Em entrevista ao programa “Conversas Essenciais” da Rádio Essencial, no último sábado, 7, o também antigo ministro das Finanças lembrou que foi no seu consulado enquanto governador que o empresário José Maria Zeferino foi reclamar a dívida de 440 milhões de kwanzas que o Estado terá contraído com compra de caixões, comida e outros bens fornecidos ao governo provincial e às Forças Armadas.
“Com experiência que tenho de ministro das Finanças, mandei colocar o projecto em análise. Ele reivindicava 440 milhões de kwanzas, fizemos a análise da dívida e verificámos que eram kwanzas reajustados, feita a conversão eram perto de 4 milhões de dólares”, conta, precisando, de seguida, que, depois de ser passada pela “peneira”, concluíram que a dívida não valia na verdade mais de 400 mil dólares.
Segundo Júlio Bessa, após a análise, o empresário foi chamado e informado, tendo o governo remetido um ofício ao Ministério das Finanças em que autorizava o pagamento apenas do valor certificado. “Dias depois saiu uma matéria a dizer que eu tinha feito negociação com este empresário, houve o comunicado do governador provincial, das Finanças e da PGR a desmentir e instaurar o processo crime ao empresário porque boa parte desta dívida era falsa”, garante, mostrando-se incrédulo pelo reaparecimento da dívida em valores muito além do certificado pelo seu governo de então, sem esquecer o facto de existir um processo-crime contra o empresário.
“Há corrupção e isto é uma prova”, respondeu Júlio Bessa, que justifica a queixa à PGR contra o empresário pelo facto de este ter apresentado “dados falsos”, indicando mesmo que José Maria Zeferino chegou a pedir-lhe desculpa, três meses depois de ter deixado a liderança do governo provincial. Valor Económico

