Quinta, 19 de Mai de 2022
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Quarta, 26 Janeiro 2022 11:04

Cada angolano deve 1.595 USD ao estrangeiro, só à China são 675 USD

Ao todo, em dívida comercial Angola tinha por pagar no final do III trimestre do ano passado 38.082,0 milhões, em que 89% desse valor representava dívida a bancos e o restante a fornecedores. Já a dívida bilateral (país a país), mais barata que a comercial, tem vindo a cair ano após ano.

A China continua a ser o maior credor angolano, já que de um total de 51.040,6 milhões USD por pagar ao estrangeiro 21.602,7 milhões USD são "kilapis" àquele país da Ásia. Ao todo, cada um dos 32 milhões de angolanos deve 1.595 USD lá fora e 675,1 são ao gigante asiático.De acordo com as estatísticas externas do Banco Nacional de Angola (BNA), o stock da dívida externa subiu 1,8% entre o final de 2020 e o III trimestre de 2021 (últimos dados disponíveis), passando de 50.114,5 para 51.040,6 milhões USD.

A dívida angolana à China, que tem nas mãos 42,5% da dívida externa angolana, recuou 1,8% entre o final de 2020 e o III trimestre de 2021, passando de 21.993,1 milhões USD para 21.602,7 milhões USD. A maior parte da dívida à China tem como principal credor o China Development Bank (CDB), que resulta de um mega financiamento de 15 mil milhões USD, no âmbito de um acordo celebrado em Dezembro de 2015. Foi deste empréstimo levantado na sua totalidade que saíram os 10 mil milhões USD que o Governo injectou na altura na Sonangol. Depois da China, segue-se o Reino Unido, a quem Angola deve 13.045,3 milhões USD, o que faz com que cada angolano lhes deva 407,7 USD.

Os Estados Unidos da América completam o top 3 do ranking dos maiores credores externos por país, depois de a dívida à maior economia do mundo ter disparado 294% até ao III trimestre de 2021, passando de 765,1 milhões USD no final de 2020 para 3.011,6 milhões. Israel é o quarto maior credor, tem na sua posse uma dívida de 2.183,8 milhões USD, e pelo primeiro ano surge nos registos do BNA uma dívida angolana à Costa do Marfim, um total de 1.297,2 no final do III trimestre de 2021.

O Expansão solicitou esclarecimentos ao BNA sobre esta dívida mas não obteve resposta. Entretanto, uma fonte do Ministério das Finanças revelou que só se pode tratar de dívida do país ao Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), cuja sede se encontra naquele país. Os valores da dívida quase que batem com os números que constam na Conta Geral do Estado de 2020, que indicam que Angola devia no final daquele ano1.112 milhões USD ao BAD.

De acordo com outro relatório, denominado Dívida Externa Pública por Credor, a maior parte da dívida angolana é comercial, equivalente a 75% do total. A dívida comercial está repartida entre dívida a bancos (títulos e obrigações) e a empresas (fornecedores).

Ao todo, em dívida comercial Angola tinha por pagar no final do III trimestre do ano passado 38.082,0 milhões, em que 89% desse valor representava dívida a bancos e o restante a fornecedores. Note-se que a dívida a fornecedores caiu 643,8 milhões no período em análise.

Já a dívida bilateral (país a país) tem vindo a cair ano após ano e longe vão os tempos em que Angola devia mais de 8.017,6 milhões USD directamente a outros países. Este tipo de dívida que tradicionalmente tem condições mais baratas que a comercial recuou 7% face ao final de 2020.

Em sentido inverso, a dívida multilateral, a instituições multilaterais como Fundo Monetário Internacional (FMI)ou Banco Mundial, não pára de subir. Em menos de nove meses cresceu 33%, equivalente a 1.895,7 milhões USD, para 7.602,2 milhões.

São, fundamentalmente, os efeitos do programa de financiamento ampliado do FMI, mas também da distribuição de Direitos Especiais de Saque (DES) ou, em inglês, Special Drawing Rights (SDRs), a unidade monetária desta instituição multilateral, distribuição essa que foi uma resposta do Fundo ao apelo da comunidade internacional no sentido de mobilizar um pacote de ajuda massiva para ajudar os países, em particular os países africanos, no contexto do impacto da pandemia da Covid-19 e lançar as bases de um novo ciclo de crescimento, passando por uma maior inclusão do sector privado.

Expansao

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