Terça, 22 de Junho de 2021
Follow Us

Segunda, 23 Dezembro 2013 17:52

Para a descolonização das mentes Angolanas

No dia 25 de Abril de 1974 foi derrubada a ditadura e instaurou-se a democracia em Portugal, com o triunfo da “Revolução dos Cravos” pelo Movimento das Forças Armadas (MFA), chefiado principalmente pelos generais António Sprínola e Francisco da Costa Somes. 

Um dos objectivos do programa do MFA era de encontrar uma solução para a guerra colonial.

Portugal reconheceu as suas colonias o direito à independência. Os militares portugueses destacados em Angola suspenderam as suas operações militares, libertaram 200 (duzentos) prisioneiros políticos angolanos em S. Nicolau (Moçâmedes actual Namibe). Criaram-se assim condições para discutir o problema da guerra colonial.

Aos 17 de Junho de 1974, a União Nacional Para a Independência Total de Angola (UNITA), assinou um acordo de trégua com os portugueses numa das bases de guerrilha no Moxico.

O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), assinou o cessar fogo com os Portugueses aos 21 de Outubro de 1974, numa das bases de guerrilha no Moxico.

 A Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), também aderiu o cessar fogo com os portugueses.

A FNLA, o MPLA, e a UNITA, decidiram conjuntamente formar uma Frente Comum para negociar com o governo português a independência de Angola.

De 2 a 5 de Janeiro de 1975, Holden Roberto presidente da FNLA, Dr. António Agostinho Neto e Dr. Jonas Malheiro Savimbi, presidente da UNITA, assinaram um acordo em Mombaça no Quénia, onde os três movimentos de libertação de Angola, foram reconhecidos como partidos independentes a quem cabia iguais direitos e responsabilidades. Os três líderes – Holden, Neto e Savimbi – comprometeram-se a formar um governo de Transição, trabalhando com o governo Português até à proclamação da independência de Angola.

Aos 15 de Janeiro de 1975, os três líderes dos movimentos de libertação de Angola – Holden, Neto e Savimbi – e o governo Português assinaram em Alvor, na Penina, na Província de Algarve em Portugal, um acordo denominado “Acordo de Alvor”.

Nos Acordos de Alvor concordou-se formar o governo de Transição de Angola aso 31 de Janeiro de 1975 com cunho de unidade nacional, em que as pastas ministeriais eram repartidas por três movimentos. Por exemplo, o Ministério da Saúde era dirigido pelo Dr. Samuel Abrigada, da FNLA; o Ministério da Informação era dirigido por Dr. Manuel Rui Alves Monteiro, do MPLA; o Ministério da Educação era dirigido pelo Dr. Gerónimo Uanga, da UNITA. O cargo de Chefe do Governo (Primeiro Ministro) foi atribuído a três elementos: John Pinock Eduardo, da FNLA; Lopo do Nascimento, do MPLA e Dr. José Ndele da UNITA.

Decidiu-se e concordou-se que cabia ao Governo de Transição e sobre a supervisão do Alto Comissário em Angola nomeado pelo Governo Português, a formação do exercito angolano, composto por 24 (vinte e quatro), mil homens, sendo 8 ( oito) mil da FNLA, e 8 (oito) mil do MPLA e 8 (oito) mil da UNITA em substituição de 50 (Cinquenta) mil soldados portugueses que operavam em Angola que paulatinamente regressariam para Portugal.

O governador geral de Angola – Santos e Castro – foi substituído, nesta altura, pelo secretário de Angola o tenente coronel Soares Carneiro, até a nomeação de Rosa Cautinho como Alto Comissário de Angola.

Nos Acordos de Alvor o Dr. Jonas Malheiro Savimbi defendeu intransigentemente a reconciliação nacional ao definir a Angolanidade, isto é, quem é angolano. Savimbi via e conhecia Angola como a palma da sua mão onde circulavam milhões de pessoas diferentes na cor da pele, dos olhos, do cabelo, diferente na estatura, no feitio, nos costumes e tradições, diferentes na forma de vestir, diferentes na língua falada, na comida consumida, diferentes nas festas celebradas, na religião que professam, etc. Segundo Savimbi, estas diferenças não deviam constituir motivo de divisão e divergência; deviam ser antes encaradas como forma de enriquecimento. Afirmava ele que era o RESPEITO pela diversidade que as pessoas se tornam pessoa. Não achava justo discriminar ou empurrar alguém que nasceu em Angola ou quer viver em Angola independente para Portugal, só por ser “branco”. Por isso definiu que é angolano, todo aquele que nasceu em Angola e todo aquele que não nasceu em Angola, mas queira viver e trabalhar em Angola honestamente para o seu desenvolvimento, de acordo a constituição. Contudo condenava vigorosamente o neocolonialismo, o colonialismo e o imperialismo internacional.

Por condenar vigorosamente o neocolonialismo, o colonialismo e o imperialismo, o Dr. Jonas Malheiro Savimbi foi acusado de racista, por aqueles que pensavam, e por outros que ainda pensam que Angola é um corpo inerte onde cada abutre vem debicar o seu pedaço, como pouco a pouco está sendo concretizado. Também foi acusado de aliado e colaborador de neocolonialistas portugueses, devido a definição clara e humana de “angolanidade”,  isto é, quem é o angolano, defendendo deste modo a reconciliação e a unidade nacionais, por alguns fanáticos e por alguns oportunistas.

Vi os Katangueses, como mercenários aliados e colaboradores dos portugueses, na luta contra os guerrilheiros da FNLA, do MPLA e da UNITA.

Vi os elementos da Policia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE), assim como elementos do seu tentáculo – Direcção Geral de Segurança (DGS).

Vi os jovens da mocidade portuguesa que faziam “lengalengas” com “S” da fivela do cinto do uniforme: “Sou soldado socialista sem Salazar saber. Se Salazar Soubesse, seria sério sarilho”.

Vi os elementos da Legião Portuguesa.

Vi os elementos da Organização Provincial de Voluntários de Defesa Civil de Angola (OPVDCA).

Vi as milícias nas aldeias.

Todos estes elementos eram fanáticos, letrados ou não, e por interesses económicos eram aliados e colaboradores íntimos dos colonialistas portugueses, e lutavam contra os guerrilheiros dos movimentos de libertação de Angola, e também faziam “ vida cara” aos angolanos civis. Viviam comodamente nas cidades, nas vilas e nas aldeias de acordo com as categorias, recebiam salários satisfatórios e tinham condições materiais. Quanto mais seus compatriotas traíssem ou matassem, mais subiam de categoria, de salário e mais direitos tinham. Não, e nunca precisaram de sofrer nas matas, sem mínimas condições combatendo contra os colonialistas, como o Dr. Jonas Malheiro.

Os Katangueses mercenários que alguns hoje se intitulam de “angolanos mais revolucionários, mais patriotas” e os sobreviventes da PIDE/DGS, sabem.

Regressados de Portugal os líderes dos três movimentos e as sua delegações, aos 31 de Janeiro de 1975, os membros do Governo de Transição de Angola tomaram posse.

Os acontecimentos ocorridos desde o triunfo da revolução dos Cravos em Portugal, e as palavras de ordem (“Que manda na nossa terra? Nós, nós nós!”. “Primeiro angolano, segundo angolano, terceiro o angolano e o angolano sempre”. “A cooperação comigo não será fácil, porque será estudada cuidadosamente para o bem do povo angolano”.), constituíram uma ameaça contra os interesses económicos dos colonialistas, dos neocolonialistas e dos oportunistas ditadores, e outra ameaça contra os monopólios e os planos de hegemonia mundial dos imperialistas.

Por isso foi adoptada a política de “porta aberta” para Angola, por imperialistas.

As vias de penetração dos imperialistas em Angola, estavam abertas, e, alguns dirigentes portugueses são cúmplices. Os cubanos e os soviéticos em particular que nunca tiveram colonias em Africa, encontraram uma oportunidade, e durante o tempo do Governo de Transição invadiram o país clandestinamente para apoiar o MPLA, movimento pró-soviético. E na calada das noites, em Luanda, a coligação FAPLA, RUSSA, CUBANA, massacrava as pessoas simpatizantes e militantes de outros movimentos, nomeadamente a FNLA e a UNITA. a situação involui-se para uma confrontação aberta entre o MPLA e a UNITA.

O Dr. Jonas Malheiro Savimbi teve muitos contactos com o Dr. António Agostinho Neto e com Holden Roberto para se pôr termo os confrontos. Também fez muitos apelos para a paz.

Mas o Imperialismo estava apostado em atingir os seus objectivos: Implantar a ditadura e o neocolonialismo em Angola para se expandir livremente e dominar o mundo. Por isso os apelos do Dr. Jonas Malheiro Savimbi à PAZ, redundaram em letra morta, e os confrontos aumentaram de intensidade, e, como consequência imediata o Governo de Transição dissolveu-se.

Não é por acaso que os “Moxicanos” que esperavam ver e ter uma Angola verdadeiramente independente apelidaram o Dr. Jonas Malheiro Savimbi de “ MUATA DA PAZ” em 1975.

Dissolvido o Governo de Transição, as direcções e muitos simpatizantes e militantes da FNLA e da UNITA e outras pessoas que se sentiam inseguras devido as atrocidades que se praticavam em Luanda por causa da política da exclusão tiveram que abandonar a cidade de Luanda, para as cidades do Uíge e do Huambo respectivamente. E durante a caminhada milhares de pessoas foram massacradas pelas FAPLA que foram militares do MPLA. A partir de então a penetração dos invasores comunistas, para Angola tornou-se aberta.

Os invasores comunistas penetravam aos milhares por semana, trazendo consigo o material de guerra sofisticado em grandes quantidades em detrimento dos valores morais e culturais dos angolanos. Eis aqui alguns exemplos: foi negada aos angolanos a liberdade de culto religioso (muitas Missões Católicas e protestantes foram confiscadas pelo governo do MPLA, outras foram destruídas e outras tornaram-se quarteis dos soldados do MPLA ou da coligação FAPLA – RUSSA- CUBANA; a religião foi considerada como ópio; muitos cléricos foram presos e outros foram mortos); impôs-se o termo “ camaradas” para identificar uma pessoa como simpatizante ou militante do MPLA.

Quem não se identificasse como “ camarada”, corria o risco de ser marginalizado ou de ser preso ou de ser mesmo morto; emissão e utilização de cartões de abastecimento, só para os funcionários poderem comprar dois quilos de arroz, dois quilos de feijão, um quilo de açúcar, um litro de óleo alimentar, duas quadra de sabão e um quilo de sal para o consumo durante um mês para uma família constituída por cinco, seis, sete, oito, nove, dez ou mais elementos. Os camponeses e os desempregados não compravam nada absolutamente nada em nenhuma loja. Cada dita “loja do povo” tinha uma relação nominal de funcionários, desse ou daquele ministério para atender mensalmente ou de 2 em 2 meses ou quando a loja recebesse produtos, de acordo com a planificação do Ministério do Comércio Interno.

As bichas das pessoas para comprarem os tais produtos, eram longas e, pessoas há que ficavam dois ou três dias na bicha, mas não conseguiam comprar e, no quatro dia quando chegasse junto a porta da loja para poder entrar e comprar, já não havia produtos na “loja do povo”. Assim sendo tinha que esperar para o outro mês ou quando a loja fosse abastecida. Pessoas há, que passavam noites nas bichas.

Apenas os dirigentes do MPLA que não conheciam as bichas. Os carros carregados de bens alimentares e de bens industriais, passavam de casa em casa dos dirigentes do MPLA, isto é dirigentes do Partido e do governo, e de outros influentes do Partido para a distribuição de produtos em quantidades avultadas, sob o olhar faminto e carente do povo ou das massas populares. Só e só os militantes do MPLA podiam ou ainda podem assumir cargos de direcção ou de chefia, aplicando deste modo a política de exclusão. Apliquei os termos “que podiam” “ou ainda podem”, porque a política de exclusão persiste até agora.

De uma forma geral, as confrontações abertas entre o MPLA e a FNLA, começaram dias depois da tomada de posse do Governo de Transição de Angola. E as confrontações entre o MPLA e a UNITA, de forma aberta começaram no dia 5 (cinco) de Agosto de 1975, no aeroporto de Silva Porto (cidade do kuito), quando os militares do MPLA dispararam contra o avião onde viajava o Dr. Jonas Malheiros Savimbi e a sua delegação, com objectivo de o eliminar.

O comunismo expandia-se a passos largos para Angola e com os olhos fitos para toda a África e para todo o mundo.

Os sul-africanos tiveram que impedir, tiveram que travar o comunismo a partir de Angola. Esta é a razão pela qual os sul-africanos entraram na guerra fratricida angolana.

Devido a esta intervenção e graças à visão lúcida, graças a interpretação clara dos fenómenos sociais pelo incomparável democrata humanista e patriota africano – Mandela – os africanos hoje orgulham-se por terem em África um país reconciliado, unido e democrático no verdadeiro sentido da palavra que se chama AFRICA DO SUL.

Porquê que não se explica tudo ao povo em particular aos jovens para que os erros cometidos não se repitam na Historia de Angola e o que está mal seja corrigido?

Ainda, ainda, ainda certos angolanos, se é que são angolanos, chamam ou tratam os outros angolanos de “inimigos do povo”. Se os angolanos passam a ser “inimigos do povo”, logicamente este povo não é angolano. Se assim é, tenham coragem de dizer donde veio este povo e qual é o seu objectivo de vir para Angola.

Será que as notas de euros e de dólares vedaram as vistas de determinadas pessoas, e por isso não conseguem ver para não falarmos de descobrir, os inimigos, não só de angolanos e de africanos, mas de todos os homens do chamado Terceiro Mundo, a pulularem, a saquearem as riquezas do nosso País? Ou as suas mentes estão colonizadas ou neocolonizadas?

É urgente a descolonização das mentes, para se saber que todos temos o direito de viver livres e felizes na Pátria “ Angola” que nos viu a nascer, com as nossas diferenças, mas celebrando o que nos une: a VIDA.

Sofrimento Esperançoso

Rate this item
(0 votes)

Log in or Sign up