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Segunda, 05 Janeiro 2026 20:19

Félix Tshisekedi diz que PR angolano apresentou “propostas muito interessantes” para pacificar RDCongo

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O Presidente da República Democrática do Congo, Félix Tshisekedi, que hoje se encontrou em Luanda com o homólogo angolano afirmou que João Lourenço apresentou “propostas muito interessantes” para a paz na região, sem acrescentar detalhes.

Falando à imprensa angolana, no final de uma reunião de trabalho privada na capital angolana, Tshisekedi reconheceu o papel de João Lourenço enquanto Presidente de Angola e da União Africana, sublinhando que tem liderado “várias iniciativas” com vista à pacificação do seu país.

“O Presidente João Lourenço, como homem de iniciativas, apresentou-me algumas propostas que considero muito interessantes e que espero que nos permitam avançar no plano da paz na República Democrática do Congo”, disse o estadista congolês.

Sobre a natureza das novas propostas do estadista angolano, Tshisekedi declarou que, por enquanto, prefere não divulgar os detalhes.

Segundo Félix Tshisekedi, o encontro centrou-se sobretudo na situação de segurança no Leste da RDC, onde a guerra “continua” e não foi “imposta” pelo seu Governo.

Ainda assim, frisou que existem contactos e esforços em curso para encontrar soluções políticas e diplomáticas para o conflito.

O Presidente congolês esclareceu que as iniciativas apresentadas por João Lourenço não se afastam dos processos já existentes, nomeadamente os quadros de Washington e de Doha, mas visam antes “reforçar” e complementar os caminhos já abertos para a paz.

“Dialogámos sobre as vias para sairmos deste problema. Embora enfrentemos uma situação difícil, há propostas e soluções a serem trabalhadas”, concluiu Félix Tshisekedi.

Agradeceu o empenho do Chefe de Estado angolano, reiterando a sua confiança nos esforços regionais e continentais para a estabilização da RDC.

O encontro, que decorreu no Palácio Presidencial, teve a duração aproximada de uma hora e meia, num ambiente de concertação diplomática.

Esta é a segunda deslocação de Tshisekedi a Luanda em menos de um mês, depois da última visita efectuada em 14 de Dezembro de 2025.

Os dois Chefes de Estado, que têm mantido encontros regulares, analisaram a evolução do conflito armado no Leste da RDC, bem como os esforços regionais e internacionais em curso para a pacificação da região.

Durante a reunião, João Lourenço e Félix Tshisekedi abordaram o contexto actual marcado pela persistência da violência, apesar da recente assinatura, em Washington (Estados Unidos da América), de um acordo de paz entre a RDC e o Rwanda.

O entendimento foi apadrinhado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, com a supervisão de vários líderes internacionais, incluindo o Chefe de Estado angolano, João Lourenço.

O acordo, conhecido como Acordos de Washington-2025, foi assinado em Dezembro do ano passado pelos Presidentes Félix Tshisekedi e Paul Kagame, com o objectivo de pôr termo ao conflito bilateral, garantir a retirada de tropas rwandesas do território congolês e cessar o apoio a milícias armadas hostis entre as partes.

Contudo, a assinatura do documento não inclui o movimento rebelde M23, um dos principais actores armados no Leste da RDC.

No terreno, a situação permanece instável. Forças do M23 continuam a avançar em várias zonas e terão tomado recentemente cidades estratégicas, incluindo Uvira, na província do Kivu do Sul. Registam-se confrontos, presença de rebeldes em áreas urbanas e deslocações massivas da população civil, agravando a crise humanitária.

Apesar das iniciativas diplomáticas em curso, os acordos de paz têm tido, até ao momento, impacto limitado na redução imediata da violência na região.

No plano internacional, os Estados Unidos manifestaram já preocupação com alegadas violações do Acordo de Washington por parte do Rwanda.

Responsáveis norte-americanos, entre os quais o senador Marco Rubio, afirmaram que acções atribuídas a Kigali no Leste da RDC são incompatíveis com os compromissos assumidos.

Washington advertiu que não permanecerá indiferente a eventuais incumprimentos e sinalizou a possibilidade de medidas diplomáticas adicionais, caso persistam indícios de apoio a grupos armados que operam em território congolês.

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Angola 24 Horas

Jornalista Luis Carlos

Licenciado em Jornalismo e Ciências Sociais é Administrador do site Angola 24 Horas

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