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Quarta, 12 Outubro 2022 23:27

Com voto de Angola, ONU condena Rússia por anexar partes da Ucrânia

Depois de várias abstenções, Angola apoiou uma resolução que condenou a recente anexação de regiões da Ucrânia por parte da Rússia

Pressionado pelos EUA após abstenções consecutivas, Angola apoiou nesta quarta-feira uma resolução na Assembleia Geral da ONU que condena a anexação unilateral de quatro regiões ucranianas à Rússia pelo presidente Vladimir Putin.

Angola desde o reconhecimento dos Estados Unidos da América da victoria do MPLA e do Presidente João Lourenço nas eleições angolanas, mudou de lado, hoje se alinhou ao lado dos Americanos.

Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Portugal, Timor-Leste votaram a favor e Moçambique se absteve, os votos da Guiné Equatorial e de São Tomé e Príncipe não foram registados, segundo o placar da votação apresentado na Assembleia Geral.

Três quartos dos 193 membros da assembleia - 143 países - votaram a favor da resolução que também reafirma a soberania, independência, unidade e integridade territorial da Ucrânia dentro de suas fronteiras internacionalmente reconhecidas.

Apenas 4 países se juntaram à Rússia na votação contra a resolução - Síria, Nicarágua, Coreia do Norte e Bielorrússia. Outros 35 países se abstiveram da votação, incluindo o parceiro estratégico da Rússia, a China, enquanto o restante não votou.

A Rússia 'oficializou' recentemente a anexação das regiões de Zaporizhzhia, Kherson, Luhansk e Donetsk, após realizar referendos nesses lugares em que a população supostamente aprovou deixar de fazer parte da Ucrânia.

Ao justificar o voto do Governo angolano, a embaixadora junto das Nações Unidas disse que “votou a favor da presente resolução em conformidade com as suas convicções sobre o bem fundado do princípio sacrossanto da integridade territorial consagrado na sua própria Constituição que define Angola como um Estado unitário e indivisível, cujo território é inviolável e inalienável”.

Maria de Jesus dos Reis Ferreira citou também as provisões da Carta das Nações Unidas e do Acto Constitutivo da União Africana (UA).

A diplomata lembrou que as relações entre Luanda e Moscovo “datam desde a antiga URSS que jogou um papel determinante na nossa luta contra o colonialismo e contra a invasão do território angolano pelo exercito do regime do apartheid da África do Sul” e hoje referiu, há uma “uma estreita relação de amizade e cooperação em diversos domínios de interesse comum”.

Reis Ferreira também referiu que com a Ucrânia, que foi parte integrante da ex-URSS, “Angola tem igualmente boas relações diplomáticas”.

“Essas relações constituem um dos factos que justificam a grande preocupação constantemente manifestada pela República de Angola sobre a guerra que opõe a Federação Russa à Ucrânia e que, para além de provocar inúmeras baixas humanas, ter gerado milhares de deslocados e refugiados jamais vistos desde a segunda guerra mundial, bem como a destruição de importantes infra-estruturas do património nacional da Ucrânia, a mesma guerra tem causado igualmente sérias consequências na paz e segurança mundiais, assim como nas economias dos países no geral”, disse a embaixadora angolana que reiterou “o seu apelo às partes a cessarem as hostilidades e primarem pela resolução pacífica do conflito por via do diálogo, em pleno respeito do direito internacional”.

Maria de Jesus dos Reis Ferreira concluiu que o apelo de Luanda “está conforme com o princípio de não indiferença da UA (União Africana), assim como com os esforços para a promoção da paz e segurança em África que Sua Excelência João Manuel Gonçalves Lourenço, Presidente da República de Angola, tem envidado na sua qualidade de Campeão da União Africana para a Paz e Reconciliação em África”.

Por seu turno, a embaixadora americana junto da ONU, Linda Thomas-Greenfield, disse que “o resultado mostra que a Rússia não pode intimidar o mundo”.

O embaixador da Rússia na ONU, Vassily Nebenzia, disse à Assembleia Geral antes da votação que a resolução era "politizada e abertamente provocativa", acrescentando que "poderia destruir todo e qualquer esforço em favor de uma solução diplomática para a crise".

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