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Sábado, 11 Abril 2020 17:20

Covid-19: Dirigentes da UNITA vão doar 50 por cento dos salários

Os dirigentes do MPLA foram impelidos pelo Bureau Político a doar 25 por cento dos seus salários para apoiar os esforços de combate à pandemia de Covid-19. Questionada sobre a bondade da medida, a UNITA revelou ao Novo Jornal que há mais de uma semana que os deputados do partido decidiram que doariam 50 por cento dos seus vencimentos.

Do lado do MPLA, o porta-voz da reunião, Salomão Xirimbimbi, revelou, citado pela Angop, que os militantes do "partido dos camaradas" com funções de responsabilidade no Parlamento, Executivo e direcção central, devem efectuar as suas contribuições, voluntariamente, já neste mês de Abril com, no mínimo, 25 por cento do salário base.

Do lado da UNITA, Adalberto Costa Júnior diz que, embora não tenha feito alarido, o partido do "Galo Negro" há mais de uma semana que tomou essa decisão.

Mas isso não chega, afirmou o presidente da UNITA, para dizer que é preciso criatividade do Governo para encontrar soluções para uma população a quem é pedido que fique me casa sem lhe dar alternativa para o sustento das famílias.

"As medidas do Governo, provavelmente por indisponibilidade orçamental, não correspondem às necessidades das famílias, e, mesmo o valor de 8.500 Kwanzas que vai passar a ser disponibilizado em Maio, é irrisório, não chega para comprar um saco de arroz para uma família angolana", afirma Adalberto Costa Júnior.

Para o líder do "Galo Negro", fechar compulsivamente mercados, sem antes oferecer alternativas, é um enorme erro e uma enorme falta de sensibilidade, pois quem compra nos mercados informais não tem capacidade financeira de ir comprar nos mercados formais e quem vende num mercado informal, destruído, vai à procura de outro espaço para vender".

"É irreal. Como é que é que as pessoas vão ficar em casa?", pergunta.

Adalberto da Costa Júnior defende que se não forem oferecidas alternativas à população, a eficácia das medidas de excepção que configuram o Estado de Emergência podem ser comprometidas, arriscando tornar este instrumento constitucional inútil na prevenção da Covid-19 em Angola, o que "acarretaria consequências imprevisíveis".

O presidente da UNITA defende também a abertura de uma nova conta solidária, "mas não gerida pelo Governo", antes por representantes da sociedade civil e da igreja, para que as pessoas, das mais diversas sensibilidades, possam contribuir "sem desconfiança" e defende que é "urgente ampliar largamente a capacidade de realizar testes que permita uma busca mais activa de infectados na comunidade para possibilitar a identificação precoce dos casos, o seu isolamento e a assistência médica". NJ

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