Quinta, 30 de Junho de 2022
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Terça, 17 Mai 2022 19:03

Falhas de rede “beliscam” serviços de telefonia móvel em Angola

As constantes falhas de rede e o alto custo das tarifas continuam a ser as principais “dores de cabeça” dos mais de 15 milhões de assinantes de telefonia móvel em Angola, facto que desafia as operadoras a melhorarem os serviços prestados aos utentes.

Apesar da entrada em acção da quarta operadora, em Abril último, no país, os usuários de telefonia móvel ainda apontam o corte das chamadas, sinal de rede ocupada sem justificação e o envio de mensagens em horas impróprias como os constrangimentos mais visíveis que embaraçam o dia-a-dia dos clientes.

Constam também desses embaraços, a “evaporação/gasto do saldo em pouco tempo”, a indisponibilidade do número do telemóvel, o fraco sinal de internet, bem como o excessivo tempo de espera no atendimento dos clientes que afluem às lojas das operadoras.

Manuel Quintas, cliente da Unitel há 18 anos, é um dos usuários de telemóvel que tem sentido “na pele” as debilidades e ineficiências dos serviços das empresas de telefonia móvel, apontando a existência de injustiças no pagamento do saldo.

Em declarações à ANGOP, a propósito do Dia Internacional das Telecomunicações e da Sociedade da Informação, que se assinala esta terça-feira (17 de Maio), o utente afirmou que o saldo da Unitel, por exemplo, “é gasto em poucos minutos”, independentemente do valor da recarga.

Por conta disso, o também revendedor de recargas, nas imediações do “Zé Pirão” (Luanda), confessou que foi obrigado a suspender o uso da outra operadora (Movicel), para reduzir os custos, ficando apenas com a Unitel.

Porém, o usuário enaltece os planos que a Unitel tem praticado nos últimos meses, por facilitar o cidadão com baixo poder de compra. Actualmente, o preço mínimo do plano de voz, mensagem e dados dessa operadora ronda os 100 kwanzas.

Com a entrada em funcionamento da Africell, o cliente e comerciante também passou a usar a nova rede telefónica, mas dá nota negativa aos serviços prestados pela mais recente operadora, por registar cortes constantes nas chamadas, apesar do baixo custo e da rapidez da internet.

Na mesma senda, Conceição Júnior, cliente da Unitel há mais de 10 anos, apela à necessidade de se melhorar o atendimento aos utentes, que muitas vezes ficam mais de duas horas a espera numa fila da loja desta operadora.

“Estou na fila há cerca de duas horas para levantar a segunda via do número de telefone, mas o atendimento está muito lento, facto que provoca a desistência de muitos clientes”, lamentou a utente que se encontrava numa das lojas Unitel da cidade capital do país.

Segundo Conceição Júnior, que também desistiu de usar o número da Movicel, o saldo da Unitel “não demora”, mesmo falando poucos minutos, justificando a sua fidelidade nesta operadora com a qualidade do serviço e a falta de alternativa.

Por outro lado, a municipe, residente no KM 9-A, em Viana, elogia os serviços gratuitos da Africell, dando nota positiva à qualidade das chamadas e da velocidade da internet.

De acordo com a fonte, a qualidade da rede dessa operadora varia consoante a localização de cada usuário, facto que obriga essa empresa a melhorar os seus serviços em todas zonas de Luanda, em particular.

Quem também aderiu aos serviços da Africell é o cliente Domingos Adão, que aponta a falha da rede e o corte das chamadas, em algumas zonas de Luanda, como uma das debilidades desta operadora, apesar da gratuidade dos serviços pela mesma rede e o baixo preço do saldo.

O até então usuário apenas da rede Unitel há mais de 12 anos, augura que a nova operadora melhore os serviços e continue a praticar preços que se adequam ao bolso do cidadão, visando ajudar as pessoas com menos capacidade financeira.

Contudo, o utente considera positiva a qualidade dos serviços de voz, mensagens e internet da Unitel, apesar do custo elevado dos tarifários. Já a Movicel e a Africell praticam preços baixos, mas a qualidade dos serviços ainda estão longe de satisfazer as necessidades dos clientes.

Entretanto, a ANGOP contactou as respectivas operadoras para contrapor os argumentos dos clientes, mas não teve sucesso, aguardando pelos possíveis pronunciamentos dessas empresas.

Em Angola, a tarifa é calculada em UTT (Unidade Tarifária de Telecomunicações), uma unidade comum utilizada por todas as empresas de telecomunicações no país, estando as recargas disponíveis em preços variados com planos diversificados.

Unitel ainda lidera mercado de telefonia móvel em Angola

Apesar da presença da quarta operadora, a Unitel ainda continua a ser a líder no mercado de telecomunicações móveis em Angola, detendo pelo menos 11 milhões de clientes em todo o país.

Com início da actividade comercial em 2001, a operadora é uma empresa angolana prestadora de serviços na área de telecomunicações móveis, tendo sido a primeira a operar com a tecnologia GSM no mercado angolano.

Já a Movicel foi originalmente criada em 2003 como subsidiária da empresa estatal Angola Telecom, tendo começado com a tecnologia AMPS e posteriormente com CDMA. Desde 2021 toda a rede é GSM, com uma combinação de 2G, 3G e 4G, tendo neste momento o seu core já baseado em 5G com a alteração mais recente que foi feita.

Com aproximadamente 1,5 milhões de clientes, numa população de mais de 30 milhões de habitantes, a operadora oferece comunicação móvel baseada em GSM para comunicações de voz, mensagens de texto e multimédia e acesso à internet móvel, afirmando ter cobertura nas 18 províncias do país.

Tal como a Unitel e Africell, a Movicel vende seus serviços através de uma rede de lojas e distribuidores (agentes), cartões de recarga para contas pré-pagas, uma actividade também exercida pelos revendedores ambulantes.

Por outro lado, a mais recente operadora de rede móvel norte-americana, Africell, conta já com perto de dois milhões de assinantes em apenas um mês de operação em Angola.

A primeira operadora totalmente estrangeira licenciada para fornecer serviços móveis em Angola entrou em funcionamento no país no dia 7 de Abril de 2022.

Até Março último, antes da entrada em operação da Africell, Angola controlava mais de 15 milhões usuários de diversos tipos de telefones, desde os mais simples aos mais sofisticados, segundo dados avançados pela Direcção Nacional das Telecomunicações e Tecnologias de Informação.

Os dados divulgados, por ocasião do Dia Internacional do Telefone, que se assinalou no dia 10 de Março último, dão conta que as reformas do Executivo, em todos os segmentos da economia nacional resultaram, em 2020, na inauguração da primeira fábrica de montagem de telefone em Luanda.

Com a entrada em funcionamento da referida fábrica ficou facilitado o acesso aos telefones digitais e analógicos, de acordo com o Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social.

 
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