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Segunda, 29 Mai 2023 23:23

Gemcorp e Carrinho fazem propostas para comprar banco BFA

O grupo Carrinho e a Gemcorp apresentaram propostas para a compra da posição de 48,1% que o BPI tem no Banco de Fomento Angola (BFA). As ofertas são acima dos 400 milhões de euros e a escolha do vencedor será feita até ao final de julho.

O grupo angolano Carrinho e a Gemcorp, gestora de fundos com sede no Reino Unido, são os dois candidatos à compra da posição de 48,1% que o BPI tem no Banco de Fomento Angola (BFA). O BPI, detido pelos espanhóis do CaixaBank, colocou a fasquia de 411 milhões de euros como o valor mínimo para alienar este ativo.

Tanto o grupo Carrinho como a Gemcorp apresentaram propostas que satisfazem esta pretensão do BPI ejá entraram numa segunda fase de negociação. Os dois candidatos terão de apresentar ofertas finais de compra ao longo do mês de julho, sabe o Negócios.

Esta é a terceira tentativa que o BPI faz para vender a sua participação no BFA desde 2017, por pressão do Banco Central Europeu (BCE). Oregulador do Velho Continente não dá equivalência bancária a Angola, ou seja, a super- visão do Banco Nacional de Angola (BNA) não é reconhecida pelo BCE e isso obriga o BPI a constituir provisões.

O BFA tem ativos totais de cinco mil milhões de euros, cerca de 2,6 milhões de clientes e a sua quota de mercado em depósitos era de 14,5% em novembro. Daí que esta operação possa ser clas- sificada como uma venda forçada pelas circunstâncias.

O BPI mandatou a Exotix, uma boutique financeira especializada em operações de fusão e aquisição em África, para concretizar a operação.

O grupo Carrinho, de natureza industrial, ganhou protagonismo durante o consulado presidencial de João Lourenço e já controla dois bancos, o Banco de Comércio e Indústria (BCI) e o Banco Keve. O primeiro foi adquirido em dezembro de 2021 por 29,3 milhões de dólares, a primeira grande privatização feita em Angola através da bolsa. O grupo Carrinho deterá ainda 30% do Banco Keve, o qual apresentou um plano de recapitalização ao BNA no final de 2022.

O Keve conta com acionistas que são classificados como Pessoas Politicamente Expostas (PEP), casos do general Higino Carneiro, homem forte do MPLA e ex-governador de Luanda, e do antigo ministro das Finanças, José Pedro Morais. 

A Gemcorp, o outro candidato à aquisição de 48,1% do BFA, tem uma importante atividade em Angola no financiamento de grandes obras. O fundo, que começou a fazer negócios no país em 2007, está envolvido, por exemplo, na construção da nova refinaria de Cabinda, reabilitação e expansão das redes de transmissão da Angola Telecom. O fundador da Gemcorp é Atanas Bostandjiev. O gestor nascido na Bulgária anunciou em abril de 2022 que o fundo vai investir 10 mil milhões de dólares em África ao longo de uma década.

Em dezembro de 2021, o Governo de Angola entregou a gestão da Reserva Estratégica Alimentar à Gescesta, uma empresa detida em partes iguais pelo grupo Carrinho e a Gemcorp.

Banco Nacional de Angola valida as duas propostas

Os candidatos são ambos do setor não financeiro e isso indica que os bancos internacionais, por muito rentável que o BFA seja, não se querem expor ao mercado angolano. O BNA, liderado por José de Lima Massano, valida as duas propostas de compra do BFA, sabe o Negócios. Todavia, o regulador avalia com algum ceticismo a atual situação do BFA, considerando que o banco precisa de um novo impulso. Acresce o facto de o BPI não ter indicado nenhum gestor para a administração do BFA, apesar de possuir uma posição acionista relevante na instituição, o que transmite a sensação de um certo abandono.

Esta avaliação encontra respaldo na circunstância de o BNA ainda ter dado luz verde à nova administração do BFA, a ser presidida por Maria do Carmo Bernardo, atual líder do Banco de Desenvolvimento de Angola, em substituição de Rui Mangueira.

A maioria do capital social do BFA, 51,9%, é detido pela Unitel, a operadora angolana de telecomunicações que, por sua vez, é controlada pela Sonangol. Este enquadramento é precisamente outra das razões para o BPI desejar fechar, sem delongas, a venda da sua participação no BFA. O Governo de Angola já manifestou a intenção de privatizar a Unitel e também de alienar em bolsa uma posição de 15% no BFA, o que, a materializar-se, colocaria o BPI como maior acionista do banco, violando as recomendações do BCE.

O BPI tem publicamente outro entendimento. O seu presidente, João Oliveira e Costa, durante a apresentação de resultados, a 5 de maio, considerou a privatização da Unitel e do BFA uma oportunidade a que o banco se poderia juntar. “Essa é uma hipótese. Temos todas as hipóteses em aberto. Estamos completamente disponíveis para estudar todas as soluções”, afirmou.

Em 2022, o BPI registou um lucro de 365 milhões de euros para o qual Angola contribuiu com 96 milhões de euros.

Jornal de Negócios

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