Quinta, 02 de Dezembro de 2021
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Terça, 17 Agosto 2021 23:41

UNITA lidera intenções de voto com 58,17%

Pesquisadores explicam avanço do maior partido na oposição com a política económica e social do Governo considerada “desastrosa" e rejeitada por 81% dos inqueridos. Histórica FNLA é afastada da Assembleia Nacional e Casa-CE é “gravemente” penalizada pela perda das suas “figuras emblemáticas”.

A um ano do prazo formal das eleições, a Unita de Adalberto Costa Júnior lidera largamente as intenções de voto, com 23 pontos percentuais à frente do seu principal rival, o MPLA.

Um inquérito da AngoBarómetro, empresa especializada em sondagens e estudos de opinião com sede na Alemanha, conclui que o maior partido na oposição conta com a preferência de 58,17% dos eleitores, contra os 35,17% do MPLA de João Lourenço, resultados que “reflectem a percepção dos inqueridos quanto à alternância política em 2022”. Em terceiro lugar, posiciona-se a Casa-CE de Manuel Fernandes com 3,56%, muito próximos dos 3,1% do PRS. Já a FNLA, que tem à testa Lucas Ngonda, não tem o apoio mínimo suficiente para se manter na Assembleia Nacional, quadro justificado com “a crise permanente que assola esta agremiação”.

Os novos resultados apurados entre 1 e 9 de Agosto, num universo de 1.632 inqueridos, concretizam um avanço da Unita de oito pontos percentuais, face aos dados do inquérito de Fevereiro deste ano. Em sentido contrário, o MPLA quebra em dois pontos percentuais, ao passo que a Casa-CE é “fortemente” penalizada na preferência dos eleitores, ao consentir um recuo de 50 pontos percentuais, em apenas seis meses. Na apreciação da AngoBarómetro, o enfraquecimento da Casa-CE é explicado pela perda das suas “figuras emblemáticas”, após os actos sucessivos de destituição de Abel Chivukuvuku e de André Mendes da presidência e da suspensão do Bloco Democrático. Mais estável mantém-se o PRS de Benedito Daniel que, com os 3,53% apurados em Fevereiro, consente um ligeiro recuo de 0,43 pontos percentuais.

Economia “Desastrosa”

A quebra do MPLA nas intenções de voto encontra respaldo nos elevados níveis de desaprovação da sua política económica e social. Do universo de inqueridos, 81% considerou “desastrosas” as reformas económicas do partido no poder, números muito próximos dos 82,93% que classificaram o desempenho da equipa económica do Governo como “medíocre”. Do lado contrário, 10% pensam que as reformas governamentais são “assertivas”, ao passo que 9% não manifestaram qualquer opinião. “Mesmo se as propostas da Unita são consideradas melhores do que as do MPLA, é possível que as intenções de voto a favor da Unita sejam votos de protesto pelas más condições económicas e sociais da maioria da população”, analisam os pesquisadores da AngoBarómetro.

Reafirmando Luanda como “a praça política de maior importância” e cujos residentes “são mais participativos e críticos em relação ao Executivo”, o inquérito abordou angolanos acima dos 18 anos, 93% dos quais do sexo masculino e 7% do sexo feminino.

A faixa dos 26 a 35 anos foi a mais participativa com 33,99%, secundada pelo grupo dos 36 a 45 anos que reclamou 29,06% das respostas. Pelo meio posicionou-se a faixa dos 56 anos ou mais com 17,73% e, no outro extremo, os segmentos dos 46 a 55 anos e dos 18 a 25 anos representaram respectivamente 13,30% e 5,91% dos participantes.

Constituição, 27 de Maio e lideranças

Em Junho deste ano, a AngoBarómetro divulgou outro inquérito que concluiu que pelo menos 67% dos inqueridos, de um total de 1.034, rejeitaram o pedido de desculpas públicas pelas vítimas do 27 de Maio de 1977, apresentado pelo Presidente da República, em nome do Estado. Segundo o levantamento, a rejeição devia-se ao facto de João Lourenço ter ocultado os culpados dos crimes, ao passo que 26,60% chegou a considerar a declaração do Presidente da República “sincera e oportuna”.

A empresa já apresentou também um levantamento sobre a “revisão pontual da Constituição”, reprovada por 60% dos angolanos, e outra sobre a popularidade das lideranças políticas que colocou Adalberto Costa Júnior à frente com 40% das preferências, seguido de João Lourenço (38%) e Abel Chivukuvuku com 17%.

A AngoBarómetro foi lançada em Janeiro deste ano por Lukonde Luansi e Orlando Ferraz, dois especialistas angolanos formados em Ciências Sociais e Políticas na Alemanha. VALOR

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