Numa publicação divulgada nas redes sociais, Moco começou por agradecer as inúmeras mensagens de felicitações recebidas através do Facebook, WhatsApp e outras plataformas, admitindo não conseguir responder individualmente a todas.
Aproveitando a data simbólica, o antigo governante afirmou que, já no "prolongamento" da vida, considera essencial transmitir às novas gerações uma mensagem de esperança e responsabilidade, defendendo que os jovens não devem permanecer presos aos erros cometidos pelas gerações anteriores.
"Os jovens de hoje não devem permanecer colados aos erros que nós e os nossos antecessores cometemos, por inexperiência, e deixam o nosso e outros muitos países africanos na situação lastimável em que estamos, depois das independências", escreveu, acrescentando que esta visão não deve ser entendida como uma questão partidária, mas sim como "humanismo".
Marcolino Moco sustentou ainda que a experiência adquirida ao longo de décadas em funções político-administrativas e diplomáticas lhe permitiu concluir que Angola necessita de uma cultura de reconhecimento dos erros políticos, do pedido de perdão e da capacidade de perdoar, como condição para evitar novos ciclos de violência e agravamento das dificuldades sociais.
Na mesma publicação, o antigo primeiro-ministro defendeu que o continente africano deve concentrar-se na resolução dos seus próprios desafios, em vez de continuar a atribuir exclusivamente ao passado colonial ou aos interesses externos a responsabilidade pelas dificuldades actuais.
Segundo Moco, embora reconheça a existência de interesses internacionais em África, são também os próprios dirigentes africanos que frequentemente se aliam a esses interesses, enquanto persistem situações de pobreza extrema que levam muitos cidadãos a procurar melhores condições de vida noutros países.
O ex-secretário-geral do MPLA reafirmou igualmente a sua defesa de um pacto nacional, de carácter apartidário, orientado para a paz e a reconciliação, que contribua para ultrapassar a polarização política e a ideia de que o sucesso pessoal depende da militância no partido no poder ou do alinhamento incondicional com a sua liderança.
"Nos anos que me restam, e dentro das minhas possibilidades, continuarei junto dos que propugnam pela realização de um pacto (apartidário) de verdadeira paz e reconciliação nacional", escreveu.
Numa perspectiva mais ampla sobre o futuro do continente, Moco voltou a defender a realização de uma conferência em Adis Abeba que permita aos países africanos olhar para o futuro, deixando para trás os conflitos e divisões históricas, sem procurar regressar a realidades que considera irrepetíveis.
A terminar a mensagem, o antigo chefe do Governo angolano pediu saúde para continuar a defender estas causas, mantendo o tom bem-humorado ao referir-se à coincidência do seu aniversário com a realização da final do Mundial de Clubes, brincando que não tinha "bajulado a FIFA" para receber tal "prenda" e desejando apenas que "ganhe o melhor".
A publicação surge numa altura em que Marcolino Moco continua a afirmar-se como uma das vozes mais críticas e independentes da política angolana, recorrendo frequentemente às redes sociais para partilhar reflexões sobre a governação, a democracia e os desafios do desenvolvimento em Angola e em África.

