A dirigente apelou aos militantes, em particular à juventude do partido, para reforçarem a sua presença no espaço digital, combatendo aquilo que classificou como "falsas narrativas" difundidas pelos adversários políticos.
As declarações foram feitas durante um acto político de massas realizado na província da Huíla, em apoio ao presidente do MPLA, João Lourenço. No seu discurso, Mara Quiosa destacou que a comunicação política sofreu profundas transformações e que o impacto das plataformas digitais exige uma adaptação das estratégias de mobilização.
Segundo a vice-presidente do partido, a disputa política deixou de ocorrer apenas nos comícios, debates públicos ou nos meios de comunicação tradicionais, passando também pelas redes sociais, onde, afirmou, existem tentativas de manipular a opinião pública e influenciar os jovens através da disseminação de informação considerada falsa.
"Actualmente um telemóvel na mão de um jovem é mais forte do que mil megafones. Vivemos tempos em que a batalha política já não se trava apenas nos comícios ou nos debates tradicionais, mas também no campo da informação digital", afirmou Mara Quiosa, acrescentando que há forças interessadas em "fabricar falsas narrativas", manipular a juventude e dividir os angolanos.
Perante este cenário, a dirigente incentivou os membros da JMPLA a ocuparem o espaço digital "com inteligência, argumentos, criatividade e patriotismo", defendendo que o partido deve investir na educação política e na capacitação dos jovens para responderem aos desafios colocados pelas plataformas digitais. O objectivo, disse, passa por evitar que a juventude seja influenciada por "promessas vazias" e por mensagens que, segundo o MPLA, distorcem a realidade.
Mara Quiosa dirigiu igualmente uma mensagem à Organização da Mulher Angolana (OMA), sublinhando o papel das mulheres na mobilização política e social. Na sua intervenção, afirmou que as mulheres desempenham uma função determinante na educação das famílias, na organização das comunidades e na transmissão dos valores da paz, da reconciliação e da unidade nacional.
A vice-presidente sustentou que o contributo da OMA continua a ser essencial para a consolidação da estratégia política do MPLA, defendendo que "sem a força das mulheres da OMA não há mobilização completa, não há coesão social verdadeira e não há vitória possível".
Durante a intervenção, Mara Quiosa fez ainda um balanço positivo das recentes assembleias de prestação de contas e de renovação de mandatos realizadas no seio do partido, considerando que o processo contribuiu para fortalecer a democracia interna, melhorar a organização das estruturas e aumentar a capacidade de mobilização, além de promover a entrada de novos militantes.
A dirigente defendeu igualmente o reforço do diálogo entre o MPLA e a sociedade civil, argumentando que a revitalização da militância depende da capacidade do partido em ouvir as preocupações dos cidadãos e manter uma mobilização permanente junto das comunidades.
No encerramento do discurso, que durou cerca de 20 minutos, Mara Quiosa apelou aos militantes para encararem o 9.º Congresso Ordinário do MPLA como uma etapa estratégica de preparação para as eleições gerais de 2027. Segundo afirmou, o congresso deverá ser vivido com confiança, responsabilidade e um "profundo sentimento patriótico", numa perspectiva de reforço da organização interna e de preparação para os desafios políticos que se avizinham.

