Sábado, 26 de Novembro de 2022
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Quarta, 28 Setembro 2022 13:12

UNITA minimiza declaração do Bureau Político do MPLA e diz que "quem não dialoga é fraco"

A UNITA minimizou a declaração do Bureau Político do MPLA emitida terça-feira, 27, onde este partido pede ao povo para repudiar todas as acções que visem "alterar o sentimento expresso pelos angolanos nas urnas" e anuncia de forma inequívoca que não vai dialogar com a UNITA nem caminhar com o partido do "Galo Negro" como propôs Adalberto Costa Júnior.

"Nós realizamos uma marcha da liberdade pacífica, ordeira e calma", disse ao Novo Jornal o porta-voz da UNITA, Marcial Dachala, questionado sobre a posição do Bureau Político do MPLA, acrescentando que quem não aceita reptos para dialogar "é fraco".

O MPLA diz mesmo que não caminhará em qualquer circunstância com o líder do partido do "Galo Negro" depois deste ter admitido caminhar junto com o MPLA se isso for importante para defender os interesses dos angolanos, Marcial Dachala, respondeu que o diálogo é a arma dos homens fortes.

"Aquele que liminarmente exclui o diálogo na sua forma de estar e de ser na vida é fraco. Nós pensamos que vamos continuar na nossa linha, aquilo que foi definido claramente pelo nosso líder. Isso não demorara muito tempo, vamos dialogar", acrescentou o porta-voz da UNITA salientando que a isso lhes impõe a história do País.

Refira-se que o Bureau Político (BP) do MPLA pediu em comunicado ao povo para repudiar todas as acções que visem "alterar o sentimento expresso pelos angolanos nas urnas" numa resposta directa ao discurso feito pelo líder da UNITA na manifestação de Sábado, em Luanda.

Nesta resposta atirada contra Adalberto Costa Júnior, o BP do MPLA diz mesmo que não caminhará em qualquer circunstância com o líder o partido do "Galo Negro" depois deste ter admitido caminhar junto com o MPLA se isso for importante para defender os interesses dos angolanos.

Em comunicado, o BP do MPLA vem opor-se às "narrativas eivadas de intenções que atentam contra a soberania nacional e os seus titulares, a integridade territorial, a ordem constitucional, bem como a dinâmica de desenvolvimento económico, político, social e cultural que Angola regista", focando-se no discurso do líder da UNITA no Sábado.

"Contrariamente aos discursos demagogos dos seus adversários políticos, o MPLA reitera o compromisso de continuar a trabalhar tendo como bússola uma comunicação verdadeira e honesta, capaz de mobilizar os angolanos em prol do desenvolvimento económico e social do País", lê-se numa "nota de repúdio" divulgada pelo Bureau Político do MPLA.

Este órgão máximo do partido no poder exorta, mais uma vez, os angolanos de bem a "manifestarem o seu sentimento de reconhecimento e de orgulho patriótico pela missão do Executivo proporcionar melhores condições de vida às populações".

"O MPLA jamais alinhara com forças políticas que não respeitam a Constituição e a Lei, promovem a subversão, incitam actos de violência e vandalismo, recusam-se a respeitar a vontade popular, chegando ao ponto de não felicitar o vencedor, a quem agora se arrogam ao direito de convidar para caminhar lado a lado", acrescenta a nota, numa alusão ao que disse o líder da UNITA no Sábado, no sentido de não ver problemas em caminhar com o MPLA pelos interesses dos angolanos.

De acordo com o documento, o MPLA, como partido sério com responsabilidades de Estado, "caminhará, sim, com as forças políticas que defendam o patriotismo e a unidade nacional, promovam a paz e a estabilidade e contribuam para o fortalecimento da democracia e o desenvolvimento de Angola".

"O Bureau Político considera de grave os discursos injuriosos e de incitação à subversão, feitos por aqueles que na Assembleia Nacional juraram perante o povo angolano em cumprir e fazer cumprir as leis do País", refere.

O Bureau Político do MPLA apela aos seus militantes, simpatizantes e amigos, que mantenham a calma e serenidade, abstendo-se de provocações e deixando que "as autoridades competentes respondam com força legal ao irresponsável protagonismo que determinados actores políticos avocam para si, ao arrepio do constitucional e legalmente consagrado".

Por fim, a direcção do MPLA insta a população em geral a pautar por uma conduta de cidadania em que se eleva a protecção dos direitos individuais e colectivos, no intuito de preservar a paz, a estabilidade e a desaconselhar actos de desrespeito às autoridades.

Adalberto Costa Júnior, disse hoje em Luanda, durante um discurso no âmbito da "marcha pela Liberdade" que hoje levou milhares de pessoas ao Largo das Escolas, que está disposto a "caminhar junto com o MPLA" para fazer de Angola um país democrático e justo e melhorar a vida dos angolanos, mas avisou que vai cobrar as promessas eleitorais de João Lourenço que coincidirem com as suas, como as eleições autárquicas em 2023.

O que disse ACJ?

O presidente da UNITA e líder da Frente Patriótica Unida (FPU) disse no Sábado, 24, que vai pedir rapidamente um encontro ao Presidente da República para procurar um caminho que permita fazer o país um lugar bom para todos os angolanos.

Acrescentou que vai usar "todos os poderes" enquanto Conselheiro da República para aconselhar João Lourenço até ao limite" de forma a construir uma Angola sem instituições partidarizadas sujeitas ao ditames do partido único.

"Angola tem futuro, queremos as reformas que o país precisa, o nosso inimigo comum é o Estado partidário, o partido único... e desta vez expusemos sem limite as instituições partidárias e vamos continuar a luta dentro e fora das instituições".

Costa Júnior insistiu na ideia de que a UNITA ganhou as eleições e que a vitória foi roubada ao povo que votou corajosamente a 24 de Agosto.

Num comício onde todos os intervenientes insistiram na urgência de libertação dos "presos de consciência e políticos", a realização de eleições autárquicas em 2023, combater a fome, a pobreza e o desemprego, a luta contra o Estado partidário e pela sujeição do regime à vontade popular, o líder o partido do "Galo Negro" disse estar consciente de que muitos queriam ver o povo a lutar nas ruas pela alteração das instituições do Estado pela força mas garantiu que esse não é o seu caminho nem o caminho da FPU.

 "Sabemos que há angolanos que estavam a pedir o derrube das instituições por vias não-democráticas, na rua, mas nós não concordamos com esse caminho... Mas vamos chegar lá num percurso sem sangue, com orgulho, todos juntos por Angola", apontou.

Explicou aos milhares de jovens que o escutavam que os 90 deputados eleitos pela UNITA entraram no Parlamento e ele próprio tomou o seu lugar no Conselho da República para a partir destas instituições ajudar a construir o futuro de Angola, que disse que vai ser "diferente e melhor"

"Entramos no Parlamento, tomei posse no Conselho da República e vou usar os meus poderes para aconselhar até o limite João Lourenço, sem dúvida, para construir uma Angola diferente para os angolanos... vou ajudar João Lourenço e vou-lhe pedir já um encontro para fazer de Angola um país melhor...", informou.

Mas avisou que vai cobrar todas as promessas comuns da UNITA e do MPLA, desde logo a realização em 2023 das eleições autárquicas.

"Vamos cobrar a realização de eleições autárquicas em 2023, se não for assim, vamos cobrar a mentira a João Lourenço", advertiu, e avançou que vai "usar as instituições e a pressão democrática da rua para lutar pela dignidade dos angolanos".

Mesmo que seja ao lado do MPLA: "Não é um problema caminhar com o MPLA ao nosso lado, por Angola faremos isso, não vamos deixar mal o povo apesar disso... em nenhuma circunstância".

Disse ainda que estas manifestações se vão repetir quantas foram preciso e durante o tempo que for preciso até que as coisas mudem.

"Um mês depois de termos votado cheios de esperança e responsabilidade por um futuro melhor, temos razões para dar os parabéns a todos os angolanos porque votaram em consciência e fizeram história. Neste país todos sabem quem ganhou as eleições", notou. NJ

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