Segunda, 22 de Julho de 2024
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Quinta, 30 Mai 2024 19:15

Acordo entre Governo e sindicatos "não satisfaz" e é "conjuntural", diz presidente do Sindicato Nacional dos Médicos

O acordo entre o Governo angolano e as centrais sindicais, que levou à suspensão da terceira greve da função pública deste ano, prevista para começar no dia 3 de junho, "não satisfaz de uma forma geral o movimento sindical" e é apenas "conjuntural".

Esta posição é do presidente do Sindicato Nacional dos Médicos, Adriano Manuel, que, em conversa com a Voz da América, afirma que "não se pode viver com um salário mínimo que dá para dois dias".

Manuel acusa o Executivo de não "estar interessado na melhoria da vida dos angolanos", enquanto gasta dinheiro em carros de luxo.

O sindicalista reconhece, no entanto, um ganho com a entrada de um representante dos trabalhadores no Conselho Fiscal do Instituto do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), onde, segundo ele, "é onde se desvia dinheiro para grandes personalidades".

O acordo bianual conseguido entre o Governo e as três centrais sindicais - Central Geral de Sindicatos Independentes e Livres de Angola (CGSILA), a União Nacional dos Trabalhadores Angolanos - Confederação Sindical (UNTA-CS) e a Força Sindical - Central Sindical (FS-CS) -, define que o salário da função pública vai ser ajustado em 35 por cento no próximo ano, nas microempresas e "startups" o salário vai ser fixado em 50 mil kwanzas (cerca de 55 dólares). As empresas que já pagam 70 mil kwanzas terão 12 meses para chegar aos 100 mil kwanzas (108 dólares) e as que estão abaixo deste nível terão dois anos para alcançar a meta estipulada.

Além da entrada de um representante dos sindicatos no conselho fiscal do INSS, o Executivo vai estudar alterações ao imposto sobre o trabalho.

O presidente do Sindicato Nacional dos Médicos revela, no entanto, que há ainda muitas discussões por setor a caminho e anunciou a entrega, para breve, do caderno reivindicativo da organização que se dirige ao Governo.

Adriano Manuel reconhece que os sindicatos cederam nas negociações muito "devido à pressão do Governo através da imprensa pública e das redes sociais", mas que é um "acordo conjuntural".

Ao anunciar o acordo, na terça-feira, 28, o secretário de Estado para o Trabalho e Segurança Social, Pedro Filipe, disse que nas horas da reunião foram aglutinadas "questões estruturantes".

O acordo foi um "exercício de muita paciência e de muita responsabilidade", concluiu Pedro Filipe. VOA

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