Domingo, 31 de Agosto de 2025
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Domingo, 31 Agosto 2025 18:50

As redes sociais como novo palco político

O presente artigo de opinião inspira-se em excertos do livro “As Eleições em Angola – De 1992 até aos Nossos Dias”, da autoria do articulista, no qual se analisa a evolução do processo eleitoral angolano e as suas múltiplas dinâmicas.

A paisagem política angolana está a sofrer transformações profundas. Uma das mais visíveis é a crescente influência das redes sociais como espaço de mobilização eleitoral e de disputa política. Se nas eleições de 2017 e 2022 já se começava a notar este fenómeno, hoje é inegável que as plataformas digitais se consolidaram como instrumentos estratégicos na comunicação entre candidatos e eleitores.

As campanhas eleitorais realizadas nas redes sociais representam uma nova realidade no panorama político angolano.

Os partidos e candidatos encontram nestes meios um espaço acessível, de baixo custo e com enorme capacidade de alcance, onde procuram vantagens competitivas. Mais do que simples vitrinas de propaganda, as redes permitem a criação de um relacionamento tendencialmente mais próximo entre candidatos e eleitores, que permite abrir caminho a um diálogo, entre candidato e eleitores, que dificilmente se consegue através dos meios tradicionais.

Porém, não basta a existência de uma página no Facebook, Instagram ou TikTok. A eficácia da campanha digital depende, em grande medida, da qualidade do conteúdo produzido e da forma como é gerido. Torna-se cada vez mais necessário que as páginas oficiais sejam dinamizadas por equipas profissionais de marketing político, capazes de criar narrativas consistentes, de actualizar os conteúdos regularmente e de explorar formatos mais apelativos, como vídeos curtos, directos e publicações interactivas.

O recurso ao “em directo”, em particular, revelou-se uma ferramenta poderosa. Permite ao candidato dialogar em tempo real com um número considerável de eleitores, responder a perguntas, apresentar propostas e mostrar-se acessível. Quando bem estruturadas, estas interacções reforçam a imagem de transparência e proximidade, atributos cada vez mais valorizados por um eleitorado jovem e exigente. Naturalmente, este exercício exige preparação: é preciso definir a agenda, antecipar questões sensíveis e demonstrar autoridade de conhecimento. O improviso descontrolado pode ser tão perigoso quanto o silêncio prolongado.

As vantagens das redes sociais na corrida eleitoral são evidentes. Reduzem custos, permitem uma comunicação direccionada e estabelecem um canal de interacção directa com o eleitor. Contudo, o risco está em reduzir a estratégia a uma mera presença formal. Uma página inactiva ou mal gerida pode, ao invés de conquistar, afastar potenciais eleitores.

A juventude, maioritariamente, é utilizador das plataformas digitais, constitui o grosso do eleitorado. Por isso, quem conseguir captar a sua atenção e confiança através das redes terá, certamente, um trunfo de grande capital nas próximas eleições. O futuro das campanhas políticas em Angola passa, inevitavelmente, por esta arena digital.

As redes sociais não substituem os comícios, os debates televisivos ou o contacto porta a porta, mas já se afirmam como complemento incontornável. A política, tal como a sociedade, entrou na era digital , e ignorá-la seria um erro estratégico imperdoável.

Osvaldo Mboco 

*Professor de Relações Internacionais e mestre em Gestão e Governação Pública, na especialidade de Políticas Públicas

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Last modified on Domingo, 31 Agosto 2025 18:59