Quinta, 12 de Fevereiro de 2026
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Quinta, 12 Fevereiro 2026 09:48

TAAG dificulta auditoria do Tribunal de Contas às contas de 2024

O actual Conselho de Administração (CA) da TAAG – Linhas Aéreas de Angola, liderado por Clóvis Lara Martins Rosa, ainda não submeteu ao Tribunal de Contas (TC) as contas relativas ao exercício de 2024, registando um atraso superior a nove meses face aos prazos legalmente estabelecidos.

Segundo informações apuradas pelo Imparcial Press, a administração da companhia tem justificado a não entrega da documentação com o argumento de que as contas deveriam ser assinadas pelo anterior presidente do conselho de administração, António dos Santos Domingos, entretanto demissionário.

O Tribunal de Contas entende, no entanto, que esta posição carece de fundamento jurídico e estatutário, uma vez que a responsabilidade pela prestação de contas recai sobre o órgão de gestão em efectividade de funções.

O atraso ocorre apesar de a TAAG ter invocado, em momentos anteriores, a possibilidade de uma moratória associada ao alegado ataque cibernético sofrido em Setembro de 2024, argumento que não terá sido plenamente acolhido pelos órgãos de fiscalização externa.

Paralelamente, o Tribunal de Contas mantém reservas quanto aos elevados montantes pagos à empresa Teleservice, contratada em 2022 para a gestão do serviço de transporte da frota da própria companhia aérea.

De acordo com elementos analisados no âmbito da fiscalização, a Teleservice aufere cerca de 230 milhões de kwanzas mensais, apesar da existência de várias outras empresas no mercado a prestar serviços de aluguer de viaturas à TAAG.

A contratação da Teleservice remonta ao mandato da anterior administração, tendo ocorrido sob orientação da então presidente do conselho de administração, Ana Major, e com intervenção do então director de Aprovisionamento, Adilson Paulo.

Ainda assim, fontes internas do Imparcial Press questionam a manutenção do contrato, apontando alegada falta de justificação económica e operacional, sobretudo num contexto em que a companhia dispõe igualmente de frota própria.

As reservas do Tribunal de Contas estendem-se igualmente à fiscalização das contas referentes ao exercício de 2023, na qual foram identificadas diversas irregularidades relacionadas com a contratação de serviços de terceiros, em particular no aluguer de viaturas.

Segundo o relatório, algumas empresas prestaram serviços à TAAG durante mais de um ano sem contratos formalizados, facturando valores mensais que poderão atingir, individualmente, cerca de 100 milhões de kwanzas e, em conjunto, aproximadamente 300 milhões de kwanzas.

A fiscalização refere ainda que algumas dessas empresas estariam ligadas a responsáveis da companhia, nomeadamente ao director de Logística, Hélder Correia, e à administradora Manuela Pardal, em referência a vínculos profissionais anteriores noutras empresas do sector privado.

O Tribunal de Contas chama também a atenção para o aumento significativo do número de cargos de chefia na TAAG, decisão atribuída ao actual Conselho de Administração, que terá contribuído para o crescimento do número de viaturas alugadas atribuídas a colaboradores individuais, incluindo nacionais e expatriados.

Conforme as mesmas fontes, parte dessas atribuições não estará em conformidade com as políticas internas da companhia, apesar de a TAAG dispor de viaturas próprias destinadas ao apoio geral dos trabalhadores. Imparcial Press

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