Sexta, 10 de Abril de 2026
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Sexta, 10 Abril 2026 14:02

UNITA é “frágil”, pouco estruturada e sem propostas concretas de governação”, afirma Tito Cambanje

Numa entrevista ao Polígrafo África, o advogado e membro do Comité Central do MPLA, Tito Cambanje, traça um retrato marcadamente crítico da oposição angolana, ao mesmo tempo que demonstra forte confiança numa vitória expressiva do seu partido nas eleições gerais de 2027.

Cambanje considera que a oposição, incluindo a UNITA, é “frágil”, pouco estruturada e sem propostas concretas de governação. Na sua leitura, trata-se de uma oposição “mais de reacção do que de acção”, incapaz de gerar confiança no eleitorado ou apresentar alternativas consistentes para o desenvolvimento do país. Chega mesmo a afirmar que espera que nunca alcance o poder, embora ressalve que a decisão final cabe sempre ao povo angolano.

Em contraste, sustenta que o MPLA reúne condições sólidas para vencer as próximas eleições com maioria qualificada. Essa convicção assenta, segundo explica, na forte capacidade de mobilização do partido, no seu enraizamento social e nos sinais de crescimento económico, sobretudo fora do sector petrolífero. Destaca ainda o próximo congresso do MPLA como um momento-chave de renovação interna, com aposta no rejuvenescimento e na reorganização das estruturas.

No plano governativo, Cambanje revisita a sua passagem como director-geral do Instituto de Supervisão de Jogos, sublinhando a modernização do sector. Durante o seu mandato, refere ter sido criado o enquadramento legal para o jogo online, promovida maior responsabilidade social dos operadores e reforçada a sensibilização para os riscos de adição. Um dos principais resultados apontados foi o aumento significativo das receitas fiscais, que passaram de menos de mil milhões para mais de 10 mil milhões de kwanzas.

Enquanto consultor do Ministério das Finanças, destaca o envolvimento em projectos estratégicos como a Refinaria de Cabinda, salientando a importância de conciliar os interesses do Estado com os dos investidores, nomeadamente através de soluções fiscais equilibradas e orientadas para o emprego e o desenvolvimento local.

Sobre o legado do Presidente João Lourenço, Cambanje identifica três traços principais: patriotismo, coragem e sensibilidade social. Aponta investimentos em sectores como a saúde como evidência de uma governação orientada para o bem-estar da população, ainda que reconheça desafios persistentes, como o combate à malária.

No domínio institucional, defende que o actual modelo de nomeação do Procurador-Geral da República não compromete a independência do sistema judicial, sublinhando que o essencial reside no exercício ético e legal das funções.

Quanto ao combate à corrupção, reconhece a complexidade na prova destes crimes e defende a adopção de mecanismos alternativos para recuperação de activos no exterior, incluindo compensações em bens.

Em síntese, a entrevista revela uma posição firme de defesa do MPLA e uma visão crítica da oposição, num contexto em que o país se prepara para um novo ciclo eleitoral em 2027.

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