Segunda, 26 de Setembro de 2022
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Quinta, 10 Fevereiro 2022 17:34

Engenheiro Venâncio destaca erro de concepção e prevê ameaça de duração do Viaduto da Corimba

O engenheiro civil, António Venâncio, disse que o tão debatido nó "viaduto da Corimba", com apenas duas vias (faixas) de rodagem, se apresenta duvidoso quanto à sua serventia do ponto de vista funcional no tempo.

De acordo com o engenheiro, na insistência a que se propôs nos vários jornais e intervenções públicas abordando as estradas de Angola, quase não disse "nem mais um metro de asfalto" sem que antes se debruçasse primeiro sobre a necessidade de um "Plano Director Nacional das Grandes Obras de Engenharia e Normas".

"Faltou dizê-lo, mas agora se vê que precisamos mesmo de uma abordagem no plano das normas técnicas e dos procedimentos nesta matéria das estradas e nós rodoviários", defendeu.

Para este, o facto de o referido viaduto estar no alinhamento de uma EN, Estrada Nacional, de importância económica altamente estratégica, e que vai necessitar no futuro de um total de 4, 6 ou mesmo 8 vias (pelo menos 4 de cada lado) não se aconselha que no seu traçado sejam projectados nós, viadutos ou trevos, que possam com o tempo transformar-se em perturbadoras "gargantas" ou gargalos rodoviários" que vão afectar a fluidez e reduzir a eficácia da transitabilidade.

Neste quesito, e com a concordância de seus colegas que, provavelmente terão também dado conta do putativo erro de concepção, a durabilidade da obra fica ameaçada e não seria exagero se alguém diagnosticasse que a sua demolição será um facto nos próximos anos.

"Porquê?
Porque uma estrada nacional, tão estratégica, tão decisiva para a mobilidade urbana e a mobilidade rodoviária nacional, estrada que liga a capital do país a outras cidades importantes (Sumbe, Lobito, Benguela), não deve receber obras obstaculizantes, estreitas ou pobres de vias ou faixas, que venham no futuro (quando a estrada for altamente convidativa para ligar Luanda a Benguela) a afectar a fluidez do trânsito à saída de Luanda para o interior sul do país", considerou.

No seu entender, é exactamente por isso que os Planos Directores devem sempre ser reavaliados, periodicamente, para lhes serem introduzidas as devidas correcções de eficácia conceptual.

Segundo o engenheiro de construção civil, depois do viaduto da Corimba, fica provado que a sua insistência, afinal, teve razão, pois é possível evitar futuras demolições se houver mais ousadia na normatização das obras de engenharia no país.

O Ministro de Estado para a Cooperação Económica, Manuel Nunes Júnior, inaugurou a 01 de fevereiro, o novo viaduto da Corimba, localizado no distrito da Samba, município de Luanda, que visa segundo informações, facilitar a fluidez do tráfego local e a mobilidade para os automobilistas que transitam da zona sul de Luanda para a baixa da cidade, passando pela Estrada da Samba, num percurso que conta igualmente com um outro viaduto na zona do Zamba 2, construído há sensivelmente 15 anos.

Durante a ocasião, o governante recebeu a garantia de Mário Costa, Director da empresa Carmon, responsável pela construção da referida infraestrutura, de que o projecto poderá durar cerca de 50 anos, caso se cumpram com as manutenções periódicas regulares.

"Esse projeto (localizado no distrito da Samba, município de Luanda), começou a ser implementado em 2018, com a participação de 95% de mão-de-obra nacional, e tem um tempo de durabilidade de 50 anos, sempre estando dependente de manutenções periódicas a cargo dos órgãos de tutela", fez saber o engenheiro.

Salienta-se que, com apenas 600 metros de comprimento, o novo viaduto custou aos cofres do Estado cerca de 32 milhões de dólares norte-americanos.

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