Segunda, 08 de Agosto de 2022
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Quinta, 07 Abril 2022 10:22

Um em cada cinco Kwanzas emprestados pelos bancos está em risco

O crédito malparado na banca valia quase 2.207 milhões USD no final do ano passado, 20,3% do total. Inflação em alta, economia sem crescimento e demasiado informal, desemprego elevado, juros altos e os denominados "créditos marimbondos" são os "culpados" do elevado crédito de cobrança duvidosa na banca nacional.

Um em cada cinco Kz emprestados pelos bancos em Angola são malparados, num valor que atingiu os 1,225 biliões Kz no final de 2021, tratando-se do valor mais alto em crédito vencido desde que o BPC cedeu os seus activos tóxicos à Recredit em Maio de 2020. De acordo com o relatório de Indicadores do Sistema Financeiro do Banco Nacional de Angola (BNA), em Dezembro de 2021 o crédito malparado no sector financeiro era equivalente a 20,3% do total do stock de crédito concedido que, segundo o relatório de Estatís[1]ticas Monetárias do banco central, era de 6,0 biliões Kz.

Contas feitas, o total de malparado no sistema financeiro no final de 2021 era equivalente a 2.207 milhões USD, de acordo com cálculos do Expansão com base na taxa de câmbio média no final do período. Desde o final de 2020, o malparado no total do crédito bruto passou de 18,41% para 20,30%, um crescimento de 1,85 pp em 12 meses. Como no mesmo período a carteira de crédito dos bancos cresceu 5,5% para 6,0 biliões Kz, contas feitas revelam que o malparado cresceu 172 mil milhões Kz, equivalente a 309,9 milhões USD.

A alta inflação e a situação económica do país, onde o maior empregador continua a ser o sector informal, o desemprego é elevado e o rendimento das famílias tem vindo a cair ano após ano desde 2014 (68% de quebra de poder de compra entre 2014 e 2021), continuam a ser um entrave ao cumprimento das obrigações com os bancos, de acordo com especialistas. E não esquecer aquilo que dentro da banca são considerados os "créditos marimbondos".

A tudo isto junta-se a política monetária restritiva do BNA, que, a 2 de Julho do ano passado, numa medida que visava travar a inflação, aumentou a taxa de juro básica de 15,5% para 20,0%, influenciando o aumento das taxas de juro dos empréstimos das famílias e das em[1]presas. Num país onde as famílias gastam quase 70% dos seus rendimentos em alimentação, a subida das taxas de juros só veio agravar as condições de vida dos angolanos, especialmente ao nível da classe média.

O crédito malparado em Angola atingiu o seu pico em Junho de 2019, quando equivalia a 35,5% do crédito bruto bancário. Entre ligeiras subidas e descidas desde esse pico, só em Junho o malparado caiu a pique, passando de 34,5% em Maio para 22,3% em Junho. A limpeza do balanço do BPC, que cedeu à Recredit pela segunda vez uma carteira de crédito de cobrança duvidosa, em Junho de 2020, no valor de 950 mil milhões Kz, com o "banco mau" a pagar apenas 57 mil milhões Kz, provocou uma queda vertiginosa no total do malparado da banca na[1]quele período.

Em Junho de 2020, segundo dados do BNA, o crédito bruto da banca era de pouco mais de 6,1 biliões Kz. Como 34,5% desse valor era malparado, significa que 2,1 biliões Kz eram créditos de cobrança duvidosa. Assim, as contas mostram que 950 mil milhões Kz do malparado do BPC eram equivalentes a 45% de um total de 2,1 biliões Kz de malparado da banca. Sem os créditos tóxicos do BPC, o crédito de cobrança duvidosa de toda a banca caiu naquele mês de 2,1 biliões para quase 1,2 biliões.

FMI quer mais supervisão

No relatório sobre a sexta e última avaliação ao cumprimento do programa de financiamento ampliado (2019-2021), o FMI refere que Angola fez "progressos substanciais nas reformas do sector financeiro", mas deixa como recado que as autoridades precisam de "prosseguir com os esforços para assegurar a saúde do sector", alertando para a necessidade de se implementarem "planos para fazer face ao ainda elevado nível de crédito malparado".

Neste sentido, refere o relatório, o banco central "começou a intensificar as suas acções de supervisão para assegurar que os bancos (os mais pequenos em particular) desenvolvem planos ambiciosos de redução de malparado, com metas calendarizadas para essa redução. Na carta que a equipa económica do Governo enviou ao fundo e que faz parte deste relatório é referido que "intensificaremos ainda mais o nosso controlo de supervisão com particular atenção às carteiras de crédito dos bancos mais afectadas pela Covid-19 e aos bancos mais pequenos".

EXPANSAO

 
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