Trata-se do cidadão Januário Francisco, de 38 anos, proprietário da empresa JANFRAS (SU) Lda. que abusou da confiança de proprietários que entregavam as viaturas mediante contrato para exploração no serviço de táxi por aplicativo, com a promessa de rendimentos periódicos.
Em declarações à ANGOP, a propósito do balanço das operações policiais, o porta-voz da DIIP, intendente Quintino Ferreira, explicou que após cumprir inicialmente com os pagamentos acordados, o acusado deixou de honrar os compromissos, tendo posteriormente vendido as viaturas sem o consentimento dos proprietários.
“No total, temos 97 cidadãos lesados que já não veem as suas viaturas, tendo o indivíduo vendido mais de 100 meios”, afirmou.
Acrescentou que os crimes envolvem falsificação de documentos, abuso de confiança e burla qualificada.
As viaturas foram comercializadas por valores distintos, algumas até 37 milhões de kwanzas, enquanto outras foram vendidas por montantes muito inferiores ao preço real de mercado, o que, segundo DIIP, levanta fortes indícios de prática criminosa organizada.
No decurso das investigações, foram já recuperadas 30 viaturas, localizadas em várias províncias do país, nomeadamente Luanda, Icolo e Bengo, Cabinda, Uíge, Malanje e Cuanza-Sul, estando em curso diligências para a recuperação das restantes.
O responsável alertou ainda que cidadãos que adquirirem viaturas a preços manifestamente abaixo do mercado poderão igualmente ser responsabilizados criminalmente, tendo em conta os indícios de irregularidades no processo de venda.
A investigação revelou também que o número de casos foi crescendo ao longo do tempo. Inicialmente, apenas três viaturas haviam sido reportadas como desaparecidas, mas, com o avanço das diligências, o número ultrapassou, incluindo casos como o de um cidadão que encontrou a sua viatura no parque de uma esquadra.
O porta-voz da DIIP informou que foram apreendidas 80 jantes e 31 pneus na centralidade do Kilamba e que o suspeito encontra-se sob medida de coação mais gravosa, aguardando os trâmites legais na comarca de Luanda, enquanto as autoridades continuam a trabalhar com as vítimas para recuperar os bens.
Por sua vez, uma das proprietárias lesadas, Marta Matias, afirmou que trabalhava com a empresa desde 2022, mas só notou o desaparecimento da viatura há três semanas, após aviso de um assistente.
Já o proprietário Rogério Matoso manifestou satisfação pela recuperação do seu meio.

