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Quinta, 26 Janeiro 2023 21:28

Omatapalo já encaixou mais de 2,5 biliões de dólares só com as adjudicações directas nos últimos dois anos

A Omatapalo – Engenharia e Construção, S.A., a empreiteira angolana que soma e segue na sua relação com as obras de construção civil no país, é, em círculos do poder, descrita como a ‘nova Odebretch do governo angolano’, desde a chega de um novo timoneiro à liderança do país.

A empresa passou a ser uma das, senão a maior, beneficiária dos contratos por ajuste directo na governação de João Lourenço. Desde 2018, e há quem diga que seja desde muito antes desta data, que a construtora tem sido a ‘detentora’ das grandes empreitadas do governo, cujos contratos são orçados em avultados milhões de dólares norte-americanos.

De 2021 a 2022, por exemplo, de acordo com pesquisas feitas por este portal a partir de despachos publicados em Diário da República, a empresa encaixou mais de 2,5 biliões norte-americanos só em contratações por ajuste directo, detendo mais de metade das grandes obras públicas espalhadas pelo país, com destaque para grandes unidades hospitalares, edifícios ministeriais, estruturas para instalações eléctricas, barragens, reabilitações de estradas, assim como a construção do ‘Cash Center’ do Banco Nacional de Angola (BNA), cuja empreitada está orçada em USD 57,3 milhões, tendo conseguido este último contrato por via de concurso público por ‘prévia qualificação’.

‘Sorte’ ou ‘alta qualificação’, o certo mesmo é que a construtora angolana, detida maioritariamente pelo actual governador de Benguela, Luís Manuel da Fonseca Nunes, tem sido escolhida, desde 2017, para executar as “mais importantes” obras do governo central.

Em de Agosto de 2021, a empreiteira foi escolhida, por ajuste directo, para executar a empreitada de construção e apetrechamento do edifício do ex-Ministério do Planeamento, em Luanda, uma empreitada que lhe permitiu encaixar USD 6.024.982,49.

Meses antes, isto em Junho de 2021, a Omatapalo fora anunciada como vencedora do concurso público, por prévia qualificação, para a construção do centro logístico vocacionado para o armazenamento, tratamento e distribuição de numerário do BNA (o Cash Center), com um orçamento avaliado em USD 50,8 milhões.

Já no mês de Novembro do mesmo ano, a empresa de Luís Nunes foi, mais uma vez, por ajuste directo, ‘agraciada’ com a construção do Centro de Formação de Jornalismo (Cefojor), na província do Huambo, cujo custo fixou-se em USD 23.155.756,95.

Em Maio de 2022, a Omatapalo foi escolhida, novamente por via de ajuste directo, para executar a empreitada de electrificação de 26 sedes municipais e 56 comunas das províncias do Namibe, Kuando Kubango, Huíla e Cunene, com uma execução orçada em USD 1.999 milhões.

No mês seguinte, isto em Junho, a Omatapalo juntou-se à Mota-Engil para conseguir o contrato de reabilitação de 306,6 km da Estrada Nacional (EN) 230, uma obra orçada em USD 427 milhões, que contou com financiamento do Deutsche Bank, tendo o executivo antes, para o mesmo fim, recorrido a um crédito de USD 100 milhões no Banco de Fomento Angola (BFA).

No mês de Outubro de 2022, bem no início do segundo mandato de João Lourenço — que foi reconduzido à frente dos destinos do país após as eleições de 23 de Agosto — a construtora foi de novo escolhida, por via da adjudicação directa, para construir um pavilhão multiusos na província do Kwanza-Norte, no valor de USD 23,8 milhões. A tarefa de fiscalização da obra foi atribuída à empresa de origem libanesa Dar Angola, num contrato orçado em USD 1,9 milhão.

A Omatapalo é, a par de outras três — Grupo Carrinho, Mota-Engil e Gemcorp — uma destas empresas com as quais o executivo de João Lourenço tem mantido uma relação privilegiada nas adjudicações de obras de grande complexidade arquitectónica, mas também de avultadas somas monetárias.

Participação da Omatapalo no projecto para a implantação de cinco centrais de produção de energia fotovoltaica em Angola mereceu reservas do Departamento de Comércio dos EUA e do Exim Bank, ao qual cabe o financiamento do empreendimento – USD 2.000 milhões. As ligações notórias ou presumidas da companhia com o poder político, tornando-a "politicamente exposta", constituem o principal motivo das reticências.

Sobre a Omatapalo

Constituída, em 2003, a partir da província da Huíla, por José Cordeiro, Manuel Henriques, Adilson Henriques, Rui Vieira e Luzia Rosa, a estrutura accionista da Omatapalo foi-se alterando ao longo do tempo com a entrada e saída de sócios, de acordo com dados publicados pelo ‘Maka Angola’, do jornalista investigativo Rafael Marques.

Em 2012, Luís Manuel da Fonseca Nunes, através da sua empresa Socolil Lizena, comprou 64,6% da Omatapalo e assumiu a presidência do Conselho de Administração (PCA) da mesma.

Passados três anos, em 2015, o empresário português Carlos Alberto Loureiro Alves criou, em Malta e como proprietário único, a sociedade anónima Highways Investment. Empresa esta que, por sua vez, em 2016, veio a adquirir 33% do capital social da Omatapalo, enquanto a Socolil consolidou a sua posição com 65% do capital.

Os restantes 2% viriam a ser assumidos pela Omatapalo Engenharia e Construções, segundo o Maka Angola. Em relação à Socolil, criada em 1990, na Huíla, trata-se de uma empresa familiar, detida em 60% por Luís Nunes e em 40% pela sua esposa, Maria Nunes.

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