A empresa pública de Transportes Coletivos Urbanos de Luanda (TCUL) retomou hoje os serviços, registando um prejuízo de mais de 44 mil euros nos dois dias em que suspendeu aatividade devido à insegurança na capital angolana.
O balanço provisório das autoridades angolanas aponta para 22 mortos, 197 feridos e 1.214 detenções, nos dois dias de tumultos registados na província de Luanda, durante uma paralisação de taxistas, avançou o Governo angolano.
O ativista e jornalista angolano Rafael Marques critica o Presidente de Angola, João Lourenço, por ainda não ter dado explicações ao país sobre a "crise de segurança pública" em Luanda e responsabiliza-o pela situação que se vive no país.
Parece que há uma nova moda no Palácio do Povo: culpar a UNITA por tudo. Falhou a energia? A culpa é da UNITA. Subiu o preço do pão? UNITA. Está a chover onde não devia? Claramente, sabotagem da UNITA.
A Polícia Nacional angolana anunciou esta terça-feira a morte de um oficial em serviço, Fernando Bunga na província de Icolo e Bengo, e subiu para 1.214 o número de detidos durante os dois dias de paralisação de taxistas marcados por atos de vandalismo.
Analistas angolanos consideram que os protestos violentos registados segunda-feira e hoje em Luanda eram previsíveis face à degradação das condições de vida da população.
Líderes religiosos disseram hoje que Angola vive momentos difíceis de pobreza e miséria, pedindo aos cidadãos urbanidade e civismo nas suas “justas reivindicações”, e defenderam que as autoridades devem promover o diálogo e não ignorar o desgaste da população.
A delegação em Luanda da Associação Nacional dos Taxistas de Angola (ANATA) decidiu manter a greve dos taxistas, apesar da direção nacional ter anunciado a suspensão da paralisação convocada entre 28 e 30 de julho.
A Associação Justiça, Paz e Democracia (AJPD) instou hoje os cidadãos lesados em Luanda a avançarem com uma queixa contra o Estado angolano por não garantir a segurança dos seus bens, vandalizados na sequência da greve dos taxistas.
A capital angolana vive hoje o segundo dia consecutivo de insegurança, com pilhagens e atos de vandalismo a ocorrerem sobretudo nas zonas periféricas, tendo como principal alvo os supermercados, constatou a Lusa.