As declarações foram feitas durante um debate na Rádio Essencial, onde o político criticou duramente a transparência das eleições no país.
Segundo Luís de Castro, o papel desempenhado pela INDRA no processo eleitoral é meramente formal, defendendo que a empresa limita-se a divulgar resultados previamente definidos. “A INDRA divulga os resultados que lhes são entregues pelo MPLA”, afirmou, acrescentando que “quem distribui os votos é o MPLA”.
O dirigente político relativizou ainda a importância técnica da empresa, considerando que as suas funções poderiam ser asseguradas por entidades nacionais. “Qualquer empresa, qualquer estudante com conhecimentos básicos faria o que a INDRA faz”, disse, sublinhando a existência de empresas angolanas com capacidade para desempenhar essas tarefas.
Entre as principais críticas, destacou o que considera ser um custo elevado e injustificado associado à contratação da empresa estrangeira. “Estamos a pagar para sermos enganados”, afirmou, defendendo que a presença da INDRA representa também uma saída de recursos financeiros do país. “É uma forma de retirar mais dinheiro de Angola para o estrangeiro”, acrescentou.
Luís de Castro apontou ainda alegadas irregularidades logísticas no processo eleitoral, referindo relatos sobre falhas no transporte de material em algumas zonas de Luanda, nomeadamente em Viana. Segundo disse, essas falhas terão levantado dúvidas quanto ao destino e tratamento de parte dos resultados eleitorais.
Apesar das críticas à INDRA, o líder do Partido Liberal considerou que a responsabilidade principal recai sobre o MPLA. “O problema não está na INDRA. O que a INDRA faz é divulgar os resultados que o MPLA decide atribuir a cada partido”, afirmou, recusando desviar o foco do partido no poder.
O político alertou também para possíveis práticas de sobrefaturação nos contratos associados ao processo eleitoral, questionando os montantes pagos à empresa. Defendeu, por fim, a necessidade de maior transparência e de recurso a capacidades nacionais, argumentando que tal poderia reduzir custos e reforçar a confiança pública nas eleições.
As declarações surgem num contexto de debate recorrente sobre a credibilidade dos processos eleitorais em Angola, com vários actores políticos a pedirem reformas que garantam maior independência e fiscalização das instituições envolvidas.

