Sábado, 08 de Mai de 2021
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Quinta, 18 Março 2021 00:35

JLo: O lobo mau vestido em pele de cordeiro — escondido nas promessas de uma falsa reconciliação

Após o exército de Adolf Hitler ter sido vítima de uma perda inevitável na Alemanha, em maio de 1945, deu – se ao início da árdua tarefa de reconstrução de uma sociedade devastada pela guerra. Se as perdas materiais sinalizavam que a tarefa era enorme, os danos políticos e sociais determinavam que o surgimento da Alemanha consistiria num trabalho mais complexo, a exigir muito não somente da própria Alemanha, mas de quase todo o mundo.

O País representava o centro da tensão política resultante da reordenação das forças militares, econômicas e políticas com o fim do conflito bélico: uma Alemanha, ocupada pelas quatro potências vencedoras, foi dividida em duas grandes zonas, antagônicas, porém vizinhas entre si. Para além da divisão geopolítica, a sociedade alemã foi também seccionada: famílias, laços de amizade e solidariedade, e, uma história que, a partir desse novo momento, encontraria dificuldades para ser vivida em conjunto.

Os traumas sociais e políticos causados pelo período nazista ainda hoje persistem e os alemães praticamente não deram por concluída sua tarefa de realizar o necessário “trabalhar do passado” (ou, na sua própria língua, a Aufarbeitung der Vergangenheit). Interessante perceber que a história recente da Alemanha foi com tal intensidade internacionalizada que qualquer crescimento eleitoral de forças conservadoras naquele País chama a atenção do mundo.

Referido comportamento não se observa à Angola, que após uma guerra devastadora que dizimou milhares de angolanos e colocou o País num derramamento de sangue tenebroso, com um período de duração que terá superado a segunda guerra mundial, aliás, Angola é o País por onde se registou a guerra mais longa de toda história da humanidade.

Embora isso seja um facto, o exercício do ódio e da vingança não foi sepultado com as balas de canhões, registando- se aos nossos dias o som vibrante da ira dos nossos governantes contra os seus próprios colegas de Partido. Em vez de perpetuar – se uma cultura de conservação da paz, e da harmonia social em todos os cantos da Nação, perpetua – se uma cultura do ódio, da vingança, da perseguição, da intolerância política, tendo o País esquecido do sangue derramado ao longo de mais de trinta anos de guerra civil. O que se esperaria é o ressurgir de uma cultura que materialize paz social ou organizacional, não o surgimento de uma “guerra psicológica” como forma dos actores políticos se poderem vingar do seu passado.

A reconciliação que se fala aos nossos dias, no círculo do MPLA, não passa de um fogo de fumaça para esconder o desejo da continuidade do fuzilamento de carácter conjuntural, que abarca o plano mais obscuro de JLO e os seus comparsas. A reconciliação tem como único objectivo perpetuar JLO nos destinos do País e do Partido, nada além disso há - de suceder com a dita reconciliação. Aliás, o País empobrecerá pior que a Etiópia, se o MPLA manter JLO em frente dos destinos do País e do Partido.

A corrupção no consulado de JLO tomou contornos bastante alarmantes, cujo alarido dela oriunda, torna – se ensurdecedor. Hoje pratica – se corrupção equiparável ao praticado no passado. A única diferença entre ambos os consulados é que em épocas do passado não se sonhava num possível combate à corrupção, ao passo que aos nossos dias, enquanto foca – se bastante num combate à corrupção contra o passado, evidencia – se uma tremenda corrupção nos quatros cantos do País. JLO está à beira de uma falência eleitoral inevitável, não tendo nenhuma possibilidade para se livrar – se da sua própria deriva. Não obstante, Lourenço entrará na história como o pior líder que o País já teve, terá como cicatrizes da sua governação o progressivo aumento da pobreza no círculo social, a perda progressiva da popularidade do MPLA, por fim, perderá quer nas eleições autárquicas quanto nas eleições gerais de 2022, tendo como única forma de escape da sua perdição nas eleições gerais de 2022 a realização de uma fraude eleitoral (…).

Com o combate à corrupção transformado no único plano de vingança contra os seus inimigos de trincheira, Lourenço vendo – se entregue à deriva, preferiu fingir uma falsa reconciliação para enganar os seus colegas do Partido, e perpetuar – se nos destinos do MPLA. Na verdade, JLO não pretende reconciliar o MPLA, pretende impor manobras políticas que fazem da mentira num substantivo peculiar para manter – se em frente dos destinos do País. JLO pretende fingir reconciliar o MPLA para que na próxima República seja capaz de dar avante ao seu plano de destruição implacável dos seus condiscípulos de Partido. Ter JLO à frente dos destinos do MPLA é perigoso , é dar sequência a um vasto processo de desmoronamento do Partido na face da terra.

JLO não tem no seu plano, nada que veicule uma verdadeira reconciliação no âmago do Partido, o que JLO tem é um falso plano de reconciliação, que visa imputá – lo como próximo “Presidente da República” em 2022, enquanto isso, dará sequência ao seu vasto plano de destruição inevitável do Partido. Pretende dominar o CC do MPLA como fêz - lo em 2018, ao expulsar JES no pivô do Partido.

O MPLA deve despertar, antes que seja enganado pela segunda vez, Lourenço está longe de impor uma reconciliação de facto, o que Lourenço pretende é antes de mais efectivar a sua continuidade como Presidente do Partido e da República para dar sequência ao seu grande plano de caça – às – bruxas e sepultar o MPLA na terra do exílio e do silêncio.

João Hungulo: Mestre em Filosofia Política & Pesquisador.

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