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Quinta, 15 Outubro 2020 21:05

Generais Kopelipa e Dino proibidos de saírem de Angola

A medida de coação aplicada pela Procuradoria Geral da República, PGR, aos Oficiais Generais, Manuel Hélder Vieira Dias Júnior e Leopoldino Fragoso dos Nascimento, os impede de saírem do país, enquanto durar o processo em que são acusados da prática do crime de corrupção, noticiou hoje a RNA.

Depois de serem ouvidos entre terça e quarta-feira, os mesmos deverão apresentar-se, periodicamente, na sede da Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal da PGR.

Na quarta-feira os generais angolanos Leopoldino Fragoso do Nascimento "Dino" e Hélder Vieira Dias "Kopelipa" entregaram ao Estado bens e participações em empresas adquiridos com dinheiros públicos.

Depois de ambos generais terem sido ouvidos na Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP), a Procuradoria Geral da República (PGR) de Angola revelou que, na qualidade de representantes das empresas China International Fund Angola -- CIF e Cochan, S.A., os generais entregaram as acções que detinham na empresa Biocom-Companhia de Bionergia de Angoala, Lda., na rede de Supermercados Kero e na empresa Damer Gráficas-Sociedade Industrial de Artes Gráficas SA.

Entre outros bens devolvidos estão ainda fábricas de cimento, de cerveja e de montagem de automóveis, bem como os equipamentos, máquinas e móveis afectos, e os bens apreendidos pelo Serviço Nacional de Recuperação de Activos (SENRA) em fevereiro passado.

Da lista dos bens devolvidos, segundo a PGR, constam a centralidade do Kilamba, com um total de 251 edifícios e 837 vivendas, os edifícios CIF Luanda One e CIF Luanda Two.

Processo-crime continua

A nota assinada pelo director do Gabinete de Comunicação e Imprensa da PGR, Álvaro João, esclarece que todos os bens “passam a integrar, de forma definitiva, a esfera patrimonial do Estado” e que essa a transferência “não obsta o prosseguimento do processo-crime”, em curso contra aqueles generais.

Como a VOA informou anteriormente, entre outros crimes, aqueles antigos homens fortes do Presidente José Eduardo dos Santos são acusados de peculato, lavagem de capitais e burla, num processo relacionado com uma linha de crédito de 2,5 mil milhões de dólares concedida pelo Banco Industrial e Comercial da China a Angola através da empresa China International Fund (CIF).

A 11 e 17 de fevereiro, a PGR tinha apreendido em Luanda duas torres, com cerca de 25 andares, propriedades da CIF.

Antes, mais de mil imóveis no Zango 0 e Kilamba, construídos com fundos públicos e que estavam na posse de entidades particulares, também foram apreendidos.

Na altura, a televisão estatal citou o nome de Leopoldino do Nascimento “Dino” e de “outras altas patentes que lhe são próximas”, como estando entre os suspeitos de serem os “ beneficiários últimos” dos imóveis arrestados pela PGR, avaliados em mais de 500 milhões de dólares.

Em resposta, o general "Dino" negou ser proprietário de qualquer dos imóveis citados e num comunicado disse que as alegações “não correspondem com a verdade dos fatos e atentam contra os direitos ao bom nome, honra e verdade" dele.

Até agora, o general "Kopelipa" nunca se pronunciou.

China International Fund

A China International Fund é propriedade quase que total da Dayuan International Development, parte do chamado 88 Quensway Group, sendo 88 Queensway a morada onde estão sediadas as diversas empresas do grupo.

Lo Fong Hung, que foi presidente da CIF, é ou foi também diretora da Sonangol Sinopec International, uma “joint venture” entre as companhias estatais Sinopec da China e Sonangol de Angola. C/VOA

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