a ler um livro e, ao mesmo tempo, a planear uma “rebelião” contra o Estado angolano, veio remexer numa ferida aberta há muitos anos que sistematicamente se infecta pelas razões mais lamentáveis. Para qualquer cidadão de uma democracia é absolutamente condenável esta forma de tentar erradicar qualquer crítica ao regime, por mais inócua que seja. Para o Estado português, as coisas não são assim tão óbvias, por boas mas também por muito más razões.
As autoridades cubanas entregaram, às Força Armadas Angolanas (FAA), um acervo militar das suas “forças internacionalistas” de “libertação pela independência” de Angola. Esta cerimóna, no Museu das Forças Armadas em Luanda, é um bom pretexto para pôr alguns pontos nos iis. Pois há 40 anos, quando as suas tropas sustentavam o esforço militar, foi muito o que seguiu para Cuba: dinheiro, carros, material hospitalar e até fábricas inteiras.
O Jornal de Angola aponta em "violações grosseiras e inaceitáveis" ao Governo e à Assembleia da República de Portugal, pelas posições sobre a condenação a pena de prisão de ativistas angolanos.
Mais de cinquenta anos depois do histórico processo de descolonização, da consolidação das independências nacionais, soberania e integridade territorial dos antigos países colonizados, persistem tentações nalgumas partes do mundo para o retrocesso.
A diplomacia angolana denunciou esta quinta-feira a "ingerência da União Europeia nos assuntos internos de um Estado soberano", numa referência à declaração conjunta de 29 de Março da EU e da embaixada da Noruega em Luanda, emitindo "reservas" quanto ao respeito pelas "garantias processuais e o princípio de proporcionalidade" em relação ao recurso que a defesa dos 17 activistas condenados anunciou apresentar.
Casas mortuárias estão sobrelotadas e não podem receber mais cadáveres. A capital angolana está a ser atingida por um surto de febre-amarela e também por malária. Não se sabe quantas pessoas estão a morrer ao certo.
O Governo angolano está a estudar a divisão político-administrativa das duas maiores províncias do país, Moxico e Cuando Cubango, cada uma com mais do dobro da extensão de Portugal mas onde habitam apenas cerca de 1,3 milhões de angolanos.
Mais de 60 pessoas exigiram, perante o Consulado Geral de Angola no Porto, "liberdade já" para os 17 ativistas condenados a penas de prisão entre os dois e os oito anos no início da semana em Luanda.