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Segunda, 30 Novembro 2015 20:07

Ativista Inocêncio de Brito nega responder questões do Ministério Público

O ativista Inocêncio de Brito, que foi ouvido ao longo da manhã desta segunda-feira, no âmbito dos interrogatórios dos 17 arguidos acusados de Actos Preparatórios de Rebelião, na 14ª sessão dos Crimes Comuns do Tribunal Provincial de Luanda, negou, logo à partida, responder quaisquer questões que lhe seriam colocadas pela representante do Ministério Público, na sequência de uma estratégia que tem sido desenvolvida pela defesa.

Durante o interrogatório, que decorreu ao longo da manhã e, até ao momento, o mais rápido em relação aos cinco co-arguidos que o antecederam, Inocêncio de Brito apenas respondeu as poucas questões colocadas em instância do advogado de defesa David Mendes.

De acordo com o juiz, terça-feira os interrogatórios prosseguem com audição do co-réu Luaty Beirão, um dos integrantes do grupo, cuja greve de fome, durante algum período ao longo da sua detenção, tornou-o num dos rostos mais mediáticos, quer no país, quer no exterior, sobretudo Portugal, país do qual também possui uma nacionalidade.

Em declarações à imprensa, o advogado de defesa Miguel Francisco “Michel” referiu que a Constituição consagra o direito à liberdade de expressão e os arguidos encontravam-se reunidos a trocar impressões, daí que, na perspectiva deste, até agora não foi trazido nada de novo, uma vez que cabe ao Ministério Público provar aquilo que alega na acusação.

Para este advogado, o facto de o arguido manter-se em silêncio ao longo do interrogatório é um direito que lhe assiste, mas a defesa orienta-os neste sentido, relativamente às perguntas do Ministério Público, por considerar que não há necessidade de ouvi-lo.

Em relação ao processo, o jurista Maleu Euclides esclareceu que muitas vezes os advogados fazem passar a ideia de que os arguidos estão a ser acusados por ler um livro ou pensarem  diferente, mas o que se passa é que a acusação tem a ver com outra matéria relacionada com actos preparatórios de rebelião.

Para este jurista, tal como noutros casos, o réu negou responder a maior parte das questões. De igual modo, ressaltou o facto de o mesmo, no primeiro interrogatório feito pelo Ministério Público, ainda em fase de instrução, ter dito que possuíam meios financeiros, humanos e dispunham de armas para praticar os seus actos.

Maleu Euclides reforçou também que, em julgamento, o melhor é responder as questões que são colocadas para uma melhor defesa, o que não tem acontecido, daí que considera a estratégia que está a ser implementada pelos advogados de defesa como não sendo a melhor, na sua perspectiva.

Ainda durante a sessão desta segunda-feira, o juiz Januário Domingos deu cinco dias aos advogados Walter Tondela e Luís Nascimento para que justifiquem as suas ausências não comunicadas no tribunal e, caso não o façam, serão penalizados com uma multa de 500 UCF (1 UCF é equivalente a 84.00 akz).

ANGOP

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