Quinta, 19 de Mai de 2022
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Segunda, 17 Janeiro 2022 11:31

Angolanos injetam 8,5 milhões no BNI antes de se tornar no “banco dos brasileiros na Europa”

Acionista angolano Mário Palhares,  ex-vice-governador do BNA Acionista angolano Mário Palhares, ex-vice-governador do BNA

Banco Master quer que o BNI Europa seja o "banco dos brasileiros na Europa". Prometem duplicar o quadro de trabalhadores até 100 pessoas. Antes disso, banco português recebeu injeção de 8,5 milhões.

O BNI Europa recebeu uma injeção de capital de 8,5 milhões de euros no início do ano do seu acionista angolano. O aumento de capital foi realizado poucos dias depois de se saber que havia acordado a venda da instituição portuguesa ao brasileiro Banco Master, que quer torná-lo no “banco dos brasileiros na Europa”, segundo o seu presidente, Daniel Vorcaro. Negócio ainda aguarda “luz verde” dos reguladores.

“Sempre fez parte do nosso plano de negócios a internacionalização. Com a aquisição do BNI Europa, o nosso objetivo é fazer do Master o banco dos brasileiros na Europa”, refere o responsável numa nota enviada ao ECO.

“A aquisição faz todo o sentido para complementarmos essa operação e não havia país melhor para atuarmos do que Portugal”, acrescenta o responsável do banco brasileiro que fechou o primeiro semestre de 2021 com um lucro de 33,5 milhões de reais (cerca de 5,3 milhões de euros).

O BNI Europa é gerido por dois administradores, António Rola Costa e Nuno Rosário Martins, depois da saída de Pedro Pinto Coelho da liderança em fevereiro. O banco português é detido pelo angolano BNI, do qual o ex-vice-governador do Banco Nacional de Angola, Mário Palhares, é o principal acionista (mais de 35% do capital) e se tornou presidente da comissão executiva em 2020.

Jornal Económico avançou no final do ano passado que o Banco Master fechou um acordo para comprar o BNI Europa, naquela que é a terceira tentativa de venda da instituição, depois de falhados os negócios com o grupo chinês KWG há dois anos e com espanhóis da Altarius Capital já este ano.

Daniel Vorcaro explica que a presença em Portugal tornará mais fácil o atendimento a clientes brasileiros que vivem cá, tanto particulares como empresas. A forte comunidade brasileira a viver no país pesou na decisão de avançar para o BNI Europa. “Além disso, funcionaremos como um hub na Europa, não só para investimentos proprietários, bem como para captação com menores custos para o Master e para empresas”, detalhou ainda o responsável. O Banco Master é o antigo Banco Máxima, adquirido por Daniel Vorcaro em 2018. A compra do BNI Europa está dependente da autorização dos reguladores, designadamente o Banco Central Europeu (BCE) e também o Banco do Brasil.

Se o Banco Master concretizar a compra, o BNI Europa passará a chamar-se Banco Master Europa e “será o único banco de capital brasileiro com atuação em Portugal”, de acordo com o grupo brasileiro. Maurício Quadrado, diretor do Master Banco de Investimentos, indicou que os planos para a instituição incluem “duplicar o atual quadro de funcionários de 50 pessoas” e reforçar o capital do banco.

Com mais de 50 anos, o Banco Master atua nos segmentos de: retalho, com crédito pessoal, principalmente cartão de crédito pessoal consignado; serviços, com operações de câmbio e administração fiduciária e gestão de recursos; seguros, com a Kovr Seguradora; e operações estruturadas, com o Banco Master de Investimento.

Capital aumenta 25 milhões em dois anos

Ao ECO, fonte oficial do BNI Europa adianta que o aumento de capital de 8,5 milhões de euros realizado no início deste ano tem como objetivo “suportar o plano de negócios do banco”. Desde 2020 que se sucedem os reforços de capital: 24,95 milhões de euros injetados pelo acionista angolano. Com esta última operação, o banco passou a ter um capital de 67,5 milhões.

O BNI Europa fechou os primeiros nove meses do ano com prejuízo de três milhões de euros, registando uma forte quebra nas receitas com juros, na ordem dos 40% em termos homólogos, para os 6,3 milhões de euros no período. As receitas operacionais totalizam os 2,7 milhões, quase metade do que tinha em 2020.

A redução do negócio reflete um pouco o ajustamento do quadro de pessoal que a instituição realizou nos últimos anos, tendo saído cerca de 70 trabalhadores, na sequência da venda falhada ao grupo chinês. ECO PT

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