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Terça, 16 Janeiro 2024 17:48

Economista considera povo angolano “única vítima” das irregularidades na Sonangol

O economista Carlos Rosado de Carvalho disse hoje que a única vítima das alegadas irregularidades na Sonangol “é o povo angolano” e não Isabel dos Santos, referindo que a falência da petrolífera estatal angolana já vinha dos anteriores gestores.

Rosado de Carvalho, que considera que os tribunais devem decidir o processo que envolve a gestão de Isabel de Santos na Sonangol, considera que a empresária, filha do ex-presidente da República, cometeu “imprudências” na sua gestão, mas também sustenta e esta já encontrou a empresa em falência.

Em declarações à Lusa, o economista angolano recordou que o anterior presidente da petrolífera, José Maria de Lemos, já havia anunciado falência da empresa, razão que originou a criação de uma comissão, cujo comité técnico era dirigido pelo atual diretor de gabinete do Presidente angolano, Edeltrudes Costa.

A referida comissão, prosseguiu, criou um plano de reestruturação, ocasião em que Isabel dos Santos já atuava como consultora da empresa, antes da sua nomeação para o comando da petrolífera.

“Acho que Isabel dos Santos se pôs muito a jeito, enfim os tribunais vão decidir, mas além das empresas de consultoria, Isabel dos Santos também tem um problema de uma ‘joint venture’ que tinha com a Sonangol no investimento com a Galp”, recordou Rosado.

“Foi muito imprudente e pôs-se a jeito de todas essas acusações que estão sendo feitas, a única coisa de Isabel dos Santos tinha para se salvar era o pai continuar no poder”, observou.

Para o também jornalista e conhecido comentarista angolano, neste processo todo a “única vítima que existe verdadeiramente é o povo angolano que foi prejudicado pelos atos de governação desde a independência, com cenas de corrupção que havia e continua a haver”.

“O povo angolano é a única vítima”, insistiu o economista, afirmando que “pagamentos ilegais” na Sonangol teriam sido feitos também na gestão de Manuel Vicente e de José Maria de Lemos, gestores que antecederam Isabel dos Santos.

A Sonangol “não começa com Isabel dos Santos, tem uma história anterior, então não foi Isabel dos Santos que levou a Sonangol à falência. Estes pagamentos à Isabel dos Santos de mais de 100 milhões de dólares - é muito dinheiro, é sim -, mas comparados com as falcatruas e as fraudes que cometeram na Sonangol até nem é nada, portanto onde estão os outros?”, questionou.

Carlos Rosado de Carvalho insistiu que Isabel dos Santos não foi a única gestora que fez pagamentos ilegais na Sonangol, apontando responsabilidades aos anteriores gestores, como Manuel Vicente, também ex-vice-presidente da República de Angola.

O Procurador-Geral da República “alertou ainda recentemente que já tinham acabado as suas imunidades”, frisou, referindo-se à Manuel Vicente.

“Isabel dos Santos não é vítima, a vítima foi o povo angolano, sublinhou, mas de alguma maneira parece haver aqui alguma seletividade” em relação à empresária”, afirmou.

A empresária angolana Isabel dos Santos é acusada de 12 crimes no processo que envolve a sua gestão na petrolífera estatal angolana, entre 2016 e 2017, segundo o despacho de acusação a que a Lusa teve acesso.

Isabel dos Santos é acusada de peculato, burla qualificada, abuso de poder, abuso de confiança, falsificação de documento, associação criminosa, participação económica em negócio, tráfico de influências, fraude fiscal, fraude fiscal qualificada (um crime cada) e de dois crimes de branqueamento de capitais.

Além da filha do ex-Presidente angolano, são acusados Paula Oliveira, amiga e sócia (seis crimes), o seu antigo gestor e amigo Mário Leite da Silva (seis crimes), o seu ex-administrador financeiro na Sonangol Sarju Raikundalia (nove crimes) e a consultora PricewaterhouseCoopers (PwC) (dois crimes).

Segundo o despacho, datado de 11 de janeiro, os arguidos causaram ao Estado angolano um prejuízo superior a 208 milhões de dólares (190 milhões de euros), repartidos entre 176 milhões de dólares (169 milhões de euros), 39 milhões de euros e cerca de 94 milhões de kwanzas (104 mil euros) envolvendo salários indevidamente pagos, vendas com prejuízo, fraude fiscal e pagamentos fraudulentos a empresas.

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