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Quarta, 12 Janeiro 2022 11:00

João Lourenço diz que vandalismo foi “ato de terror” para tornar o país ingovernável

O Presidente de Angola, João Lourenço, considerou hoje que o vandalismo registado na segunda-feira em Luanda, durante a paralisação dos taxistas, foi um "ato de terror" que visava tornar o país ingovernável e "subverter o poder democraticamente instituído".

"O que aconteceu na segunda-feira foi um verdadeiro ato de terror, cujas impressões digitais deixadas na senda do crime são bem visíveis e facilmente reconhecíveis e apontam para a materialização de um macabro plano de ingovernabilidade através do fomento da vandalização de bens públicos e privados, incitação à desobediência e à rebelião, na tentativa da subversão do poder democraticamente instituído", acusou João Lourenço, que falava hoje na abertura da 12ª reunião do Conselho de Ministros.

Segundo João Lourenço, que elogiou a "contenção" da Polícia Nacional "naquele fatídico dia", bem como o comportamento "patriota, tolerante e responsável" das entidades diretamente lesadas, o país foi alvo de "um ato de rebelião que alterou a ordem pública, vandalizou bens públicos e privados e pôs em risco a segurança e a vida de pacatos cidadãos", incluindo profissionais de saúde e da comunicação social.

O primeiro dia de uma paralisação de taxistas em Luanda ficou marcado, na segunda-feira, por distúrbios e atos de vandalismo entre os quais a destruição de um autocarro do ministério da Saúde e de um edifício do MPLA (partido no poder), incendiados por populares, segundo a polícia, que deteve 29 pessoas na sequência dos desacatos.

Na segunda-feira, o secretário provincial do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder) em Luanda, Bento Bento, tinha já sugerido que elementos da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA, principal partido da oposição), estariam ligados ao vandalismo, o que a UNITA desmentiu, recomendando antes ao Governo que "resolva os problemas do povo".

Ambos os partidos, que vão disputar este ano eleições gerais, condenaram veementemente os incidentes.

No seu discurso, João Lourenço vincou a responsabilidade “de preservar para a eternidade” a paz e a reconciliação nacional, apelando a “quem viu seu património vandalizado, queimado ou destruído, que não pague pela mesma moeda porque ninguém está autorizado a fazer justiça por mãos próprias”.

Salientou ainda que as forças policiais “vão garantir a ordem e a segurança dos cidadãos, das instituições e da propriedade”, apelando aos cidadãos angolanos e estrangeiros “a fazerem sua vida profissional e familiar normalmente”.

Garantiu ainda que as eleições gerais vão decorrer em agosto de 2022 “em ambiente de plena segurança para os eleitores e os observadores”, e destacou, num recado para os seus adversários políticos: “Em Angola, a única forma possível e legítima de se disputar o poder político é pela via democrática das eleições”.

O chefe do executivo angolano lamentou a paralisação “de uma pequena parte” dos táxis de Luanda, afirmando que o executivo angolano tinha atendido “prontamente” a principal reivindicação das associações representativas da classe, que tinha a ver com a redução da lotação dos táxis devido à covid-19, dizendo que “serviu de pretexto para o aproveitamento político com vista a criar a ira dos cidadãos utilizadores desses meios”.

Os líderes das três associações de táxis que convocaram a greve queixam-se, no entanto, de estarem a ser perseguidos, denunciando “detenções arbitrárias” e acusam o governo de estar a negociar com “impostores” que não os representam, lembrando ainda que o anúncio sobre a lotação a 100% dos táxis não foi formalizado num diploma legal.

A greve foi convocada pela Associação Nova Aliança dos Taxistas de Angola (ANATA), Associação dos Taxistas de Angola e Associação dos Taxistas de Luanda, que repudiaram e se demarcaram dos atos de vandalismo.

João Lourenço concluiu a sua intervenção manifestando “indignação, repulsa e condenação pública da sociedade angolana em uníssono”, contra os autores morais, mentores, organizadores e executantes dos atos da passada segunda-feira.

Refira-se que, no dia do ocorrido, o Primeiro Secretário Provincial do MPLA em Luanda, Bento Bento, alegou também ter havido intenções políticas na suposta greve dos taxistas.

Reagindo aos incidentes ocorridos, resultantes da paralisação dos serviços por parte dos taxistas, o primeiro Secretário do MPLA em Luanda, Bento Bento, afirmou que no seu entender essa greve teve alguma ligação política, uma vez que durante os actos de vandalização no Distrito do Benfica, município de Belas, foi apenas lesado o Comité do seu Partido.

"Há indivíduos que supostamente planificaram uma greve dos taxistas e de greve de taxistas não teve nada senão ataque ao comitê do MPLA do Benfica. Então quer dizer que estes indivíduos têm intenções políticas, não têm intenções absolutamente ligadas à greve dos taxistas", declarou Bento Bento, sublinhando que tratou-se de "um plano devidamente ordido, um plano devidamente elaborado, e visa inviabilizar Luanda e o país, tendo realçado que os jovens tinham indumentária da UNITA.

Além disso, Bento Bento também apelou a calma de todos os cidadãos em particular dos militantes do seu partido, tendo dito também que autoridades estão calmas a fazer o seu trabalho a fim de garantir a tranquilidade.

Já o maior partido da oposição angolana em Luanda, UNITA, condenou veementemente os actos de vandalismo que tiveram lugar na cidade e Capital Luanda, na manhã desta segunda-feira,10 de janeiro.

De acordo com o comunicado de imprensa do Secretariado Provincial da UNITA, o este partido acredita energicamente que, o diálogo é a maior via para apaziguar os espíritos, os ânimos, que actos de vandalismo resultam sempre num saldo negativo, como a vandalização dos autocarros e outros bens públicos, quando os bens públicos merecem um tratamento exclusivo por pertencerem a todos como resultado do dinheiro público.

"Também aproveitamos para esclarecer que, a UNITA nada tem a ver com a os actos de vandalismo que tiveram lugar no comitê do MPLA no Benfica, lamentamos muito, e ouvimos com tristeza as acusações do seu secretário provincial em Luanda", lê-se no documento.

Na mesma ocasião, a UNITA em Luanda recomendou que o governo resolvesse os problemas do povo, dialogando com o mesmo sem mentiras.

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