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Quarta, 16 Agosto 2023 16:14

Sete partidos da oposição sul-africana anunciam parceria para afastar ANC do poder

Sete partidos da oposição na África do Sul iniciaram esta quarta-feira uma convenção nacional, em Joanesburgo, para formular uma alternativa à governação no país, foi anunciado.

O encontro, histórico na democracia do país, decorre até quinta-feira em Kempton Park, leste de Joanesburgo, onde se realizaram entre 1990 e 1993 as negociações pelo fim do anterior regime de “apartheid”, no âmbito da Convenção para uma África do Sul Democrática (Codesa).

A convenção multipartidária passará a designar-se por Multi-Party Charter for South Africa (Carta multipartidária para a África do Sul), anunciaram esta quarta-feira os participantes, em conferência de imprensa conjunta no final do primeiro dia de discussões.

A parceria política junta os actuais partidos da oposição Aliança Democrática (DA) - líder da oposição -, Partido Livre Inkatha (IFP), e FF Plus (FF+), e as novas formações políticas Action SA, Spectrum National Party (SNP), Independent South African National Civic Organization (ISANCO), e United Independent Movement (UIM).

A iniciativa pretende "destronar" o Congresso Nacional Africano (ANC), no poder desde 1994 na África do Sul, nas eleições gerais do próximo ano, foi anunciado.

"Estes dois dias não são sobre política ou políticos, são sobre o povo da África do Sul", declarou o político John Steenhuisen, líder da Aliança Democrática, principal partido de oposição no Parlamento sul-africano.

"A nossa missão nesta convenção nacional é encontrar soluções concretas para melhorar a vida do povo sul-africano", adiantou.

Por seu lado, o líder do partido Espetro Nacional (SNP), Christopher Claassen, questionou o futuro do país "se continuar a ser governado por um grupo racial", referindo-se à coligação governamental entre o ANC, Cosatu (confederação sindical) e o Partido Comunista da África do Sul (SACP), no poder há quase 30 anos.

"Julgo que o que realmente queremos colocar na mesa e dizer é que as políticas de uma única raça que os partidos políticos têm não estão a funcionar e nunca vão funcionar, tentamos com o regime do `apartheid` e não funcionou", frisou.

"O Governo do ANC está a tentar fazer isso, não está a funcionar e estamos a dizer aos sul-africanos que a única maneira de governar este país com sucesso é incluir todos os grupos culturais ou grupos raciais que existem neste país", adiantou à imprensa local.

"Não odiamos o ANC, odiamos o que fizeram ao país", declarou, por seu lado, na mesma conferência de imprensa o político Velenkosini Hlabisa, líder do IFP, o quarto maior partido da oposição no país, de base tradicional Zulu, o maior grupo étnico no país com mais de 12 milhões de pessoas.

"A África do Sul está prestes a tornar-se um Estado falido", sublinhou.

O histórico Congresso Nacional Africano, antigo movimento de libertação de Nelson Mandela, enfrenta um declínio de apoio face ao crescente descontentamento com a sua governação desde 1994 alimentado pelo desemprego elevado, crescente desigualdade, criminalidade, corrupção pública endémica, e uma grave crise de electricidade.

Pela primeira vez na história da democracia do país, as sondagens prevêem uma queda eleitoral abaixo dos 50% do ANC no escrutínio do próximo ano, segundo a imprensa local.

O presidente da República, Cyril Ramaphosa, foi reconduzido na liderança do ANC no congresso nacional do partido em Dezembro.

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