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Terça, 02 Agosto 2022 13:04

As teses de Jú Martins e de Adalberto da Costa Júnior: “transição” ou o “poder não se negocia, conquista-se”?

É preciso negociar, sim, uma transição, amigo e admirado “mais novo” Ju Martins. Sem isso, com ou se pandemias, continuaremos a ser um país de “donos” e de excluídos. E um país assim, isso não é teoria, não avança.

Por Marcolino Moco

Prioridade será sempre, conquistar e manter o poder, mesmo dentro do próprio partido no poder, comprometendo sempre o desenvolvimento. Por exemplo, ontem eram todos “Eduardistas”, enquanto JES vivo e na direcção do MPLA. Hoje, só sobrevivem os aparentementes “ Lourencistas” ferrenhos, que voltaram a ser “Eduardistas” porque JES já cá não está. entre nós.

Tudo na base da manipulação e da vingança, destruíram o pouco que funciona, resultante da tal “acumulação primitiva do capital”, com que todos concordaram. Isto é um sistema onde hoje o excluído sou eu mas amanhã poderás ser tu, ou juntar-se a mim.

E nossos filhos e netos deixados num país sempre com este tipo de tensão do poder pelo poder, que não se discute? Mesmo lá onde os pilares dos Estados e nações estão sólidos (França, Portugal, Itália), negoceia-se o poder para o bem da estabilidade, sempre que necessário. Quanto mais nós a tatear na construção das nossas nações modernas, no atribulado continente africano?

Lembrar-se do discurso de Lopo de Nascimento, quando chamou a alguns de “meninos de infantário”, na Assembleia Nacional. Eu desenvolvi este tema no meu livro “Angola: estado nação ou estado etnia política?”. Ultimamente, na preparação do informal “Congresso da Nação”, em que o MPLA foi o único impedido de comparecer, retirei desse livro os extractos mais significativos e publiquei “Reflexão sobre a construção do Estado-nação em África, com o caso de Angola em evidência”. Será por acaso que foi nesse mesmo dia do nosso Congresso, 27 de Maio, que decidiram receber Adalberto que teve de sair às pressas, das instalações de Francisco Viana?

Na verdade, discutir uma “transição”, para além de ser muito útil para o país, ao tranquilizar as populações, possibilitando o investimento interno e externo não descartáveis, é muito benéfico para o futuro dos próprios membros do MPLA, dentro ou fora do poder, com o que pode ser chamado de “direitos adquiridos”, por tão longo tempo no poder, que beneficiem o desenvolvimento do país.

“Lunático” é pensar que o MPLA estará eternamente no poder, mantendo-se lá, sempre à custa de habilidades de toda a ordem. Como, certamente, já não se vai a tempo de fazê-lo, como o preconizamos no “Congresso da Nação”, seja qual for o governo que surgir depois destas eleições é importante equacionar o problema da “transição” para um Estado-nação de inclusão e prosperidade ao serviço de todos.

Pelos vistos, Adalberto com a sua UNITA mais os seus parceiros da informal FPU, entendem melhor esta necessidade do que o hiper conservador MPLA de Ju Martins e João Lourenço.

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