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Terça, 03 Dezembro 2013 16:45

Tio do jovem dirigente norte-coreano Kim Jong-Un, considerado por muito tempo seu mentor, foi destituído do cargo que ocupava nas Forças Armadas, e vários de seus colaboradores foram executados, um acontecimento sem precedentes, com consequências imprevisíveis para o regime.

O influente Jang Song-Thaek, de 67 anos, foi destituído do cargo de vice-presidente da Comissão de Defesa Nacional, órgão mais importante na tomada de decisões no país, informou um deputado à imprensa.

Em uma reunião urgente com a comissão parlamentar, os serviços de inteligência sul-coreanos afirmaram que Jang "foi destituído do cargo recentemente e dois colaboradores, Ri Yong-Ha e Jang Soo-Kil, executados em público em meados de novembro", afirmou o deputado Jung Cheong-Rae.

Segundo um outro parlamentar, eles foram executados por "atividades antipartido".

"Todos os membros do exército foram informados das execuções. Desde então, Jang Song-Thaek desapareceu", indicou Jung Cheong-Rae.

Jang Song-Thaek, marido da irmã de Kim Jong-Il, foi durante décadas um dos personagens vitais do regime norte-coreano, governado por três gerações de Kim (avô, pai e filho) desde a Segunda Guerra Mundial.

Recentemente ele guiou o sobrinho nos primeiros passos à frente do Estado.

Considerado por muitos especialistas o Nº 2 do regime, era, para outros, o regente de Jong-Un, que aos 30 anos de idade não tinha a experiência necessária para exercer o poder neste Estado recluso.

Yang Moo-Jin, professor na universidade de estudos norte-coreanos em Seul, considera o afastamento de Jang Song-Thaek "o fato político mais importante na Coreia do Norte desde a chegada ao poder de Kim Jong-Un".

"Jang teve um papel fundamental ajudando Kim Jong-Un a consolidar o seu poder após a morte de seu pai, cumprindo a função de mentor", ressalta.

Kim Jong-Un substituiu seu pai Kim Jong-Il após sua morte em dezembro de 2011 depois de uma parada cardíaca.

Kim Jong-Il presidia a Coreia comunista desde a morte, em 1994, de seu pai Kim il-Sung, fundador da República Popular Democrática da Coreia (RPDC), em 1948.

Um moderado partidário de reformas econômicas

Provavelmente vítima de um primeiro expurgo na década de 1970, Jang foi desonrado em 2004 sob a acusação de corrupção, comum nos jogos de poder na Coreia do Norte.

Enviado para "reabilitação", como operário em uma siderúrgica, foi reabilitado no ano seguinte e, em 2007, promovido à direção do Partido dos Trabalhadores, que lhe deu poder sobre a polícia e a justiça.

Ele expandiu significativamente a sua influência após o AVC sofrido por Kim Jong-Il em 2008, e com sua morte três anos depois.

Mas Jang também era visto no exterior como um moderado, ou até um reformador, pelo menos economicamente. O confronto interminável entre Pyongyang de um lado, Seul e seus aliados do outro, quanto ao programa nuclear norte-coreano pode ter tido influência em seu ostracismo, argumentam os especialistas.

"Jang visitou a Coreia do Sul, onde teve uma ideia da sociedade capitalista, e ele também participou das mudanças na China", observa Kim Yong-Hyun da Universidade de Dongguk, em Seul.

"Era a pessoa mais inclinada a defender a implementação de reformas", acredita.0

Jang poderia ter perdido a disputa com Choe Ryong-Hae, oficial e diretor do "politburo" do Exército popular da Coreia, que Kim Jong-Un nomeou recentemente para representá-lo em Pequim.

Especialistas entrevistados pela AFP estão divididos sobre se o afastamento de Jang, o qual Kim Jong-Un pode ter sido forçado, enfraquecerá ou reforçará o seu poder pessoal.

Para Cheong Seong-Chang, do instituto Sejong, "Kim Jong-Un se apegou fortemente ao poder" e derrubou deliberadamente seu tio, que teria treinado com seus companheiros executados "um clã político", sinônimo de ameaça para o jovem Kim.

A esposa de Jang Song-Thaek, Kim Kyong-Hui, de 67 anos, também é uma figura central no regime há 40 anos. Em setembro de 2010, ela foi elevada à categoria de general de quatro estrelas, junto com Kim Jong-Un.

Segundo boatos, ela não estaria bem de saúde.

AFP

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