Segundo Job Capapinha, a exclusão da candidatura resulta da detecção de "graves irregularidades" durante a análise da documentação apresentada por Higino Carneiro.
Em conferência de imprensa, o responsável revelou que uma das situações identificadas ocorreu na província de Cabinda, onde terá sido apresentada uma declaração de apoio à candidatura acompanhada por um bilhete de identidade alegadamente falsificado.
"Na província de Cabinda, foi confirmada uma declaração de apoio à candidatura com um bilhete de identidade número 000771195CA38 falsificado e metido em nome do Sr. Mateus Moanda", afirmou Job Capapinha.
O dirigente acrescentou que as irregularidades detectadas não se limitaram a um caso isolado, tendo sido identificadas em várias províncias. Entre elas, destacou assinaturas alegadamente falsas nos mapas de suporte, repetição de assinaturas, utilização do mesmo nome em diferentes declarações de apoio e cartões de militante considerados falsificados.
De acordo com os dados apresentados pela subcomissão, foram analisadas 14.493 fichas de subscrição da candidatura. Destas, apenas 2.561 foram consideradas válidas, o equivalente a 17,6% do total. Outras 9.659 fichas (66,6%) foram classificadas como não válidas e 2.273 (15,6%) foram consideradas falsas.
"Após análise e verificação minuciosa do processo remetido, a subcomissão da candidatura apurou, das 14.493 fichas de subscrições contabilizadas e confirmadas, o seguinte: 2.561 válidas, correspondente a 17,6%; 9.659 não válidas, correspondente a 66,6%; 2.273 falsas, correspondente a 15,6%", detalhou Job Capapinha.
Perante estes resultados, a subcomissão deliberou considerar nula a candidatura de Higino Carneiro.
Além da anulação da candidatura, Job Capapinha anunciou que o processo será remetido aos órgãos competentes do partido, por considerar que os factos apurados poderão configurar responsabilidade criminal.
"Esta subcomissão, perante a gravidade dos factos, passíveis de responsabilização criminal, vai submeter este processo de candidatura aos órgãos competentes do partido para o seu devido tratamento, nos termos da alínea E do n.º 1 do artigo 116.º dos Estatutos, reafirmados no Regulamento Eleitoral e no Código de Ética Partidária do MPLA", declarou.
Equipa de Higino Carneiro vai contestar decisão
Em reacção à decisão, fontes ligadas à equipa de Higino Carneiro disseram à imprensa que será apresentada uma impugnação, recorrendo aos mecanismos previstos nas normas internas do partido.
Até ao momento, o candidato ainda não se pronunciou publicamente sobre a decisão da subcomissão.
João Lourenço é o único candidato validado
Com a exclusão da candidatura de Higino Carneiro, João Lourenço passa a ser, até ao momento, o único candidato cuja candidatura foi aceite pela subcomissão.
O actual presidente do MPLA e Presidente da República apresentou a sua recandidatura à liderança do partido em Maio. Embora a Constituição da República de Angola o impeça de concorrer a um terceiro mandato como Presidente da República, uma eventual reeleição como líder do MPLA permitir-lhe-á conduzir o processo de escolha do candidato do partido às eleições gerais previstas para 2027.
Requisitos para a liderança do partido
O regulamento eleitoral do MPLA determina que os candidatos à presidência do partido devem reunir o apoio de, pelo menos, cinco mil militantes, distribuídos por todas as províncias do país, assegurando uma representatividade nacional da candidatura.
Para os restantes cargos em disputa, o número de subscritores exigido varia entre mil e 2.500, em função do nível da estrutura partidária.
O prazo para apresentação de candidaturas termina a 25 de Outubro.
O IX Congresso Ordinário do MPLA realiza-se nos dias 9 e 10 de Dezembro de 2026, em Luanda, sob o lema "MPLA 70 Anos – Compromisso com o Povo, Confiança no Futuro", devendo reunir cerca de 3.000 delegados provenientes de todo o país.
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