Contrariamente aos ditames de algumas regiões do continente africano, em que as minorias étnicas acabam por se transformar em "presas fáceis" das maiorias, da arrogância e da intolerância política dos grupos dominantes, o posicionamento fracturante da sociedade angolana, no que à política diz respeito, decorre de uma tendência endógena de exclusão que tem origem nos então movimentos de libertação nacional, ainda hoje muito evidenciada na tendência como os políticos olham para os seus adversários. Uma tese por nós há muito defendida!
A engenheira Isabel dos Santos tem mundo, competência e capacidade. O pior que lhe podia acontecer foi ter aceite a nomeação para presidente do conselho de administração da petrolífera estatal Sonangol.
Analista da Horizon Client Access diz que Presidente angolano procura "sucessão dinástica".
A nomeação de Isabel dos Santos para presidente do Conselho de Administração da Sonangol "mostra que o Presidente dos Santos não confia em mais ninguém e que está à procura de uma sucessão dinástica", disse o analista Markus Weimer, da Horizon Client Access, à agência Bloomberg.
A nomeação da empresária angolana Isabel dos Santos, filha do Presidente de Angola, para a administração da Sonangol "é absolutamente chocante" e constitui "um esquema" para manter o branqueamento de capitais, disse hoje a eurodeputada portuguesa Ana Gomes.
A CASA-CE, segunda força da oposição angolana, acusou hoje o MPLA de ter "perdido a capacidade" para "colocar um travão aos excessos do seu presidente" com a escolha de Isabel dos Santos para liderar a petrolífera estatal Sonangol.
A intenção de formalizar, até mesmo apertar, o controlo político que o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, tradicionalmente exerce sobre o sector petrolífero, era evidente na reestruturação da Sonangol. Mas poucos acreditavam que o “chefe” pudesse ir longe ao ponto de nomear a sua filha, Isabel dos Santos, para a presidência da petrolífera estatal. Uma decisão que expõe o regime, já a experimentar adversidades económicas e sociais, a maiores críticas internas e externas.
Um grupo de juristas angolanos vai discutir no sábado a possibilidade de impugnar a nomeação de Isabel dos Santos como presidente do conselho de administração da petrolífera estatal Sonangol, a maior fonte de receitas do país. O advogado David Mendes, da associação cívica Mãos Livres, que organiza o encontro, afirmou ao PÚBLICO que esta “foi uma nomeação muito estranha, tendo em conta que Isabel é filha do Presidente e tem muitos interesses no mundo do petróleo e no mundo financeiro”. Assim, no caso de assumir o cargo, esses interesses “entrarão em colisão” com a Sonangol. “Estando num órgão tão importante como o conselho de administração faria negócio consigo mesma ou facilitaria negócios com o seu próprio grupo. Isso levanta suspeitas.”
A nomeação da empresária Isabel dos Santos para presidente da Sonangol é uma maneira de manter o poder na família de José Eduardo dos Santos, consideram vários analistas ouvidos pela agência de informação financeira Bloomberg.
Angola é o quinto país do mundo com mais fundos retidos às companhias aéreas, que não paga há sete meses, acumulando dividendos de 237 milhões de dólares (212 milhões de euros) que as transportadoras não conseguem repatriar.
O presidente da Frente de Libertação do Enclave de Cabinda - Forças Armadas de Cabinda morreu esta sexta-feira. Discute-se agora a sucessão no movimento que afirma que "Cabinda não é Angola"